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GRAVATAÍ, 16/07/2018

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    saúde

    Balas, pirulitos, frituras e refrigerantes podem ser banidos das cantinas escolares

    COM VÍDEO | Vilões do recreio com os dias contados

    por Eduardo Torres | Edição de imagens: Guilherme Klamt | Publicada em 11/07/2018 às 17h01| Atualizada em 11/07/2018 às 17h03

    Quando o sinal bate para o recreio, entra em cena uma verdadeira tropa de choque que aparentemente é saborosa, mas esconde um alto risco para as crianças: bolachinhas recheadas, salgadinhos, balas, pirulitos, pastéis fritos, enroladinhos de salsicha e, o vilão número um, segundo os nutricionistas, o refrigerante. Desde a semana passada, um importante aliado na batalha contra a má alimentação nas escolas se tornou mais concreto. O projeto de lei do deputado estadual Tiago Simon (PMDB), que proíbe a venda destes alimentos das cantinas escolares, foi aprovado na Assembleia Legislativa. Agora, depende do governador José Ivo Sartori (PMDB) para se tornar concreto.

    — Uma lei que torne impositiva a alimentação saudável, neste momento, é importante. Porque, se a criança e o adolescente não tiverem a opção de comprar alimentos que não sejam saudáveis, a mudança de hábito necessária começa a ser induzida. Mas é importante que qualquer mudança de hábito alimentar venha acompanhada de mudanças também em casa — afirma a nutricionista Rafaela Saltiel.

    Há oito anos ela atua com nutrição de crianças em Gravataí e, neste período, testemunha uma transformação no perfil desta faixa etária.

    — O sobrepeso é uma realidade. Por vezes, crianças que parecem não ter problema algum de saúde, quando aferimos peso e altura, constatamos que estão fora da curva. Esta realidade tem aumentado os casos de colesterol na infância e juventude, os casos de diabetes e, como já acontece nos Estados Unidos, por exemplo, casos de ataques cardíacos precoces, que levam à morte. Tudo é resultado da má alimentação — diz a especialista.

     

    : Nutricionista Rafaela Saltiel constata os casos de sobrepeso na infância em Gravataí | GULHERME KLAMT

     

    No seu consultório, Rafaela depara com a ponta do iceberg. É quando os pais, em praticamente todos os casos, indicados por pediatras, procuram o atendimento. A maior parte, admite a nutricionista, não chega até lá. Ignoram as recomendações e, o que é pior, não mudam os hábitos alimentares próprios e, por consequência, dos filhos.

    Conforme os dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) de 2017, em torno de 17% das crianças gaúchas entre sete e 10 anos atendidas pelo SUS tinham peso elevado para a idade. Foi este dado que motivou a legislação, já existente no Paraná e Santa Catarina, por exemplo. Além de proibir a comercialização dos vilões do recreio, a proposta é também não permitir cartazes e propagandas deste tipo de produto nas escolas.

    Rafaela, além do consultório, atua como nutricionista no Colégio Nossa Senhora dos Anjos (Gensa) há cinco anos. Lá, os produtos possivelmente vetados pela legislação ainda circulam. É uma batalha árdua para quem tem a missão da nutricionista, mas as conquistas acontecem aos poucos.

    — É muito difícil cortar balas e doces, mas já conseguimos implantar a salada de frutas, o limite a dois tipos de refrigerantes, o corte de sucos industrializados. Hoje, o suco é produzido na cantina e sanduíches são preparados ali, com pão integral e recheio com produtos não embutidos. É um avanço, mas ainda estamos longe do ideal — admite.

     

     

    O problema no combate ao sobrepeso na infância está na concentração de açúcar dos produtos industrializados ao alcance dos pequenos. Até os dois anos, o ideal é que crianças não tenham contato com produtos com açúcar. É neste período que o paladar e os hábitos alimentares começam a se desenvolver. Tudo o que os pais fizerem será, necessariamente, uma influência nos anos seguintes desta criança.

    — O ideal é evitar ao máximo alimentos industrializados, em que não se conhece exatamente a produção e os produos que estão nele. Tudo o que for feito em casa, ou o mais próximo disso, é melhor. Mesmo que leve açúcar, é em quantidade muito menor e com qualidade certamente maior do que na indústria — avalia Rafaela.

     

    Cardápios mais saudáveis

     

    Para não comprar em cantinas com oferta daqueles vilões, a recomendação é por bolos, sanduíches à base de carne desfiada em casa, ao invés de embutidos, biscoitos feitos em casa e produtos assados, ao invés de fritos.

    Na rede pública municipal há três anos foi adotada uma mudança nutricional. Bolachas e pães, que eram a base da alimentação escolar, deram lugar ao arroz, feijão, hortifrutigranjeiros (alguns cultivados nas hortas das próprias escolas), carnes, ovos e macarrão. Toda a alimentação é produzida nas cozinhas de cada escola, e o cardápio é divulgado no site da prefeitura.

    De acordo com a assessoria de comunicação do município, não haverá dificuldade em adaptação na rede municipal ao que prevê a futura legislação estadual. É que as últimas cantinas existentes em escolas municipais foram fechadas este ano.

     

    O PROJETO DE LEI PROÍBE

    : Venda de balas, pirulitos, gomas de mascar e biscoitos recheados

    : Refrigerantes e sucos artificiais

    : Salgadinhos industrializados

    : Frituras

    : Pipoca industrializada

    : Bebidas alcoólicas

    : Produtos industrializados com calorias provenientes de gordura saturada acima de 10% do total

    : Alimentos com gordura vegetal hidrogenada

    : Alimentos industrializados com alto teor de sódio

    : Alimentos com nutrientes prejudiciais à saúde

     

    O PROJETO DE LEI RECOMENDA

    : Cantinas devem ter pelo menos duas variedades de frutas da estação in natura (pode ser em suco)

    : Sucos de frutgas, bebidas lácteas cuja adição de açúcar seja opcional, serão oferecidas conforme a preferência do consumidor

    : Contratos entre cantinas e escolas devem conter as restrições da lei entre suas cláusulas

    : Proibida no ambiente escolar a publicidade dos produtos vetados pela lei

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