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GRAVATAÍ, 04/12/2021

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    jeane bordignon

    O Sarau do Clube está de volta em Gravataí!

    por Jeane Bordignon | Publicada em 22/11/2021 às 12h24| Atualizada em 29/11/2021 às 15h27

    Quem conheceu o seu Edílio Fonseca sabe que não é exagero meu: ele tratava como um templo aquela casinha em seu pátio, construída para ser o auditório do Clube Literário de Gravataí. Tive a oportunidade de conhecer o espaço pelas mãos do próprio Edílio, numa tarde em que fui entrevistá-lo sobre as memórias dos blocos de carnaval da Aldeia. Já em idade avançada, o escritor quis me mostrar o auditório do clube, com muito orgulho.

    Algum tempo depois, voltei à casinha para o lançamento do Xucra Tropilha, último livro que publicou em vida. Aquela noite só reforçou a impressão da grandeza que o Clube e sua sede tinham para seu Edílio. Logo ele se tornaria espírito de luz e memória inquestionável da cultura gravataiense.

    Minha história com o Clube Literário também teve alguns capítulos escritos na sede do Correio de Gravataí, lá na parada 63. Depois da primeira vez que atendi o Borges Netto, que procurava o jornal para divulgar mais um de seus livros, posso dizer que estabelecemos uma parceria. Além de me procurar nos próprios lançamentos, ele me enviava os outros autores do Clube que estavam publicando.

    Nem sei quantos livros divulguei no jornal, mas foi assim que conheci a Maria Izabel, a Diovana, e um dia fui ao sarau, onde pela primeira vez, me tremendo toda, disse um poema meu em público! E reencontrei a Isab-el e a Denise, que já conhecia de outras matérias, fiz outras amizades… Como o Círio de Melo (e sua inesquecível declamação do “Poema Matemático” de Millor Fernandes).

    Isso foi lá por 2004 ou 2005. Mas o Clube começou alguns anos antes, no segundo sábado de junho de 1998, unindo forças para o lançamento do livro Meu Eu, de Tami Caureo. Borges foi o presidente fundador, e Edílio Fonseca, o vice. No início, os encontros eram itinerantes, cada reunião na casa de um integrante. Depois passaram a acontecer na capela Santa Cruz, aquela capelinha histórica perto do Colégio Barbosa Rodrigues. Na sequência, Regina Fonseca, esposa de Edílio, cedeu a sala de casa para os saraus.

    A sala foi ficando pequena, e ali começou a mobilização para que se construísse um auditório nos fundos da casa. Por meio de doações e rifas, a casinha foi sendo erguida. Assim nasceu o auditório Edílio Fonseca, que foi sede do Clube até um ano após a passagem do poeta para outro plano. (Eu voltaria a frequentar aquele espaço mais tarde, como sede da AGIR, onde Denise e Max colocaram muitas ideias em prática e encheram de cor, mas isso é assunto para outra coluna).

    Lembro também de ir em alguns saraus na cafeteria do SESC, e claro, de passar na banca do Clube na nossa Feira do Livro para bater aquele papo com os amigos e ver mais capas feitas pela querida Medonha. Sei que foram muitas. Tenho aqui um livro do Borges e dois do seu Edílio com capas da Denise. Ainda é estranho não ter sua presença física nos eventos culturais da aldeia. Mas acredito que de alguma forma ela estará sempre conosco.

    A pandemia também interrompeu os encontros presenciais do Clube Literário. Foi necessário preservarmos a vida em primeiro lugar. Agora que a maioria da população já recebeu as duas doses da vacina, chegou a hora de retomar os saraus (com todos os cuidados sanitários)! E vai ser neste sábado, dia 27, das 18h às 19h30, na AmoLivros, nova livraria de Gravataí.

    Esse também vai ser o primeiro sarau da nova diretoria, que tem à frente a professora e escritora Ângela Maria Xavier Freitas e como vice meu colega de profissão Cláudio Wurlitzer. Essa nova gestão vem trazendo, dentre outras coisas, iniciativas baseadas em uma maior interação digital com a sociedade gravataiense, nunca esquecendo do comprometimento com as novas gerações. Pensando na adaptação aos novos tempos, serão desenvolvidos projetos na valorização da escrita local e aproximando-se das escolas.

    – É indispensável afirmar que tudo isso só será possível, mediante a experiência e a competência que durante muito tempo caracterizou o Clube Literário de Gravataí. Existe uma força-tarefa, envolvendo a experiência de carimbados escritores e a boa vontade de uma nova safra que vem chegando… – ressalta a diretoria.

    Os primeiros passos desses novos tempos já se percebem nas redes sociais do Clube, que estão mais ativas. E fica o convite para curtir a página Clube Literário de Gravataí no Facebook e seguir o @ClubeLiteráriodeGravataí no Instagram, porque muitas novidades vão aparecer por lá. E também as informações sobre os saraus.

    O evento deste sábado também será meu primeiro sarau presencial depois desse tempo todo de recolhimento devido à pandemia. E após o retorno à aldeia. Tem como não criar expectativa? Ainda mais com a certeza de que será apenas o começo de muitas coisas que faremos juntos, porque tenho trocado muitas ideias com Ângela, mais uma amizade que a arte me trouxe e que estou adorando nossas trocas.

    Será com certeza uma alegria fazer parte desse recomeço e reencontrar os amigos escritores. O Waldemar Max também estará lá, mostrando comigo um gostinho do nosso Contatos Imediatos. Porque como bem diz a poesia, “tudo é uma única rede”. E todos juntos nos fortalecemos e fazemos mais forte a cultura da nossa cidade. Sigamos ampliando essa rede!

     

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