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    jeane bordignon

    Questões de fé

    por Jeane Bordignon | Publicada em 10/05/2022 às 11h37

    Penso que meu primeiro exemplo de ecumenismo foi minha avó paterna. A Vó Rosa era neta de alemães e acredito que tenha sido criada na fé protestante, pois me contava que leu a Bíblia pela primeira vez na língua alemã. Mas ela casou com meu avô na igreja católica, batizou os filhos, embora não fosse praticante.

    Nos anos 80/90, quando eu era criança, vó Rosa frequentava as reuniões do Seicho-no-ie, e levava para casa as revistas dessa filosofia. A menina esquisita aqui várias vezes ficava no quartinho lendo os textos dos pensadores orientais em vez de brincar com os primos no pátio. Quando os missionários Testemunhas de Jeová batiam na porta oferecendo livros, meu avô comprava, e minha avó também lia. Minha mãe, católica fervorosa, presenteou a sogra com uma bíblia de sua fé, e vó Rosa também recebeu de coração aberto.

    Quando meu avô faleceu, minhas tias passaram a levar a vó em um centro espírita e deram O Livro dos Espíritos e O Evangelho Segundo Espiritismo, que foram igualmente acolhidos. Ela absorvia todas as mensagens de fé, não importava de onde vinham. E foi assim até sua partida, aos 91 anos.

    A outra vó, Elza, era católica master. Daquelas que tinha altar em casa, com um Cristo que parecia quase do meu tamanho (hoje essa imagem está aqui em casa e eu medi: tem 50 cm. Mas de cima da cômoda, diante do toco de gente que eu era, parecia enorme). Vó Elza fazia parte do Apostolado da Oração e era zeladora de capelinha. Logo, minha mãe também aprendeu a ser muito católica e me criou do mesmo jeito.

    Até certa idade, ir a missa todo sábado não era uma escolha, mas algo que fazia parte da minha rotina desde sempre. Fiz Primeira Comunhão, Crisma, depois entrei para o Grupo de Jovens… era uma adolescente bem católica. Até que a vida adulta foi se aproximando e meu olhar ficando mais crítico. Ao mesmo tempo em que percebia que o Pai Nosso de muitos só valia para quem lhes convinha, fui me abrindo cada vez mais a conhecer outras formas de fé.

    Havia um senhor em situação de rua aqui no bairro há muitos anos. Ele costumava entrar na igreja durante a missa e ir para perto do altar, observava um pouco, depois ia embora. De vez em quando, alguém o levava para tomar banho e cortar os cabelos, mas na maioria das vezes, o homem estava malcheiroso, com as roupas imundas. E foi uma das minhas maiores decepções dentro da igreja ver alguns dos fiéis mais fervorosos torcendo o nariz para a presença daquele maltrapilho. Uma atitude que vai totalmente ao contrário das palavras de Jesus. Situações assim foram me distanciando da igreja católica.

    Lá pelos 20 e poucos anos, uma amiga me convidou para ir a um centro espírita. Assisti a palestra, tomei passe e ouvi coisas importantes de uma médium. Senti-me acolhida, até pensei em frequentar, cheguei a começar o ler os livros de Kardec... mas a rotina da vida adulta falou mais alto.

    Ou talvez eu já estivesse entendendo o que sinto hoje: que não preciso seguir uma religião específica. Acredito em Deus, em uma energia maior do que nós, e acho que cada um tem sua forma de acreditar. E também penso que tudo que faz bem pode ser agregado, que uma expressão de fé não precisa excluir a outra.

    Já li bastante sobre as deusas celtas e sobre os orixás africanos, e me encanta a força dos arquétipos que são representados por essas divindades. Também a maneira como cada um nos ensina mais sobre nós mesmos e sobre nossa conexão com a natureza.

    Estudei um pouco de cabala e logo em seguida casei com um judeu, o que me levou a participar de algumas celebrações de Pessah (Páscoa) e Rosh Hashaná (Ano-novo). Conheci uma sinagoga e algumas tradições. Na nossa casa, a Torá e a Bíblia ficavam juntas.

    Já li sobre a vida de Buda. Estudei Filosofia Hermética do Antigo Egito. Tentei entender um pouco de bruxaria celta. Fui em gira de umbanda e consultei os búzios (sou filha de Iemanjá e Oxalá). E adoro um tarô.

    Na minha estante, Nossa Senhora das Graças e Iemanjá convivem tranquilamente. Também tenho meus cristais, incensos, anjos, alguns amuletos trazidos pela vida… Ouço tanto músicas do padre Fábio de Melo quanto pontos de umbanda. Ou, às vezes, uns mantras.

    E eventualmente ainda vou à missa. Porque não reneguei a igreja, apenas busquei outras formas de enxergar a espiritualidade. Minha fé é uma construção constante, de coração sempre aberto. Acho que sou como a vó Rosa.

    Tem um pequeno poema do mestre Mario Quintana que resume bem essa questão:

     

    DOGMA E RITUAL

    Os dogmas assustam como trovões

    e que medo de errar a sequência de ritos!

    Em compensação,

    Deus é mais simples do que as religiões.

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