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    política

    A grandeza de Alan ao homenagear, mesmo com atraso, negros de Gravataí; Vergonha, racistas do Grande Tribunal das Redes Sociais!

    por Rafael Martinelli | Publicada em 25/11/2021 às 18h41| Atualizada em 02/12/2021 às 20h16

    Foi com atraso, mas merece registro: a Câmara de Gravataí prestou homenagem à Semana da Consciência Negra, na sessão de terça-feira.

    – Se tivéssemos vereadores negros, certamente teria nos lembrado. Mulheres temos apenas duas em 21 parlamentares – disse o presidente do legislativo Alan Vieira (MDB), concordando com minha crítica em Sem vereadores negros, Câmara de Gravataí esqueceu Dia da Consciência Negra; A carne mais barata do mercado.

    A atual legislatura não tem nenhum negro. Nos últimos 20 anos tivemos apenas Jairo Santerra, Jarbas Tavares da Silva, Róbinson Luiz e Airton Leal, que, secretário de Governança e Comunicação, é hoje o único negro no primeiro escalão do governo Luiz Zaffalon (MDB).

    A grandeza de Alan merece parabéns. Diferente de comentários ao artigo no Grande Tribunal das Redes Sociais, que só comprovaram o racismo estrutural – e não só estrutural – de parte de nossa sociedade.

    Reproduzo a íntegra da fala do presidente na abertura da sessão e, abaixo, sigo.

    “... No último sábado, 20 de Novembro, foi comemorado o dia da Consciência Negra, data escolhida por ser o dia da morte de Zumbi de Palmares, o negro escravizado líder do Quilombo dos Palmares. O Quilombo abrigava escravos fugitivos no local situado na Serra da Barriga, hoje estado de Alagoas, chegando a abrigar mais de 20 mil habitantes.

    É de se lembrar que o Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravatura. Mesmo que a nossa constituição federal de 88 assegure condições igualitárias, com mesmas oportunidades de emprego, escolaridade e princípios básicos, sabemos que ainda há muito para se fazer e há muito para se aprender.

    A Lei 10.639 de 2003 tornou obrigatório o ensino da cultura africana nas escolas da rede pública e particular, em todos os níveis de ensino. Mas ainda precisamos avançar muito com políticas públicas de valorização da comunidade negra em todos os cantos do país. Nós não podemos esquecer que o negro foi e é protagonista na construção da nossa sociedade.

    Gravataí está no caminho com a criação dos dois Conselhos e a realização do Seminário da Saúde Integral da População Negra, mas ainda há muito o que ser feito. Todas as ações precisam partir de nós mesmos, não apenas de nós, parlamentares, mas de todos, com o respeito que cada um merece...”

    Ao fim, concluo como no artigo anterior em que critiquei a Câmara por, entre homenagens importantes e desimportantes de todas as sessões, ter deixado passar em branco a morte de Zumbi dos Palmares, o Dia da Consciência Negra.

    Não escrevi por lacração e, como parte dos socialmente privilegiados, nem possuo direito e conhecimento para ‘ocupar lugar de fala’.

    Reputo o esquecimento – ou, agora, atraso – dos políticos um exemplo do racismo estrutural, no qual me incluo.

    Como didaticamente descreve o Politize!, é o racismo que não diz respeito ao ato discriminatório isolado por conta da cor da pele, mas sim ao processo histórico em que condições de desvantagens e privilégios a determinados grupos étnico-raciais são reproduzidos nos âmbitos políticos, econômicos, culturais e até mesmo nas relações cotidianas.

    A ‘ideologia dos números’ não mente sobre essa herança da escravatura.

    O site exemplifica com pesquisas. Em 2020 a Ethos mostrou que apenas 10% dos cargos de chefia nas 500 maiores empresas do país eram ocupados por negros, mesmo a raça sendo maioria da população nacional.

    De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o número de homicídios de pessoas negras aumentou 11,5% entre 2008 e 2018, enquanto que o de pessoas não negras diminuiu 12%. Além disso, das 4.519 mulheres assassinadas no país em 2018, 68% delas eram negras.

    De acordo com o Mapa da Violência morrem cerca de 30 mil jovens entre 15 e 29 anos por ano, sendo que 77% deles são negros, resultando na morte de um jovem negro a cada 23 minutos no país.

    Rasga a voz de Elza Soares impondo a realidade “a carne mais barata do mercado é a carne negra”.

    Aos desumanos que cometem a idiotia de falar em “dia da consciência humana”, recomendo a aula da reportagem em texto e vídeo Dia da Consciência Negra, 50 anos: liberdade conquistada, não concedida.

    O 20 de Novembro merece feriado nacional.

    Racistas, cadeia.

     

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