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    3º Neurônio | ideias

    A militarização da administração pública federal é a marca do governo Bolsonaro

    A desbolsonarização do Brasil será um processo longo e cheio de surpresas

    por Carlos Wagner | Histórias Mal Contadas | Publicada em 03/01/2022 às 19h08

    É do jogo o presidente da República colocar nos postos-chave do seu governo pessoas de sua confiança. A maneira como o presidente Jair Bolsonaro (PL) fez isso resultou na desestruturação da máquina administrativa federal. No seu governo, a única pessoa que ocupa cargo de ministro, segundo e terceiro escalão é a que concorda com Bolsonaro e segue à risca as suas ordens. Em consequência disso, as decisões, nas mais variadas áreas do governo federal, são tomadas seguindo as crenças do presidente sobre um assunto. A isso eu chamo de “bolsonarização” da administração federal. Ela se enraizou de tal maneira nas repartições públicas que não acabará no dia seguinte ao término do mandato. Continuará existindo e criará dificuldades para o novo presidente.

    Antes de seguir contando a história. Vou dar uma explicação que considero fundamental para não sairmos do foco da nossa conversa. Não estou falando sobre a reeleição ou não do presidente. Estou falando que, quando o mandato dele terminar, quem o substituir, seja lá quem for, herdará uma máquina administrativa danificada pela bolsonarização. Seguindo a conversa. Os maiores danos têm sido causados ao Ministério da Saúde, por estar envolvido no combate à pandemia da Covid-19. Um assunto de interesse global e que há dois anos frequenta as manchetes dos noticiários. Logo no início da pandemia, em 2020, Bolsonaro elegeu o vírus como seu adversário político. E com a cumplicidade do então ministro da Saúde, general da ativa do Exército Eduardo Pazuello, transformou o seu negacionismo em relação ao poder de contaminação e letalidade da Covid em política de governo. Pazuello foi o terceiro ministro da Saúde de Bolsonaro.

    Os outros dois saíram por não concordar com o presidente. O atual ministro, o cardiologista Marcelo Queiroga, só não foi demitido porque deixou de lado o seu juramento de médico e saiu em defesa das crenças anticientíficas de Bolsonaro, como aconteceu no caso da “vacina das crianças”. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou o imunizante da Pfizer para o público de cinco a 11 anos, mas o presidente, através do seu ministro da Saúde, está fazendo de tudo para boicotar o acesso à vacina – há matéria da internet. Toda a devastação feita na Saúde pela bolsonarização está documentada no relatório de 1,3 mil páginas da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 do Senado, a CPI da Covid.

    Quem substituir Bolsonaro no cargo vai gastar no mínimo um ano para reparar os danos feitos pela atual administração da Saúde, uma pasta importantíssima para o país. O segundo problema em grandiosidade é o fato do presidente ter colocado na administração federal 6 mil militares da ativa, reserva e reformados trabalhando em vários cargos, sendo que a maioria deles é de coordenador de área. Muitos não têm conhecimento sobre o setor em que estão trabalhando. Por conta disso, um problema que o atual governo herdou, que foi o colapso do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), não foi resolvido. Foi aumentado a ponto de existirem filas quilométricas de segurados esperando perícia médica e o andamento dos seus processos de aposentadoria.

    O que o futuro governo vai fazer com esses 6 mil militares, incluindo meia dúzia de generais que ocupam cargos na administração? Não é só demiti-los. É preciso apurar se os erros que cometeram no exercício de suas funções foram por dolo ou simples incompetência. Também não se deve esquecer que Bolsonaro montou uma espécie de serviço de inteligência particular dentro do governo para espionar os seus ministros e adversários políticos – há matéria na internet. Ainda há as tentativas do presidente de bolsonarizar o sistema de Justiça. Ele não faz segredo disso. A figura do procurador-geral da República, Augusto Aras, lembra muito a figura de Geraldo Brindeiro (falecido em 2021). Brindeiro ocupou o cargo de procurador-geral da República de 1995 a 2003, no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP), e entrou para a história como o “engavetador-geral da República”. Há também as tentativas do presidente de tentar desarticular o Conselho de Controle da Atividade Financeira (Coaf), órgão que monitora as transações suspeitas no setor bancário. Agora o Coaf chama-se Unidade de Inteligência Financeira (UIF) e é ligado ao Banco Central. O presidente também é acusado de desmontar a Polícia Federal (PF) – há matéria na internet.

    Citei alguns setores da administração federal que estão sendo mais severamente atingidos pela bolsonarização. Alerto o seguinte. O Ministério da Economia, dirigido por Paulo Guedes, é uma caixa-preta. Lá existe confusão para todos os lados. Vez ou outra, uma delas vaza para a imprensa. A rigor, nós jornalistas sabemos muito pouco do que se passa entre as quatro paredes da Economia. Sabemos o básico. Ela não funciona. O desemprego nunca foi tão grande, a inflação tão alta e é enorme a frequência com que governo causa confusão nos mercados financeiros falando asneiras. Tudo que citei aí dá para arrumar, porque a maioria dos funcionários públicos federais de carreira são pessoas altamente qualificadas que hoje estão na “moita”, assistindo à devastação causada pela atual administração. Mas há um fato ao qual precisamos ficar atentos. A ascensão política de Bolsonaro deu palco para a atuação de grupos extremistas, como os nazistas, exóticos, como os terraplanistas, e os antivacinas. Até a eleição de Bolsonaro, em 2018, e a chegada da pandemia, em 2020, havia matérias pontais nos jornais sobre movimentos contrários às vacinas espalhados pelo mundo. No Brasil não se tinha notícia deles. Eles surgem e se organizam ao redor do negacionismo do presidente em relação ao vírus. Hoje possuem uma rede social de distribuição de fake news importante e abrangente. Esses movimentos que saíram das sombras graças à ascensão de Bolsonaro vão continuar existindo e atuando seja lá qual for o destino político do presidente.

    A nossa tarefa de jornalista é esclarecer o leitor sobre quem são eles na história do mundo. Lembro que no início do governo Bolsonaro nós jornalistas os comparávamos com Jânio Quadros (falecido em 1992), um homem esquisito que foi eleito presidente da República em 1961 e renunciou meses depois com a esperança que fosse levado de volta ao cargo nos braços do povo. Não foi, e abriu caminho para o golpe militar de 1964. As esquisitices de Bolsonaro estão alguns graus acima às de Jânio.

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