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    a coluna da jeane

    Histórias de Carnaval

    por Jeane Bordignon | Publicada em 15/02/2021 às 17h29

    Quando a gente escolhe ser jornalista, imagina uma vida sem rotina… tolinhos que somos! As pautas seguem o calendário: Carnaval, volta às aulas, Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Namorados, Dia dos Pais, Dia das Crianças, Finados, Natal, Reveillon…

    Enquanto você é um ingênuo foca (gíria para jornalista iniciante), essas matérias até são divertidas. Depois fica repetitivo e enfadonho. O desafio mesmo se torna encontrar uma pauta original dentro dos assuntos de todo ano. Mesmo assim, sempre soa meio igual ao ano anterior.

    Nos meus tempos de estagiária, o que sobrou pra mim, numa terça de carnaval, foi cobrir um bailinho infantil. Fomos eu e o fotógrafo/motorista para o Clube Asa Branca, tentar conseguir alguma palavra dos pirralhos.

    Foi bem na época em que os sprays de espuma eram novidade, óbvio que as crianças estavam eufóricas com aquele troço, e eu passei o tempo todo me esquivando para não ser atingida. Meu colega, claro, se preocupava mais em proteger a câmera.

    Quase no fim da missão, ele foi tentar clicar uma menina… e a criança ficou com tanto medo do fotógrafo que se escondeu embaixo da mesa! Alguma dúvida de que voltei pro jornal rindo do colega, e contei para a redação inteira? Jornalista só finge que é sério, a gente dá é muita risada, principalmente uns dos outros. É chumbo trocado o tempo todo!

    Voltando aos carnavais, também tive meus dias de glória. Quando trabalhei num jornal do centro do Rio, tive a oportunidade de entrar no barracão da São Clemente e ver os carros alegóricos quase prontos. É mágico mesmo, algo incomparável.

    Naquele ano o tema da escola era uma homenagem a Fernando Pamplona, o cara que revolucionou o carnaval carioca. Ele foi o responsável por levar aos desfiles, pela primeira vez, a vida de uma personagem não-oficial da história do Brasil. Com a história de Zumbi dos Palmares, a Salgueiro foi a campeã daquele ano.

    Pamplona também fazia cenários para espetáculos do Theatro Municipal, e foi lá que conheceu um jovem bailarino maranhense, que se tornaria seu pupilo e depois um dos maiores carnavalescos do Rio: Joaosinho Trinta. Por causa dessa história, um dos carros da São Clemente retratava o Municipal. A alegoria ainda não estava finalizada na ocasião da minha visita, mas já era um trabalho de encher os olhos.

    Também fui a um ensaio da São Clemente, e meus amigos… por menos carnavalesca que a pessoa seja (feito eu), aquele ritmo da bateria vai entrando no teu corpo, e sem perceber você já começa a querer sambar! Não me dou bem com som alto, mas foi uma experiência que valeu a pena.

    Por mais que tenha me encantado com o barracão e o ensaio, não foi suficiente para me fazer encarar os desfiles. E eu morava pertinho do Sambódromo, dava para ouvir do apartamento os fogos antes da entrada de cada escola. Mas eu já não gostava de aglomerações, nunca gostei.

    Mesmo assim, quem resiste aos bloquinhos do Rio? No meu primeiro carnaval carioca, fui no cordão do Boi Tolo, um dos mais famosos do centro. Mas confesso que fiquei “comendo pelas beiradas”, evitando o meio da multidão. Fico sufocada, coisas da ansiedade. Do meu jeito, me diverti.

    Noutro ano, encarei um pouquinho do Toca Raul, um bloco que toca só músicas do Raul Seixas em ritmo de carnaval. E o resultado é bem divertido! Até consegui dançar um pouco. Depois fiquei um pouco afastada, curtindo a música e apreciando as fantasias.

    Ah, as fantasias! Nos dias de folia você vê de tudo um pouco nas ruas do Rio. De personagens tradicionais, heróis, princesas… até memes recentes. A criatividade do povo é uma das melhores coisas do carnaval carioca.

    Nos últimos anos eu estava em Madureira. A quadra da Império Serrano fica colada em uma das estações de trem do bairro, então em época de ensaio não tinha como não ouvir o samba. O melhor foi em 2019, quando a escola usou a música “O que é, o que é?”, do eterno Gonzaguinha.

    A Império fica numa ponta da passarela da estação, e eu morava do outro lado. Quando passei pela quadra e ouvi “Eu fico com a pureza da resposta das crianças, é a vida, é bonita e é bonita...”, junto com a batida da bateria, foi de emocionar! E segui pela passarela cantando junto, sentindo a pulsação daquele samba.

    Mas a figura típica do carnaval do subúrbio é o bate-bola. Nas semanas que antecedem o carnaval, as fantasias coloridas e as bolas com corda trançada estão à venda nas calçadas (não conheço muito dos outros bairros, mas Madureira é quase sinônimo de comércio de calçada). Como é um trabalho artesanal, claro que me chamava atenção. E também porque as roupas e máscara são inspiradas nas vestimentas de palhaços, uma arte que amo e admiro.

    Sei que os bate-bolas são uma tradição que passa de pai para filho, mas para explicar melhor essas figuras e sua relevância, vou copiar um trecho de uma matéria de Davi Ferreira para a Associação Nacional de Favelas (ANF):

    “Eles são palhaços com rostos diabólicos, mas vestidos delicadamente com volumosos macacões de cetim, luvas, meias e penas coloridas, e casacas com desenhos infantis feitos a mão e cheios de glitter. Amarrados a uma tradição de mais de 80 anos, que é Patrimônio Cultural Carioca, desde 2012, os também chamados clóvis (uma evolução da palavra inglesa ”clown”, que significa palhaço), passam o ano inteiro costurando suas próprias fantasias, longe do sambódromo e fora do sinal das transmissões oficiais de televisão.

    As origens dessa tradição passam pela influência da colonização portuguesa, da folia de reis, dos bailes de máscaras franceses e de elementos das festas medievais europeias. Muitos também contam que escravos libertos, perseguidos injustamente pela polícia, vestiam as fantasias para poder brincar livremente o carnaval e, usar o bate-bola para protestar contra a opressão.”

    Quem quiser saber mais sobre esses personagens e ver fotos, vale conferir no site da ANF (que faz um grande trabalho no Rio): https://anf.org.br/bate-bolas-tradicao-e-identidade/

    Apesar de não ser quase nada carnavalesca, reconheço que é uma festa cheia de criatividade e alegria. E de liberdade. Bom seria se as pessoas se permitissem serem livres o ano inteiro, não apenas por uma semana.

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