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    caso eduarda

    OPINIÃO | Justiça à Eduarda, sim. Gotham City, jamais

    por Eduardo Torres | Publicada em 23/10/2018 às 13h28| Atualizada em 05/11/2018 às 10h47

    Mais uma vez, como tem sido frequente a cada crime cruel e com grande repercussão nas redes sociais, aquilo que tradicionalmente é um serviço de utilidade pública feito pela Polícia Civil, com a divulgação do retrato falado do suspeito do crime, se tornou o provocador de uma onda “justiceira”. Confundir justiça com justiçamento é o atestado da degradação da democracia. Em poucas horas, quem via passar a timeline do facebook tinha certeza de que estava em Gotham City com uma centena de candidatos a Batman.

    Foi só o retrato falado circular, que uma onda de denúncias chegou à polícia — pelo menos 20 em 12 horas —, e isso é positivo. É quando a sociedade age para ajudar os especialistas e autorizados a esta função a esclarecerem o assassinato da menina Eduarda. O problema está no efeito colateral disto.

     

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    Assim como as ligações pipocavam no Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca), nos grupos do mundo paralelo do facebook e do whatsapp, imagens comparando o retrato falado a um suposto bruxo e a outras pessoas eram espalhadas já com a sentença: “vamos pegar esta gente”.

    Pregar justiça com as próprias mãos, tortura, sofrimento e morte a quem mata está bem longe de reparar a dor da família. Quem pensa estar confortando, ou oferecendo justiça, a quem perdeu a pequena Eduarda oferecendo a cabeça do criminoso, engana-se. Em uma análise fria, ao fazer este julgamento público, o que se faz é aumentar a conta de vítimas e criminosos.

    E os exemplos estão aí aos montes. A brevidade das redes sociais tem o dom de apagar memórias em alta velocidade. Mas já estão esquecidos do julgamento público feito aos supostos envolvidos em ritual de magia negra com mortes de crianças em Gravataí? Era falso.

    Se o slogan do momento, em período eleitoral é “acabar com tudo o que está aí”, é importante saber que, se acabarem com as instituições públicas, estarão terminando de enterrar a democracia. Confiar e apoiar o trabalho de investigação especializada é a única resposta possível no caso Eduarda.

     

     

    A Polícia Civil reforçou a equipe de investigadores dedicados à elucidação do crime e abriu duas frentes de apuração: a que une elementos investigativos e a que filtra denúncias. Até agora, assegura o chefe de polícia, delegado Emerson Wendt, não há nada que relacione o crime a algum tipo de ritual.

    Portanto, se você pensa estar em Gotham City, perdão, preciso te dizer, você não é o Batman. E não adiantará ligar o farol com o morcegão nos céus de Porto Alegre e região. Tudo o que o Brasil não precisa atualmente é de super-heróis justiceiros. A polícia fará o seu trabalho e, com um inquérito técnico e bem fundamentado, a justiça será feita. É isto que confortará à sociedade, eu tenho certeza.

     

    NOTA OFICIAL

    A polícia civil divulgou nota à imprensa. Siga na íntegra

    (...)

    Sobre as mensagens que estão circulando através de redes sociais, casos de sequestro de crianças, a Polícia Civil informa que, exceto no caso da menina Eduarda, não há outro registro de situações de sequestro e carcere privado de crianças. A chefia de Polícia ressalta que todas as medidas estão sendo tomadas no diz respeito ao trabalho investigativo de Polícia Judiciária. Foram designados  cinco policiais para prestar reforço à equipe de investigação da Delegacia de Polícia da Criança e Adolescente Vitima (DPCVA), além de policiais do Gabinete de Inteligência (GIE) que colaboram com as investigações. 

    A Polícia Civil informa que não há suspeitos do sequestro da menina Eduarda presos em quaisquer dos órgãos da instituição. 

    Após a divulgação do retrato falado a Polícia Civil recebeu mais de 20 denúncias, que têm sido muito importantes para a investigação, mas alerta-se que as denúncias devem ser repassadas exclusivamente à Polícia Civil e não divulgadas nas mídias sociais.

    Canais para denúncia: 08006426400  Whats (51) 984187814

    (...)

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