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GRAVATAÍ, 22/06/2021

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    crise do coronavírus

    Construtor de caixão em foto na reportagem do New York Times sobre Grande Porto Alegre ter sido epicentro de mortes em março

    A virulência da COVID em Gravataí: O mês que teve mais mortes que nascimentos

    por Rafael Martinelli | Publicada em 10/04/2021 às 11h24| Atualizada em 03/05/2021 às 19h56

    Gravataí está entre as cidades brasileiras que, de forma inédita, registraram mais óbitos do que nascimentos em março de 2021. Cachoeirinha chegou perto do recorde negativo. É o efeito letal do pior mês da pandemia da COVID-19, que tratei em Março de Gravataí teve 4 a cada 10 mortes de 1 ano de pandemia; Última vítima tinha 14 anos e se repetiu também em 12 das 50 cidades com mais de 500.000 habitantes do país. Isso nunca aconteceu na história da aldeia.

    O Seguinte: analisou os dados a partir do Portal da Transparência do Registro Civil do Brasil após o alerta do neurocientista Miguel Nicolelis, que antecipou o risco de inversão das curvas de natalidade e mortalidade no Brasil, o que tratei em Gravataí e Cachoeirinha: vamos morrer rezando, indo a praia e mandando os filhos às aulas?.

    Gravataí registrou 289 nascimentos e 356 mortes em março de 2021. Para efeitos de comparação, no mesmo mês do ano passado foram registrados 194 nascimentos e 108 óbitos. A virulência da COVID em março de 2021 é evidenciada também na comparação com janeiro – 217 nascimentos e 159 óbitos – e fevereiro, com 227 nascimentos e 150 óbitos.

    Em Cachoeirinha, março teve 173 nascimentos e 166 óbitos. No mesmo mês do ano passado foram 128 nascimentos e 44 óbitos. Em 2021, janeiro teve 159 nascimentos e 67 óbitos e fevereiro 137 nascimentos e 63 óbitos.

    Conforme pesquisou o El País, em março do ano passado apenas um município havia alcançado esta proporção. Reportagem observa que, nas últimas décadas, a diferença entre nascimentos e óbitos já vinha caindo gradualmente no Brasil, mas o excesso de mortes durante a pandemia está acelerando o encontro destas duas curvas, algo que o IBGE projetava que deveria acontecer apenas daqui a mais de duas décadas, em 2047.

    O elevado volume de mortes tem preocupado especialistas, que estimam que em abril o país como um todo poderá já alcançar uma marca inédita: a de registrar mais mortes que nascimentos em um mês, caso permaneçam elevadas as taxas de óbitos e de novas infecções pela COVID-19 observadas no país.

    A pesquisa identificou que em 24% dos municípios, ambas as curvas já haviam se cruzado. Os dados incluem mortes por todas as causas e ainda são preliminares. Há um prazo médio de dez dias para que os óbitos e nascimentos sejam registrados nos cartórios e para que as informações sejam colocadas no sistema. Mas são mais um indicador do dramático excesso de mortes causadas pela pandemia, que já impactam os dados demográficos das cidades brasileiras.

    – É uma coisa inédita. A gente nunca teve isto de registrar mais óbitos que nascimentos – disse à reportagem Márcia Castro, professora de demografia.

    A integrante do Centro de Estudos para População e Desenvolvimento de Harvard disse que no ano passado era difícil imaginar um cenário como este para o Brasil, mas a segunda onda da pandemia associada à ausência de medidas de mitigação tem demonstrado que poderá acontecer em breve.

    – A gente nunca tinha visto um crescimento de mortes deste jeito. Quanto mais detalhado pelos municípios, você começa a ver as discrepâncias diretamente relacionadas ao grande excesso de mortalidade da pandemia.

    O alerta da reportagem é que a situação mais emblemática resta em Porto Alegre. No mês passado, a capital do Rio Grande do Sul registrou 3.221 mortes para 1.509 nascimentos. O Estado também registrou déficit demográfico. Enquanto 11.971 bebês foram registrados, os cartórios emitiram 15.802 certidões de óbitos naquele mês, 48% delas causadas comprovadamente pela covid-19. O número de óbitos por covid-19 notificados em março é quatro vezes maior do que o de fevereiro, quando a doença levou embora 1.943 vidas, informa a repórter Naira Hofmeister.

    Ao fim, impopular como quase sempre é a realidade, reproduzo a mesma conclusão do artigo de ontem 50 tons de cinza: Gravataí e Cachoeirinha reabrem comércio no fim de semana; O ’Efeito Páscoa’ fica para semana que vem:, quando foram anunciadas flexibilizações no comércio essencial e não essencial da Grande Porto Alegre e de todo RS, antes mesmo de esperar o ‘Efeito Páscoa’, e já com sinais de ‘normalidade’ cometidos por políticos aglomerados em fotos:

     

    “...

    Chama atenção nota publicada no site do Governo do Estado que informa que “o Comitê de Dados, que monitora diariamente os boletins de casos e de internações, ainda aguarda o decorrer da próxima semana para avaliar os efeitos do feriado de Páscoa”.

    Alertei para isso ontem, quando apresentei nossa ‘ideologia dos números’ de abril em Lockdown deu certo: Araraquara tem 2 dias sem mortes, Gravataí tem 5 a cada 24 horas; O efeito Páscoa e a UTI só em hospital militar.

    Entendo os danos do contágio econômico nos mais diversos setores, mas reputo ilógico já flexibilizar tanto antes de medir os impactos do primeiro feriadão após o colapso no sistema de saúde.

    Não sou refém de uma ideia, mesmo que, como demonstro no artigo acima, o lockdown funcione e zere mortes. O que espero é que os indicadores não piorem; mas, antes da flexibilização, aguardaria para ver se o efeito da Páscoa não vai ressuscitar o colapso.

    Como ficou, resta torcer que não estejamos frente a mais um abre-e-fecha, e a mais uma corrida para disponibilizar leitos ou atendimentos precários em cadeiras, porque, na prática, a estratégia dos governos brasileiros tem sido essa, de atacar mais consequências do que causas.

    Como um Dr. Stockmann, de Um Inimigo do Povo, de Ibsen, não consigo compartilhar do pensamento de que se tivemos uma média diária de 6,5 vidas perdidas em março, e agora temos 5 a cada 24h, vamos ‘abrir a bodega’.

    ...”

     

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