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    jeane bordignon

    Saúde mental precisa de atenção o ano inteiro

    por Jeane Bordignon | Publicada em 08/09/2021 às 18h29

    Começou setembro e nossas redes já estão cheias de mensagens com fundo amarelo e frases de força, empatia, olhar para a dor do próximo. É importantíssimo chamar a atenção para as questões de saúde mental que cada vez mais atropelam a vida das pessoas. Mas quando setembro acaba, as dores não deixam de existir.

    Não consigo aceitar que um país que teve Nise da Silveira e Juliano Moreira ainda seja tão atrasado no tratamento às pessoas com sofrimento mental. Podemos dividir a história da saúde mental no Brasil entre antes e depois de Nise. Uma mulher que trouxe o olhar para os seres humanos além da doença, que entendia a importância da acolhida e do respeito ao paciente, que ela preferia chamar cliente. No entendimento da médica, os profissionais é que precisavam ser pacientes.

    No lugar de eletrochoques, contenção física e excesso de remédios, Nise tratava com oficinas de arte e animais-terapeutas. Entendia seus clientes como pessoas que se comunicavam de forma diferente, mas que como qualquer pessoa queriam ser ouvidas. Às vezes eles não sabiam dizer em palavras, mas expressavam nos papéis e telas. E Nise tinha sensibilidade para buscar entender as mensagens.

    Juliano Moreira é considerado o fundador da disciplina psiquiátrica no Brasil. Psiquiatra negro, lutou contra teses racistas que relacionavam a miscigenação a doenças mentais no Brasil. E assim como Nise, também trouxe um tratamento mais humano aos seus pacientes, abolindo camisas de força e retirando grades das janelas quando assumiu o Hospício Nacional de Alienados, no Rio de Janeiro. Também implantou lá oficinas de trabalhos manuais e artes, e instalou uma biblioteca.

    Na luta contra a corrente que ligava as questões raciais à maior incidência de transtornos psicológicos, Moreira também defendeu a idéia de que a origem das doenças mentais se devia a fatores físicos e situacionais, como a falta de higiene e falta de acesso à educação. Hoje é cada vez mais nítido que a linha de pensamento do médico estava correta. Basta um pouco de empatia para entender que quando falta o básico para viver, é difícil manter a saúde mental.

    E nesses tempos de isolamento social, desemprego, preços das coisas básicas em alta, desgoverno… quem está bem? Fico desconfiada de quem responder afirmativamente a essa questão. É cruel ter que escolher entre comprar comida ou fazer terapia. A vida parece que virou uma grande prova de resistência, sem prêmio em dinheiro no final.

    O que nos faz seguir em frente? Acho que são as pessoas que amamos. Como diz aquele trecho do Ernest Hemingway que já compartilhei algumas vezes nas minhas redes:

    “Quem estará nas trincheiras ao teu lado?

    ‐ E isso importa?

    ‐ Mais do que a própria guerra.”

    Então mais do que nunca precisamos acolher uns aos outros. Não podemos abraçar ainda, mas podemos ouvir. Sem julgar. Repito: sem julgar. Cada um tem a sua história, os seus limites, os seus pontos mais doloridos. O que pode ser leve de enfrentar para uma pessoa, pode ser paralisante para outra. E ninguém é melhor ou pior por isso.

    Então, o exercício para o Setembro Amarelo, e todos os outros meses e cores, é principalmente a escuta sem julgamentos. Acolher o ser humano por baixo da dor. Se você não sabe o que dizer, não precisa. Apenas esteja disponível a ouvir seu amigo.

    Para encerrar, duas dicas de filmes que acho que todo mundo deveria assistir.

     

    “Nise: O Coração da Loucura”, estrelado por Glória Pires, conta a revolução que a psiquiatra Nise da Silveira causou no Hospital do Engenho de Dentro (e por consequência, na medicina psiquiátrica).

     

    “O Solista”, adaptação do livro do jornalista Steve Lopez, traz a história da amizade dele com o músico Nathaniel Ayers, que tocava um violino com apenas duas cordas nas ruas de Los Angeles. Uma história real que nos ensina muito sobre a importância da acolhida à pessoa com transtorno mental e de ter sensibilidade ao que ela deseja, que não necessariamente é o que achamos melhor ofertar. Acolher passa por tentar compreender o mundo do outro, ao invés de forçá-lo a se encaixar no nosso. (A propósito, também li o livro e recomendo muito.)

     

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