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    jeane bordignon

    Eduardo Leite no Palácio Piratini | Foto FELIPE DALLA VALLE | Palácio Piratini

    Governadores, armários e salários

    por Jeane Bordignon | Publicada em 06/07/2021 às 13h56| Atualizada em 12/07/2021 às 10h10

    Estava planejando escrever sobre o frio absurdo que fez na última semana, mas não deu pra ignorar a declaração do governador aqui do estado, que se tornou assunto quente nas redes sociais e portais de notícia. Não que a “saída do armário” tenha sido surpresa. Mas é relevante o fato do líder de um dos estados mais homofóbicos e conservadores ter a coragem a afirmar sua homossexualidade em rede nacional.

    Penso que o ato foi mais importante por essa característica da região do que pela pessoa do Eduardo Leite mesmo. Porque também não dá pra ignorar as escolhas políticas do “bonitinho mas ordinário”, alcunha que atribuo a ele desde aquela história cruel dos exames preventivos de colo do útero. Só por essa situação que prejudicou muitas mulheres, ele já seria uma pessoa duvidosa. Mas para piorar, já apoiou o genocida várias vezes.

    Realmente não entendo o gay que apoia um sujeito que declara abertamente sua homofobia. É tipo cachorro apoiando a carrocinha que leva para a fábrica de sabão. Não tenho estômago nem pra tentar entender.

    Pegando um outro rumo dessa história, ver o governador sendo assunto abriu uma porta da minha memória. Como filha de uma professora concursada do Estado e militante, desde sempre ouvi minha mãe falar (reclamar, na verdade) da forma como os chefes do Executivo estadual tratavam o funcionalismo.

    A história da greve de 1987 é quase uma lenda aqui em casa. Foi a maior greve do magistério estadual. Os professores acampavam em frente ao Palácio Piratini e faziam barulho com suas sinetas (minha mãe guarda a dela até hoje como relíquia). “Simon, Simon, tu vais ouvir o nosso som”, dizia um dos gritos de guerra.

    Fizeram até um jornalzinho com letras de paródias para serem cantadas durante a vigília. Lembro de “Boi, boi, boi da cara preta, pega o Simon, que tem medo de sineta” e “O professor como está? Tá com a corda no pescoço!”. A segunda não tenho certeza se era assim mesmo, mas achava divertido aquele folheto. Eu era apenas uma criança na época da greve. Minha mãe que sempre contou com mágoa que num certo dia o governador Simon mandou a polícia soltar os cachorros em cima dos professores. Como se os educadores fossem bandidos.

    Depois veio o Alceu Collares, que tentou dificultar todas as possibilidades de aumento nos salários dos professores. E ainda debochou dizendo: “As professorinhas querem ganhar mais do que um salário-mínimo…”. Durante anos, vi minha mãe lembrar dessa frase como quem recorda de algo atravessado na garganta.

    Antônio Britto foi melhor? Não mesmo. Mais quatro anos de arrocho na remuneração do funcionalismo. E o Britto ainda iludiu os professores, aprovando um aumento que nunca pagou. A mãe e suas colegas precisaram entrar na justiça para reivindicar esse valor. O processo se arrastou por tantos anos que, quando finalmente ela recebeu os retroativos, nem pôde aproveitar o dinheiro, porque a vó já havia desenvolvido Alzheimer e precisando de muitos cuidados, além de recentemente ter passado por uma internação hospitalar. Quem já teve um familiar adoecido, sabe que os gastos são muitos.

    Não é puxa-saquismo de quem nasceu em família esquerdista, mas os governos de Olívio Dutra e Tarso Genro foram tempos de mais esperança para o funcionalismo. Pelo menos eles tentaram dar os aumentos justos, mas nunca foi fácil, por lidarem com dívidas e contratos de administrações anteriores.

    Rigotto e Yeda também dificultaram bastante pro funcionalismo, mas confesso que na época eu não estava muito atenta a essas questões. A sensação que tenho é que foram mais do mesmo: aqueles governos em que os professores parecem estar mendigando por algo que lhes é de direito: uma remuneração justa e à altura da importância do ofício de educar.

    Porém, se a gente pensou que não iria piorar… veio o gringo Sartori e humilhação aumentou. Dá até raiva lembrar que minha mãe e tantos professores passaram os últimos anos recebendo seus salários parcelados, às migalhas. Quando o governo do RJ começou a parcelar salários, eu comentava com os amigos: “Ih, no RS já faz tempo que está assim…”.

     

    Pelo menos um mérito o Eduardo Leite tem: conseguiu colocar os pagamentos em dia. Mas isso não foi mais do que a obrigação de governante. Esse é o nível da história do funcionalismo gaúcho: tantos anos de humilhação que quando o governador faz o básico, até parece que foi uma coisa boa. Mas minha mãe não sorriu quando viu o salário inteiro no contracheque depois de anos. Quase 50 anos de decepções não se apagam com um simples ajuste ao caminho certo.

    O Leite almeja ser presidente do Brasil. Será que consegue? Não sei se podemos dizer que a eleição ao governo do RS foi exatamente uma vitória, porque o povo teve que escolher o “menos pior”: o Leite dos exames preventivos falsos ou o Sartori dos salários parcelados e outras péssimas ações no governo. Até me lembra uma frase que ouvi de um senhor a respeito de uma eleição de Gravataí: “Os candidatos eram três cocôs, votei no que fedia menos.” (E não dá pra aplicar essa frase a várias eleições?)

    Pois então, se alguém ainda não percebeu, a “escancarada de armário” do Leite no programa do Bial foi estratégica, mirando a uma futura campanha presidencial. Antes que usem a homossexualidade dele como ponto negativo, ele assume e o faz com postura de bom moço. Quando tempo até Leite ser o exemplo de gay “aceitável” pela “tradicional família brasileira”? Aquele que não dá pinta, se comporta “como homem”, se veste “como homem”, não chama a atenção, é discreto? Que não afronta os “cidadãos de bem”?

    Duvido que o Leite não desce até o chão quando toca Glória Groove e se joga na coreô ao ouvir Lady Gaga… Mas desde que “não faça diante de nossas crianças”, tudo certo? Eu, hein… Sempre vou achar que errado está quem vê problema no amor e na alegria. Recomendo terapia!

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