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    Jeane Bordignon

    Ditadura nunca mais!

    por Jeane Bordignon | Publicada em 01/04/2021 às 19h04| Atualizada em 02/04/2021 às 19h02

    Escrevo essa coluna no dia 31 de março. “Aniversário” do golpe militar. Entre aspas porque não é data para se comemorar. Mas lembrar sempre, para que o futuro não repita o passado. Temos que manter essa esperança, embora o país esteja a cada dia mais entranhado numa tentativa de reviver os tempos de ditadura.

    Sinceramente, não entendo quem nega que houve uma ditadura cruel e violenta. Por mais que as versões oficiais tentem minimizar os fatos ocorridos, há muitos relatos acessíveis.

    Feliz Ano Velho, de Marcelo Rubens Paiva, não é apenas um livro autobiográfico sobre a superação de um jovem após ficar tetraplégico. Marcelo também conta sobre a prisão do pai, o deputado Rubens Paiva, que desapareceu nos porões da ditadura. Uma amiga da família, que também foi presa mas conseguiu sair, relatou ter visto Rubens desfalecido numa poça de sangue, após uma das tantas sessões de tortura. Ele nunca mais foi visto depois disso.

    Batismo de Sangue, de Frei Betto, vai além. Conta as torturas que os frades dominicanos sofreram naqueles anos, nas mãos dos militares que caçavam Carlos Marighella. Não cheguei a ler o livro ainda, mas o filme é inesquecível. E assisti aos extras do dvd: uma entrevista com os freis Betto, Fernando, Oswaldo e Ivo. Se já estava chocada com as cenas de tortura que tinha assistido, ficou gravada na minha mente a frase de um dos freis: “o que o filme mostra não é nem 10% do que passamos”. Eram cinco os frades presos e torturados. Mas Frei Tito não aguentou conviver com as memórias do sadismo do delegado Fleury, e tirou a própria vida pouco tempo depois de sair da prisão. Isso não é spoiler, é história de um país manchado de sangue.

    Aos meus amigos, de Maria Adelaide Amaral, eu li pouco depois que a obra foi adaptada para a TV (a minissérie Queridos Amigos). Os personagens podem ser fictícios, mas as histórias foram inspiradas em amigos da autora. Bia pode não ter existido de verdade, mas outras várias mulheres foram violentadas com cassetetes, e até ratos.

    O filme Zuzu Angel também é baseado numa história real. Zuzu já havia garantido seu nome na história como grande estilista. Mas ficou mais conhecida como uma incansável mãe atrás de respostas sobre o desaparecimento do filho Stuart Angel Jones após ser preso e torturado. Essa mãe incomodou tanto que acabou sendo vitimada em um suposto acidente de trânsito. Uns dias antes da morte, Zuzu deixou na casa do compositor Chico Buarque de Hollanda um documento que deveria ser publicado caso algo lhe acontecesse, em que escreveu:. "Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho".

    Chico (que precisou se exilar na Itália por alguns anos por causa da repressão), homenageou a amiga com a canção Angélica, que dentre outros versos, diz:

    “Quem é essa mulher

    Que canta sempre o mesmo arranjo

    Só queria agasalhar meu anjo

    E deixar seu corpo descansar…”

    Como Zuzu, muitas mães nunca puderam enterrar seus filhos.

    Ah, mas filmes e livros podem romancear a história… Quem pensa assim, sugiro jogar no Google “Crianças torturadas na ditadura”. Sim, crianças foram agredidas ou colocadas diante de seus pais nas sessões de tortura. O livro Infância Roubada, publicado pela Comissão da Verdade do Estado de São Paulo está disponível na íntegra aqui: http://comissaodaverdade.al.sp.gov.br/livros/infancia-roubada/ . Confesso que ainda não tive estômago para ler, só as matérias a respeito já são pesadas demais.

    Também já ouvi relatos da boca de um ex-preso político, que foi meu professor na faculdade de Jornalismo. O pau-de-arara e o eletrochoque existiram de verdade, não são exagero.

    O afogamento também. A foto acima é da peça O Amargo Santo da Purificação, da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. O espetáculo conta de forma alegórica a vida do guerrilheiro Carlos Marighella (que também foi uma vítima dos anos de chumbo). E uma das cenas simula o tal do afogamento. Mesmo sabendo que é apenas uma encenação e não há água no tonel, dá agonia de ver. Porque não tem como não pensar que muitas pessoas foram afogadas, espancadas, eletrocutadas.

    É surreal pensar que nosso país está sendo comandado por um ser que idolatra torturador. É impossível entender o que se passa na cabeça desse tipo de criatura. Mas acredito que hoje é muito mais difícil esconder as verdades como foi feito durante o regime militar. Podem censurar os veículos oficiais de comunicação, mas hoje a informação corre. Podem mandar os jornais publicarem receita de bolo, podem processar quem se posiciona, mas a gente também sabe usar as redes…

    Principalmente, sabemos usar nossas vozes, e nós, que acreditamos na democracia, continuamos lutando pelo nosso direito de dizer o que pensamos. Ditadura nunca mais! Tortura nunca mais!

    Como diz o ditado, “não há mal que sempre dure”. Novos tempos hão de chegar. Precisamos seguir acreditando, como Chico Buarque cantou naqueles tempos sofridos:

    “Apesar de você

    Amanhã há de ser

    Outro dia

    Eu pergunto a você

    Onde vai se esconder

    Da enorme euforia

    Como vai proibir

    Quando o galo insistir

    Em cantar

    Água nova brotando

    E a gente se amando

    Sem parar...”

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