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    Foto WILSON DIAS | Agência Brasil

    Julgamento dos réus da boate Kiss interessa a pais de adolescentes ao redor do mundo

    por Carlos Wagner | Histórias Mal Contadas | Publicada em 23/11/2021 às 20h12

    Antes de existirem os aplicativos de transporte, a grande preocupação dos pais de adolescentes que saíam à noite era deixá-los nas portas das casas noturnas, que julgavam ser um lugar seguro. O incêndio da boate Kiss mostrou que estavam deixando os filhos em prédios que eram verdadeiras ratoeiras. Esse é um dos motivos de ser do interesse de todos que têm filhos adolescentes o julgamento dos réus da tragédia da Kiss. A boate funcionava no centro de Santa Maria, cidade universitária no interior do Rio Grande do Sul. Estava lotada na madrugada de 27 de janeiro de 2013, quando pegou fogo durante um show da banda Gurizada Fandangueira. Morreram asfixiadas pela fumaça e pisoteadas 242 pessoas e 680 ficaram feridas. A grande maioria das vítimas era estudantes universitários. Um inquérito policial de 13 mil páginas responsabilizou pela tragédia 28 pessoas. Quatro delas vão a julgamento no próximo dia 1º de dezembro. São elas: os sócios da boate Elissandro Callegaro Spohr, o Kiko, e Mauro Londero Hoffmann. E os integrantes da banda Gurizada Fandangueira Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Augusto Bonilha. A estratégia dos advogados de defesa foi empurrar o caso para o mais longe possível do centro dos acontecimentos. Conseguiram transferir o julgamento de Santa Maria para Porto Alegre.

    Ahistória do julgamento já começou mal. No início do mês (02/11), o repórter Humberto Trezzi publicou uma reportagem no jornal Zero Hora, de Porto Alegre (RS), com o título “Júri da Kiss não vai ouvir delegados que investigaram o incêndio da boate”. Os delegados da Polícia Civil Marcelo Arigony e Sandro Meinerz ouviram mais de 300 pessoas e escreveram um inquérito policial de 13 mil páginas. A ausência deles no tribunal retira a visão da sequência dos fatos que levaram à tragédia. Os motivos pelos quais os delegados não serão ouvidos são relatados com detalhes na matéria de Trezzi, disponível na internet. O fato é o seguinte. O prédio da Kiss era uma ratoeira. Os bombeiros, a prefeitura de Santa Maria e o Ministério Público Estadual (MPE) tiveram a oportunidade de fechar o estabelecimento e não o fizeram. Por quê? Devido a uma sequência de acontecimentos e principalmente pela crença de que nada iria acontecer. A tragédia acabou com esse tipo de crença por parte das autoridades no Brasil e em vários países. Essa é uma das conclusões a que cheguei depois de ter ficado mais de 30 dias consecutivos em Santa Maria remexendo o caso Kiss. Na noite do incêndio, eu não estava lá. Estava em férias. A redação cancelou as minhas férias e me integrou a uma grande força-tarefa de repórteres, editores, fotógrafos e motoristas que participaram da cobertura. Considero-me um repórter experiente. Digo que para entender onde estavam as digitais dos responsáveis não foi fácil. Daí a importância dos delegados serem ouvidos.

    Nos dias seguintes ao incêndio houve uma onda de mobilização das autoridades em várias partes do mundo, principalmente no Brasil, para averiguar de perto como as casas de diversão dos adolescentes estavam funcionando. Sendo generoso, eu diria que essa preocupação durou um ano. Depois caiu no esquecimento e tudo voltou a ser como era antes. Lembro de um colega repórter, Luiz Roese, o Tigrinho, que desde a fatídica madrugada até setembro de 2019, quando faleceu aos 45 anos, dedicou a sua vida a acompanhar o andamento do caso Kiss. Ele acompanhava as andanças dos parentes das vítimas atrás de justiça. Graças a ele que o assunto não desapareceu por completo das páginas dos jornais. Era o cara para quem a gente ligava e sempre era lembrado da nossa responsabilidade com o caso. Tenho dito nas minhas palestras para estudantes de jornalismo que a memória das redações é curta. Assim que um fato sai das manchetes e baixa para o pé da página, ele desaparece. No máximo é lembrando na data do aniversário. Nos dias atuais, a memória das redações ficou bem mais curta graças às demissões em massa de jornalistas e a falta de dinheiro das empresas de comunicação para investir em reportagens que incluam despesas com viagens. Vejam bem. Estamos a duas semanas do julgamento. E apenas os jornais e noticiários do Rio Grande do Sul vêm tratando do assunto. As grandes redes nacionais de TV, rádio e jornais estão dando uma ou outra matéria. Nada em profundidade. Por quê? Certamente não é porque o assunto não tenha interesse público, principalmente dos pais de adolescentes. É porque não há dinheiro e vão investir apenas na cobertura do julgamento.

    Arrematando a nossa conversa. O fato é o seguinte. Várias famílias ao redor do mundo têm filhos adolescentes que nos fins de semana lotam as casas de espetáculo. O caso Kiss despertou nos pais a curiosidade de saber quem são as autoridades responsáveis pela fiscalização desses estabelecimentos. Nos países democráticos, como é o caso do Brasil, sempre haverá um jornalista para apontar o dedo e lembrar as autoridades das suas responsabilidades. Saí da redação em 2014. Mas não deixei de acompanhar o caso Kiss. Por quê? Creio que seja porque esse tipo de cobertura nunca mais desaparece da cabeça do repórter. Vez ou outra o nosso sono é interrompido pela preocupação em saber como anda o caso. Se houver a condenação dos quatro réus, o caso Kiss não se encerra. Ainda há muita informação preciosa nas 13 mil páginas do inquérito policial esperando para ser descoberta e virar história na mão de um repórter. Podem apostar, colegas.

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