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    crise do coronavírus

    Prefeitura e Santa Casa abriram 67 leitos em 10 dias e já estão lotados no pior momento da pandemia

    Quatro vezes mais vidas perdidas, 5 infectados por hora e 73 na fila por leitos em Gravataí; Lockdown ou festas e compras em Hiroshima

    por Rafael Martinelli | Publicada em 02/03/2021 às 13h22| Atualizada em 08/03/2021 às 18h18

    Março começa com uma média de vidas perdidas e um contágio quatro vezes maior do que em dezembro. Nos últimos 30 dias foram 3 mortes a cada 24h e mais de 5 infectados por hora em Gravataí.

    Para fazer o cálculo esperei até esta terça, dia 2, para fechar 30 dias e comparar os 13.844 infectados e 319 óbitos com os dados de fevereiro, janeiro e dezembro.

    É a ‘ideologia dos números’ e dos pacientes em macas, cadeiras de rodas, deitados no chão ou escorados nas paredes do Hospital de Campanha ou do Dom João Becker/Santa Casa.

    As UTIs e leitos covid e não covid passaram de lotadas para superlotadas. Enquanto você lê este artigo, as UTIs covid e não covid não comportam mais pacientes com necessidade de oxigênio e há 47 pacientes na fila por leitos covid e 26 para não covid.

    O governo Luiz Zaffalon e a Santa Casa abriram 67 leitos nos últimos 10 dias, mas os indicadores já mostram ocupação de 105% nas UTIs covid e de 242.4% nos leitos de internação covid.

    O Rio Grande do Sul vive o pior momento da pandemia e está com o sistema de saúde à beira do colapso: 97,8% das 2.762 vagas em UTIs estavam em uso nesta segunda-feira, mais da metade por pacientes com coronavírus, segundo dados do Palácio Piratini.

    Conforme reportagem de GZH, as restrições trazidas pela bandeira preta em todo o Rio Grande do Sul desde o último sábado, e que devem durar até 7 de março, poderão refletir em alívio no sistema de saúde somente a partir da terceira semana de março, segundo epidemiologistas.

    O prazo é projetado com base na estimativa de que as próximas duas semanas ainda registrem atendimento a pessoas já adoecidas e aos que eventualmente forem infectados nos primeiros sete dias de março (caso, por exemplo, de familiares que dividem a residência com uma pessoa recém-contaminada).

    Ao fim, o lockdown gaudério de bandeira preta acinzentada é o mínimo para o momento, apesar da inegável tragédia econômica.

    É infantil achar que resolve alguma coisa culpar Páscoa, Dia das Crianças, Eleições, Natal, Ano Novo, Carnaval, a praia e a festa clandestina, ou então cobrar curandeirismos como cloroquina, e fazer negar a necessidade de circular o menos que puder.

    Médicos já estão escolhendo quem atender.

    E, como bem explicou Alessandro Lindner, médico que é diretor técnico da Secretaria Municipal da Saúde, não se ouve os pecados de quem chega sem ar ao hospital – seja jovem ou idoso.

    É uma escolha que os profissionais da saúde levam para a vida: quem vive ou morre.

    Aos negacionistas e covidiotas, desinformados ou informados do mal, apelo ao desabafo feito nesta segunda pelo médico Fabiano Nagel, chefe da Unidade de Gestão de Paciente Crítico do Hospital de Clínica:

    – Quando vemos um paciente se despedir do familiar ao telefone, todos morremos um pouquinho.

    Reputo não é hora para festas ou compras em Hiroshima.

    Estamos em guerra.

     

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