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    política

    Bolsonaro na Paulista | CLAUBER CLEBER CAETANO | PR

    De Gravataí à Paulista, o bolsonarismo mostra seu tamanho; Suicídio, homicídio e um infeliz 8 de setembro

    por Rafael Martinelli | Publicada em 07/09/2021 às 19h20| Atualizada em 13/09/2021 às 10h01

    O bolsonarismo chegou ao limite.

    Apesar de considerável, pelo custo e os dois meses de preparação a apropriação do 7 de Setembro flopou, na gíria da rede social. No modo desespero, mesmo com público menor que de Parada Gay na Paulista, o deprimente da república fez um discurso delirante e suicida/homicida que demonstrou que os problemas do Brasil não lhe preocupam tanto quanto o medo de ficar inelegível ou mesmo ser.

    Isso se não comete mais uma fake news, como tratei ontem em Bolsonaro lembra ’Hitler de Luciana Gimenez’; Pop It de 7 de setembro é a ’Pornochanchada da Cervejaria’, sobre a possibilidade de golpe que vendeu a seus fanáticos e apoiadores.

    Se na maior concentração, na Paulista, a polícia militar calcula 125 mil pessoas, em Gravataí cerca de 100 bolsonaristas se reuniram no Parcão. Embaixo da tenda armada por organização do vendedor de carros Vilmar Matos estavam os vereadores Policial Federal Evandro Coruja (PP), Roger Corrêa (PP) e Claudecir Lemes (MDB), além do presidente do Sindilojas José Rosa.

    Não participaram os principais políticos de centro ou direita, como o prefeito Luiz Zaffalon (MDB), cuja manifestação sobre o 7/9 você lê clicando aqui, a deputada estadual Patrícia Alba (MDB) ou o ex-prefeito Marco Alba (MDB).

    Também circulam imagens nas redes sociais de gravataienses, cachoeirinhenses e viamonenses cantando “Eu Te Amo Meu Brasil” em ônibus que percorreu 36h até Brasília, além de posts de ‘acampados’ em hotéis 5 estelas para apoiar a manifestação.

    Esse é o tamanho da “foto” que Jair Bolsonaro disse querer mostrar para o Congresso, o Supremo Tribunal Federal e o mundo, como se representasse o “povo brasileiro”.

    Para efeitos de comparação, a Parada Gay de 2019 reuniu 270 mil pessoas, conforme estimativa da Folha de S. Paulo.

    Fato é que nos discursos em Brasília e na Paulista, o eleito com 37% dos votos para governar o país não falou em fome, desemprego, economia e sequer referiu o mais de meio milhão de mortos pela covid-19.

    Como um napoleão de hospício, disse que não cumprirá mais nenhuma sentença do ministro do Supremo Alexandre de Moraes, chamou a eleição sem voto impresso de “farsa” e garantiu que só “sai” de Brasília “preso, morto ou vitorioso”:

    – E avisem aos canalhas que nunca serei preso – gritou, repetindo o plano golpista que revelou horas antes em Brasília: vai convocar nesta quarta-feira o Conselho da República, que reúne os 3 Poderes e tem entre as competências deliberações sobre temas como intervenção federal, estado de defesa, estado de sítio e questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas.

    Sigamos a análise em partes.

    Só com aprovação do Congresso Nacional é possível a decretação de um estado de sítio ou defesa.

    O que Jair Bolsonaro quer só é possível com um golpe que feche a Câmara Federal, o Senado e o STF – e leve a uma ditadura de república de bananas.

    Seria seu habeas corpus para possíveis condenações suas e de familiares em um dos 5 inquéritos que responde, como o das fake news (o que o levaria à inelegibilidade), ou a cassação em um impeachment.

    Há inúmeros enquadramentos para os crimes de responsabilidade em série cometidos em discursos que só confirmaram que somos governados por um delinquente intelectual nos estertores da sanidade.

    Após a lista de B.O.s abaixo, alerto para o mais grave – que não é só de Constituição, mas de Código Penal.

     

    Artigo 85 da Constituição Federal.

    São crimes de responsabilidade os atos do Presidente que atentem contra:

    II – o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do MP e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação

    VII – o cumprimento das leis e das decisões judiciais

     

    Art. 12. São crimes contra o cumprimento das decisões judiciárias:

    I - impedir, por qualquer meio, o efeito dos atos, mandados ou decisões do Poder Judiciário;

    II - Recusar o cumprimento das decisões do Poder Judiciário no que depender do exercício das funções do Poder Executivo

     

    Art. 6. São crimes de responsabilidade contra o livre exercício dos poderes legislativo e judiciário e dos poderes constitucionais dos Estados:

    I - tentar dissolver o Congresso Nacional, impedir a reunião ou tentar impedir por qualquer modo o funcionamento de qualquer de suas Câmaras;

    II - usar de violência ou ameaça contra algum representante da Nação para afastá-lo da Câmara a que pertença ou para coagi-lo no modo de exercer o seu mandato bem como conseguir ou tentar conseguir o mesmo objetivo mediante suborno.

    V - opor-se diretamente e por fatos ao livre exercício do Poder Judiciário, ou obstar, por meios violentos, ao efeito dos seus atos, mandados ou sentenças;

    VI - usar de violência ou ameaça, para constranger juiz, ou jurado, a proferir ou deixar de proferir despacho, sentença ou voto, ou a fazer ou deixar de fazer ato do seu ofício;

     

    Art. 7. São crimes de responsabilidade contra o livre exercício dos direitos políticos, individuais e sociais:

    VI - subverter ou tentar subverter por meios violentos a ordem política e social

    VII - incitar militares à desobediência à lei ou infração à disciplina;

    VIII - provocar animosidade entre as classes armadas ou contra elas, ou delas contra as instituições civis;

     

    Art. 9. São crimes de responsabilidade contra a probidade na administração:

    VII - proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo.

     

    Mas reputo o mais grave do 7/9: Bolsonaro ameaçou com crime contra a vida no palanque da Paulista.

    Não só permitiu a leitura de que pode tirar a própria vida, mas ameaçou que pode matar alguém, ou alguéns.

    Ao dizer que nunca será preso, o capitão reformado – que foi réu na justiça militar por planejar um atentado terrorista – ameaça que, se houver uma ordem de prisão, cometerá suicídio ou homicídio.

    Sim, porque a única forma de uma prisão não ser executada é resistir até à morte a cumprimento da ordem judicial pelos agentes de segurança.

    Ao fim, o Brasil amanhecerá em mais um, para tantos, infeliz 8 de setembro, como um país desgovernado, mas democrático para o bilionário, o rico do Renegade e a família da sopa de osso. Porém, deu-se hoje, mesmo que sem sangue (ao menos até às 18h), o Putsch da Cervejaria, como tratei em Bolsonaro lembra ’Hitler de Luciana Gimenez’; Pop It de 7 de setembro é a ’Pornochanchada da Cervejaria’.

    A partir desta quarta será preciso mais do que notas de repúdio que sempre me lembram Cálice, de Chico Buarque: “Esse silêncio todo me atordoa / Atordoado eu permaneço atento / Na arquibancada pra a qualquer momento / Ver emergir o monstro da lagoa”.

    Contam-se 42 oportunidades em que Hitler poderia ter sido morto. Politicamente falando, Bolsonaro precisa ser morto e sepultado, antes que choque o ovo da serpente.

    O tamanho do bolsonarismo não é o do povo brasileiro.

    Nem em gente, nem ideias.

     

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