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GRAVATAÍ, 19/10/2021

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    crise do coronavírus

    Gravataí recebeu apenas 2.946 doses da Coronavac até a última sexta

    Gravataí sob suspeita de ’fura-fila’ na vacinação contra COVID 19; O homicídio moral

    por Rafael Martinelli | Publicada em 31/01/2021 às 20h56| Atualizada em 17/02/2021 às 13h16

    Assim que a RBS noticiou que Gravataí estava entre as cidades com cidades com maior número de denúncias por suspeita de ‘fura-fila’ na vacinação contra a COVID-19, um surpreso prefeito Luiz Zaffalon ligou para o secretário da Saúde. O sentimento de Régis Fonseca era o mesmo.

    – Estamos vacinando os grupos de acordo com o que foi estabelecido pelo plano nacional de vacinação, de forma criteriosa e responsável. Se houver denúncia, de maneira formal e objetiva, iremos apurar e tomar as providências cabíveis.

    Em nota, a Prefeitura assegura que “Gravataí atua conforme preconiza o Plano Nacional de Vacinação” e “pelo menos até o momento desconhece a existência formal de qualquer tipo de denúncia sobre a existência de caso de ‘fura-fila’ no cronograma de vacinação contra a COVID-19”.

    O Seguinte: pediu um comentário ao prefeito:

    – Se isto ocorrer e ficar comprovado usarei toda energia do governo para punição exemplar e mudar radicalmente o método de controles e transparência. Porém não creio que tenha ocorrido. Confio demais na equipe da Secretaria da Saúde, que desde o início da pandemia têm um comportamento exemplar. Mas, neste mundo de hoje, precisamos estar permanentemente muito atentos – disse Zaffa.

    Vamos a um pouco de contexto sobre as denúncias e, abaixo, analiso.

    Conforme a reportagem, o Ministério Público informou que os canais da entidade e da Secretaria Estadual da Saúde (SES) receberam 285 denúncias sobre possíveis casos de pessoas que furaram a fila da vacinação contra o coronavírus no Rio Grande do Sul.

    Conforme o MP, um grupo de trabalho foi criado para atender a demanda de denúncias, composto pelo Centro de Apoio Operacionais dos Direitos Humanos, Saúde e Proteção Social, Criminal e Cível e de Proteção do Patrimônio Público e da Moralidade Administrativa (Caodh).

    De acordo com a procuradora de Justiça Angela Salton Rotunno, coordenadora do Caodh, até agora são poucas as situações consideradas graves, ou seja, que envolvem crime, improbidade administrativa ou crime de responsabilidade, afirma.

    – Tem situações graves que nós verificamos. Dentre elas, por exemplo, secretários municipais de Saúde que se vacinaram sem nenhuma justificativa, ou ainda funcionários de prefeituras que trabalham em setores administrativos, sem nenhuma relação com a saúde, que também foram vacinados de forma indevida. A notícia boa é que das 285 situações, nós temos, no máximo, 5% de casos considerados graves.

    Segundo Angela, as informações repassadas ao MP estão sob análise e serão encaminhadas conforme o tipo de ocorrência. As denúncias que não possuírem informações suficientes para que se possa dar continuidade na investigação serão devolvidas. Em outros casos, haverá encaminhamento de questionamentos ao gestor municipal sobre a veracidade da informação, motivo, funcionário responsável e demais informações para eventual adoção de providências.

    Algumas denúncias serão encaminhadas aos coordenadores dos Centros de Apoio Operacionais Criminal ou Cível, que trata de improbidade administrativa. Os casos que não configurarem fura-fila, quando a situação se demonstrar de difícil comprovação de irregularidade ou for muito tênue, serão arquivados.

    Sigo.

    Das 2.946 doses recebidas pela Secretaria de Saúde de Gravataí, 1.537 foram aplicadas até sexta, segundo o Plano Nacional de Imunização, o que permite projetar 19 meses para concluir a vacinação de toda população, como tratei em Sem doses, Gravataí e Cachoeirinha vão demorar mais de um ano para vacinar; Hoje é 56 de dezembro de 2020.

    É um universo pequeno para admitir ‘fura-fila’.

    Minha curiosidade é sobre as denúncias, que podem ser verdadeiras, mas também obra de desinformados, que não conhecem as prioridades do Plano Nacional de Vacinação, ou de informados do mal, que sabem que ouvidorias aceitam tudo.

    A própria procuradora de Justiça Angela Salton Rotunno informa que 285 denúncias no RS, “nós temos, no máximo, 5% de casos considerados graves”.

    Aguardemos q ue o Ministério Público detalhe as investigações. E a própria Prefeitura aumente ainda mais o controle sobre a distribuição de doses.

    Infelizmente, esse tipo de notícia, comprovada ou não, coloca toda vacinação sob suspeita. Fiscalizar é necessário, mas entendo que o MP se precipita ao divulgar um ranking de cidades sem dar detalhes sobre as irregularidades.

    Por óbvio que muitos que assistem ou leem denúncias como essas imaginam políticos passando na frente de velhinhos, ou mandando vacinar familiares e amigos.

    Não que promotores e promotoras se preocupem muito com isso, já que lava-jatos e outras genéricas operações espetaculosas ajudaram a criar uma geração de eleitores que não permite aos políticos mais que a presunção de culpa.

    Depois não adianta chorar o leite condensado derramado.

    Ao fim, se houve uma irregularidade que seja, quero publicar os nomes em manchete. Reputo ‘fura-fila’ de vacina, roubo de oxigênio e outras dessas corrupções como um homicídio moral.

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