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    crise do coronavírus

    Por que não se usa luva ao vacinar contra COVID; As poucas doses, Gravataí, Cachoeirinha e a ’casa da tua mãe’

    por Rafael Martinelli | Publicada em 04/03/2021 às 15h18| Atualizada em 15/03/2021 às 18h20

    A cada foto que publico da campanha de vacinação contra a COVID-19 alguém critica o não uso de luvas por vacinadores. Busquei a explicação e, ao fim, em mais um dos Grandes Lances dos Piores Momentos, faço um balanço da vacinação em Gravataí e Cachoeirinha.

    – Não se utiliza luvas em vacinação. A recomendação é lavar as mãos a cada vacina ou usar álcool gel. Isso já é suficiente para não contaminar paciente ou profissional de saúde. O risco de contágio é maior com a troca de luvas, que são limpas, mas não estéreis – explica Roberto Opitz Gomes, 12 anos de experiência como enfermeiro formado pela UFRGS e pós graduado em Saúde da Família e Comunidade pelo Grupo Hospitalar conceição

    – Temos um exercício simples para isso: pega as mãos e passa tinta, que representa o coronavírus e lava que a tinta vai sair. Agora, com a mesma tinta, tenta retirar de dentro da caixa de luva um par sem tocar nas outras. A tinta vai marcar várias luvas e contaminar o processo – ensina o enfermeiro, que explica que a recomendação é o uso de máscara (trocada a cada duas horas), protetor facial (face shield) ou óculos de proteção.

    – Luvas só com indicações específicas, como vacinadores com lesões cutâneas, presença de lesão no local de aplicação ou nas raras situações que envolvam contato com fluidos corporais do paciente. Se usadas, devem ser trocadas entre os pacientes, associadas à adequada higienização das mãos – conclui, remetendo a normas técnicas dos conselhos regionais de enfermagem.

    Ao fim, copie e cole este artigo para que o Grande Tribunal das Redes Sociais não transforme em vilões esses heróis da linha de frente da luta contra a COVID-19.

    Concluo com um balanço nada animador.

    Gravataí e Cachoeirinha receberam juntas cerca de 20 mil doses de vacinas e aplicaram cerca de 60% em profissionais de saúde e idosos acima de 80 anos, grupo para o qual a vacinação segue aberta e agora chega aos com mais de 77.

    São poucas doses, da CoronaVac e Oxford, frente a um público estimado de quase 50 mil pessoas.

    – Tem idiota que a gente vê nas redes sociais, na imprensa, [dizendo] 'vai comprar vacina'. Só se for na casa da tua mãe. Não tem [vacina] para vender no mundo – foi a explicação que deu nesta tarde, em Urberlândia (MG), o presidente da República Jair Bolsonaro, em mais um dos Grandes Lances dos Piores Momentos.

    Aposta na inesquecível falta de memória dos brasileiros de lembrar que foi ele a resistir à compra de vacinas contra a COVID.

    Ou foi a mãe de alguém que proibiu a aquisição da CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan e hoje usada no programa nacional de imunização; rejeitou uma oferta de venda da Pfizer feita em setembro do ano passado e agora negociada mais cara, ou então vetou trecho de medida provisória proposta aprovada pelo Congresso que permitia a estados e municípios adotar medidas de imunização em caso de omissão do governo federal?

    É, como diz o Fraga, colunista do Seguinte:, nosso deprimente da república.

    No pior país na condução da pandemia, agradeça quem não perder a mãe – e/ou a casa.

     

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