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    Jeane Bordignon

    Brinquedo não tem gênero: é só brinquedo!

    por Jeane Bordignon | Publicada em 03/05/2021 às 21h12

    Já respondi no título o que questionamento trazido pelo artigo As meninas com tratores e os meninos com bonecas: os brinquedos têm gênero?, publicado no El País e reproduzido pelo Seguinte:. Acho que isso nem deveria ser uma questão, mas infelizmente a sociedade ainda divide os brinquedos entre “de menina” e “de menino”.

    Chega a dar até agonia quando entro numa loja do ramo, principalmente por causa do tanto cor-de-rosa que se impõe às meninas. No máximo entra um lilás e um verde clarinho. Cores delicadas como uma boa garota deve ser (essa frase contém ironia).

    Tive sorte de nascer de pais conscientes, que me deram peças de montar e outros brinquedos coloridos. Minha foto preferida de infância, onde acho que tenho o sorriso mais bonito, é essa acima com minha bola de várias cores. Nesse dia eu dava meus primeiros passos.

    Para bebês como essa fofinha acima, bola é um brinquedo neutro… mas depois de certa idade, parece que vira brinquedo de menino. Isso não faz sentido. Continua sendo um objeto com o qual qualquer pessoa pode ser divertir. Mas as meninas ganham bonecas, para brincar de mamãe e filhinha.

    E ai do menino que quiser brincar igual! Tem muita gente ainda que acredita que os brinquedos vão “influenciar a homossexualidade”… É muito absurdo. Primeiro, se a menina pode brincar de mamãe, porque o menino não pode brincar de papai? A resposta é a ideia de que cuidar dos filhos é “tarefa de mulher” sendo incutida desde cedo.

    Segundo, se o filho se descobrir homossexual, qual o problema? Esse medo na verdade vem de todo o preconceito que nossa sociedade ainda carrega. Até porque limitar os brinquedos não vai evitar nada, só vai privar a criança de experiências lúdicas.

    Eu brincava até com as ferramentas do meu pai. Minha pazinha de mexer na terra era a colher de pedreiro (tenho até foto). Adorava o nível e o prumo, eram divertidos. Acho o máximo quando vejo ferramentas de brinquedo, pelo que lembro não existiam na minha época. Para uma criança, brincar de consertar coisas é quase mágico. Não importa se é menina ou menino.

    Mas dificilmente você vai encontrar ferramentas na seção de meninas da loja de brinquedos. Para elas, bonecas e mais bonecas. E utensílios domésticos. Se panelas e talheres são coisa de mulher, porque os chefs de cozinha mais respeitados são homens? Que sociedade doente a nossa!

    Quando meu sobrinho Pedro tinha uns 3 ou 4 anos, me pediu um liquidificador e uma batedeira de brinquedo. Rodei o centro de Gravataí e de Porto Alegre e só encontrei brinquedos em tons de rosa, com detalhes em lilás e verde claro. Comprei mesmo assim, e o guri amou, fez mil sucos e bolos imaginários.

    Crianças querem imitar os adultos, por isso gostam tanto de brincar de fazer comida. E no caso do Pedro, o pai e o avô pilotam a cozinha com frequência, então natural que o Pedro quisesse fazer igual. É bizarro limitar esse tipo de brinquedo a meninas.

    Ainda bem que as marcas estão mudando. Fiquei encantada quando vi os utensílios de brinquedo com marca do Masterchef. Também achei lindo ver uma marca bem famosa de bonecas colocando meninos nas suas publicidades e embalagens.

    Afinal, criança só quer brincar. Não ligam para as neuroses dos adultos. E quando começam a ligar, é por influência dos adultos. O pior é que os papéis de gênero estão tão enraizados em nossa sociedade que a gente reforça sem perceber. Ao procurar um presente para uma menina, vamos direto nas bonecas.

    Eu até gostava das minhas bonecas. Tenho memórias de colocar a fralda de pano no bebezão de plástico, igual minha mãe colocava no meu irmão. Mas nunca achei muita graça em brincar de mamãe. Preferia inventar histórias e gostava de trocar roupinhas, inventar penteados. Acho que sempre tive um olhar de artista.

    Mas quando penso nos brinquedos preferidos da infância, lembro das madeirinhas que o pai fazia para mim. Ele trabalhava de carpinteiro numa empresa, e resgatava os restinhos de madeira que iriam para o lixo. Cortava em tijolinhos e telhados. Um monte de possibilidades para minha imaginação.

    Lembro com saudade do pianinho e do xilofone que tive. Criança adora música e as brincadeiras com instrumentos são excelentes para o desenvolvimento.

    Eu gostava muito também de peças de encaixar. Quem ganhou uma caixinha de Lego foi meu irmão e sinceramente acho que eu tinha mais apreço pelas pecinhas do que ele. Talvez se Lego não fosse tão caro naquela época eu também tivesse ganhado uma caixa? Ou ganharia mais uma boneca?

    Ainda bem que eu tinha um irmão quatro anos mais novo, o que me proporcionou brincar com Legos e com carrinhos dos mais variados. Eu amava um fusquinha branco todo adesivado, daqueles de fricção. Até me arrependo um pouco de não ter “roubado” do meu irmão, porque ele era aquele menino que desmontava tudo para ver como funcionava. Não restou um brinquedo inteiro.

    Ah, ele brincava de casinha comigo também. E por que não? Crescemos com um pai que trocava nossas fraldas e fazia nosso almoço, talvez por isso eu sentia até necessidade de que a filhinha boneca tivesse um papai. O exemplo que tínhamos era de um homem que dividia os cuidados com os filhos e com a cozinha. Um exemplo muito saudável e digno para crianças reproduzirem nas brincadeiras.

    É bem mais simples do que parece. Nós adultos que pensamos demais e complicamos. As crianças só querem se divertir e imitar os pais. É doentio se preocupar em encaixá-las desde cedo em papéis de gênero que já são arcaicos.

    Brinquedos são apenas objetos lúdicos. Não determinantes de um futuro.

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