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    Jeane Bordignon

    Poderemos voltar ao normal?

    por Jeane Bordignon | Publicada em 20/04/2021 às 12h48| Atualizada em 20/04/2021 às 20h08

    Mais de um ano de pandemia e isolamento social. Todos nós estamos ansiando voltar à “vida normal”, poder sair, aglomerar, encontrar os amigos no bar, abraçar todo mundo… Muita sede de encontros e de contatos físicos.

    Mas é no mínimo ingênuo pensar que vamos voltar à vida de antes. “Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou”, já dizia o filósofo Heráclito.

    Depois de tantas vidas perdidas (e pelo andar das coisas, muitas mais se perderão), essas águas são mais concretas ainda.

    Quando pudermos voltar a reunir a família, a avó materna dos meus sobrinhos não estará aqui. O Gael e o primo Vicente, que nem nasceu ainda, só vão conhecer a vovó pelas fotos e memórias.

    Meu pai também não vai poder encontrar mais o primo Edinho, que ele viu crescer. O filho do Edinho também foi levado pela Covid, e deixou dois meninos pequenos, que terão que se tornar homens sem a presença paterna.

    Quando puder me reunir com os amigos do Gente de Palavra, a Léris não estará lá lendo seus poemas lindos e dizendo que pareço sua filha. Quando eu voltar à ir à missa, o Hugo não estará lá, do jeitinho que eu encontrava desde que éramos do Grupo de Jovens.

    A melhor amiga da minha mãe (coisa de 50 anos de amizade!) não terá mais o genro nos encontros de família, e pior, vai precisar seguir consolando os netos quando estes sentirem a falta do pai.

    Quando retornarem as novelas, não veremos Nicete Bruno nem Eduardo Galvão. Nem Gésio Amadeu e aquele sorriso inconfundível. Nem João Acaiabe. Nem Dayse Lucidi.

    Os shows do Roupa Nova podem voltar, mas para sempre incompletos sem o Paulinho. Não teremos canções e poemas novos de Aldir Blanc.

    Muitos pais continuarão com a ausência dos filhos. Tantos filhos apenas com a saudade dos pais. Dores que o tempo ameniza, mas nunca apaga.

    Mesmo entre os que resistiram ao vírus, também não haverá uma volta à realidade de antes. Já pensou em quantas pessoas você não vai querer mais olhar na cara por terem minimizado a pandemia ou se recusado a usar máscara? Daquela galera da “gripezinha”, “focinheira” e “cloroquina” é melhor continuar longe.

    O vírus escancarou o quanto nossa sociedade é egoísta e sem senso de coletividade. Não dá para simplesmente virar a página e pensar que em condições “normais” as mesmas pessoas serão “boazinhas”. Pelo menos eu não acredito nisso.

    O lado bom é que as situações-limite nos ajudam a separar o joio do trigo, as ervas daninhas daquelas que crescem para o bem. Sou do tipo que costuma dar um voto de confiança para todo mundo, mas depois da primeira pisada de bola nunca mais confia do mesmo jeito. Bem sagitariana, daquelas que procura ver o melhor de cada um. Ou procurava, porque até a mais otimista das criaturas se cansa.

    Está difícil manter a crença no ser humano, mesmo com todos os meus planetas em Sagitário e Libra. Será que eu sou sensível e empática demais, ou a maioria que é muito insensível? Com certeza tem gente que já deve estar vazia por dentro. Quem consegue organizar festas com o país nessa situação já não tem mais alma…

    O lado bom é que os abraços verdadeiros serão sentidos com mais intensidade, depois de tanto tempo de distância. Cada encontro será mais valorizado e aproveitado. Então, também por esse aspecto não será uma “volta ao normal”, mas um novo começo de vida.

    Até porque normal é coisa inventada, né, minha gente? O que é classificado como normal não necessariamente é o mais correto ou mais lógico, mas simplesmente o que foi convencionado por alguém que detinha certo poder (econômico e/ou de persuasão).

    É mais cômodo seguir os caminhos já conhecidos do que experimentar os novos. Mas agora, atravessando uma pandemia de proporções nunca antes vistas, temos que pelo menos questionar nossas certezas. Inclusive questionar os valores que regem nossa sociedade.

    Chegamos numa situação de colapso justamente porque os interesses econômicos de alguns se sobrepõe aos interesses de saúde de muitos. Ainda não tivemos um lockdown de verdade, apenas fechamento de alguns comércios e serviços para diminuir o fluxo de pessoas, enquanto quem não quer perder os lucros briga por reabertura. E nesse fecha-abre, estamos há mais de ano remando no combate à pandemia, vendo os números de mortos aumentarem a cada dia.

    A vacinação também segue lenta, com várias pausas por falta de doses. Justamente pelo fato do Brasil ser um país de dimensões continentais, uma boa logística é fundamental. Mas os governantes dessa terra nem sabem o que é isso, e povo é quem sofre.

    Nesse passo lento e descoordenado, a batalha contra o coronavírus ainda vai longe. Por enquanto, o jeito é viver um dia de cada vez, sem idealizar o amanhã. O momento é de se cuidar para ficar vivo, e conseguir chegar a um tempo mais parecido com o que um dia chamamos de normal.

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