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    na copa

    De 2018 a 94, das estradas do Brasil e Samara russa

    Torcedor raiz, do busão da torcida à vitória do Brasil em Samara

    por Eduardo Torres | Publicada em 02/07/2018 às 13h54| Atualizada em 05/07/2018 às 17h15

    No Seguinte: na Copa de hoje, o Eduardo Torres faz a crônica da vitória brasileira ao estilo torcedor raiz, direto do busão na estrada

     

    Eram 8h, o micro-ônibus parou em um posto pertinho de Curitiba para aquela esticada nas pernas. O "bonde dos 21" vinha de Lins, no longínquo interior paulista, com uma noite inteira de estrada. Na televisão do posto, o locutor da Globo:

    – Olha lá, o Olodum fazendo a festa...

    Sim. Em três horas a Seleção Brasileira entraria em campo para enfrentar o México, e aquele roteiro de 24 anos atrás seguia o mesmo: Olodum, Galvão, Quem é que sobe? é Brasil sil sil.

    Na minha memória, a lembrança daquela Copa de 1994 foi imediata. Mais especificamente, a inesquecível quarta de final contra a Holanda. Assim como nesta segunda, eu estava na estrada. Aos 13 anos, curtia um passeio escolar em Gramado quando a bola rolou.

    Nesta segunda, dentro do micro que voltava com os 21 torcedores entre um misto de cansaço e expectativa – o meu São José foi derrotado pelo Linense por 1 a 0, mas vai decidir o acesso à Série C em casa –, às 9h30min pipocavam as primeiras informações sobre o time do Tite. 

    – Olha a escalação! – gritou um.

    O outro trollou:

    – Marcelo vai pro jogo.

    A internet funcionava quando queria no meio da estrada. Encontrar uma estação de rádio, missão impossível. Mas alguém lembra daquele dia frio de Copa, em 94?

    A gurizada dentro do ônibus na era pré-celular se embolando para tentar sintonizar um radinho de pilha. E valeu muito à pena. Eu nem precisava ter visto a acrobacia do Romário para que a falta do Branco virasse um gol salvador. Eu ouvi no radinho e curti muito com a minha turma. Tinha, de alguma forma, já a imagem do gol na memória.

    Desta vez, quando o relógio marcou 11h, uma enxurrada de celulares ávidos por sinal de internet apareceu. Era uma narração em um ponto do jogo, outra em outro, dependendo do pacote de internet de cada torcedor e... Goooollll do Neymar. Muita festa no "bonde dos 21", e o meu celular, aí sim, foi narrar o gol. Juro que só comemorei quando ouvi.

     

     

    No intervalo, a hora do almoço no caminho de volta a Porto Alegre. Em um restaurante humilde de Penha, aqueles 21 com camisas azuis do Zeca, e alguns com amarelas da Seleção, assustaram as proprietárias:

    – Bota mais carne, que eles estão com fome.

    Um televisor passava o jogo. Ali ficamos para ver o Neymar ser agredido e o árbitro andar para o tal de VAR. Ali, assistimos ao primeiro grande jogo do William que, por algum motivo, me lembrou o "enceradeira" Zinho naquele Brasil e Holanda.

    Lá pelas tantas, o Galvão – sempre ele – solta:

    – Vai que é sua Alisson!

    Eu detectei. O Galvão está nervoso, disse entre uma garfada de churrasco e um gole de guaraná. E antevi para um amigo: daqui a pouco vem o turbilhão de frases de 24 anos do narrador.

    Dito e feito. Bola erguida na nossa área e:

    – Quem é que sobeeee?

    Precisávamos nos tranquilizar. O Galvão, e eu. Nervoso por culpa dele. 

    Até que o Neymar arrancou pela esquerda e fez o que sabe. Tirou do goleiro para o Firmino. Golaço! 

     

     

    Terminou 2 a 0. Paguei a conta do almoço para encarar mais umas longas horas de estrada. No sentimento, não estava exatamente o sentimento de quem está um passo mais próximo do hexa. Estava aquela satisfação de reviver o tempo em que a Copa do Mundo, para mim, tinha aquele gosto de festa de guri. 

    Que o Neymar e todo o resto deem essa alegria às turmas de colégio na estrada a essas horas. O "Bonde dos 21" segue o seu curso.

     

     

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