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GRAVATAÍ, 23/09/2018
pequenas empresas, grandes histórias

O surfista gravataiense Gláuber Pacheco ganhou o Brasil e o mundo com sua marca | GUILHERME KLAMT

COM VÍDEO | Freesurf, de olho na onda perfeita

por Eduardo Torres | Edição de imagens: Guilherme Klamt | Publicada em 12/09/2018 às 14h42| Atualizada em 21/09/2018 às 12h34

Jeffrey’s Bay, na África do Sul. Um dos picos mais consagrados do surfe mundial, primeiro, pelas altas ondas, mas, mais recentemente, também pelos ataques de tubarão. Em 2007, o empresário gravataiense Gláuber Pacheco e todo o seu time Freesurf estavam lá para uma expedição de 18 dias. Voltaram com histórias de grandes ondas, mas só depois do susto inicial.

— Era aquele horário do amanhecer, que é ideal para pegar altas ondas, mas, dizem, também é o horário preferido para a refeição dos tubarões. Olhamos aquele marzão, vazio. Deu um receio, mas aí eu disse: “tem caras que moram aqui há 40 anos pegando essas ondas, e estão com os braços e as pernas inteiros, vamos pra dentro” — lembra, como um dos “causos” que não saem da memória depois de 28 anos transformando o mundo do surfe brasileiro.

 

 

Quem diria, lá no final dos anos 1980, que a ideia do guri que pegava ondas desde os 14 anos, com a prancha que herdou de um ex-cunhado, e era um dos expoentes da Associação Surf Brothers de Gravataí (ASBG) — o grupo que botou Gravataí no mapa do surfe gaúcho, mesmo tão longe do mar —, viraria a marca Freesurf e, posteriormente, a fábrica Magic Brands, que também produz nos últimos oito anos a marca Code, de skatewear?

— Eu queria achar um jeito de ficar próximo do esporte que uma das minhas razões de viver até hoje, estava com 20 anos e tentando me encaixar no mercado de trabalho. Era bom em vendas, mas não encontrava algo que eu vendesse bem. Então, comecei eu mesmo a produzir uma confecção. Olhava a Fluir (revista de surfe), na época, e via o que marcas como a Brasil Surfe conseguiam fazer e achava que eu nunca chegaria lá — lembra.

Iniciou a Freesurf oficialmente em 1990, a partir do bairro Cohab, em Gravataí. Era o próprio Gláuber que ia de ônibus a Porto Alegre, comprava os tecidos, preparava os moldes na sala de casa, desenvolvia a serigrafia e outros detalhes de cada peça e seguia, com tudo em uma bicicleta, até a costureira.

De lá, ele distribuía para venda na Região Metropolitana.

— O faturamento era, basicamente, para eu ter dinheiro e poder ir surfar nos finais de semana. Ir a Tramandaí, às vezes Torres. Até Garopaba, era um pouco mais difícil, mas rolava também — conta.

 

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Pois o negócio ganhou seriedade. E o sonho virou uma empresa que hoje emprega 110 pessoas em Gravataí. Aqui, funciona em torno de 50% do processo de produção da marca. Há outros setores da manufatura feitos no Interior e em Santa Catarina.

Diferente de outros ramos da economia, neste mercado, o fato do empresário ser um dos consumidores certamente aumenta a credibilidade do produto e a confiança na marca. Ainda hoje, o próprio Gláuber e seus parceiros de empresa testam novas tecnologias em roupas, pranchas ou outros produtos de suas marcas.

— Posso dizer que hoje o meu guarda-roupas é 100% Freesurf e Code. Isso me dá muita tranqüilidade para absorver eventuais críticas, observar tendências e garantir qualidade aos nossos produtos — explica.

 

Os freesurfers em mar revolto

 

A expansão da Freesurf, hoje encontrada em lojas do Brasil inteiro, aconteceu em uma época onde as marcas brasileiras dominavam, de fato, o mercado nacional de roupas e acessórios de surfe e skate. Na última década, o mar, literalmente, encheu de tubarões.

— Enquanto para produzir no Brasil nós temos uma pesada carga tributária, que influi diretamente no custo das matérias-primas e no preço do produto final, marcas internacionais chegaram ao mundo inteiro com o impulso da produção chinesa, com custos muito menores. No mercado externo, é impossível concorrer com as marcas que produzem lá. Eu diria que só eles exportam hoje em dia — diz.

Ainda assim, a Freesurf já tem sua marca registrada em países como a Austrália, Estados Unidos, Portugal e outros países europeus, no Uruguai, Chile. O momento, como explica o empresário, é como o daquele surfista que está prioridade da onda, mas precisa esperar a série perfeita para entrar, ou acaba engolido pelo mar e pelos concorrentes.

É por isso que o Gláuber tem sua própria estratégia para continuar crescendo em um cenário restritivo.

— Nós não deixamos se perder a essência, que é ser freesurfer, de fato. É claro que é muito difícil hoje em dia você ter a sua marca relacionada com um atleta da elite do surfe mundial. Mas o nosso foco é nos comunicar com quem gosta de surfe, com quem procura as ondas e vivencia elas. Dificilmente a pessoa comum vai se tornar um Gabriel Medina, mas ela pode ir até Santa Catarina e pegar uma onda legal, pode fazer uma trip bacana e encontrar altas ondas. Essa é a imagem que preservamos na Freesurf — conta.

 

: Empresário, sim. Mas sempre em contato com o mar. É a rotina do Gláuber | ARQUIVO PESSOAL

 

E isso pode ser visto a cada etapa do circuito mundial de surfe (WSL) transmitida pela ESPN. A Freesurf é uma das principais patrocinadoras das transmissões e, a cada campanha, as imagens esbanjam o espírito livre do surfe.

— É algo que sempre me renova a energia. No mar, tudo se iguala. É um ambiente democrático de verdade — resume o surfista Gláuber Pacheco.

O retorno das campanhas em cada transmissão do surfe não poderia ser melhor. O público consumidor de surf e skatewear é cada vez mais diverso.

— Temos sempre aquele retorno de pessoas que não tinham nenhuma relação com o surfe, que acham legal terem visto a marca durante a transmissão das etapas. Estamos aproveitando o momento que, se é complicado no mercado, em termos de imagem do surfe, nunca esteve tão bacana. De oito etapas do cricuito mundial, sete foram vencidas pelos brasileiros — vibra.

 

Pelo mundo

 

O Gláuber não abre mão das expedições feitas pela Freesurf e a Code. Hoje a marca tem no seu time surfistas como Binho Nunes, que é um freesurfer atualmente morando no México, Júnior Lacerda, especialista nos aéreos, Diego Santos, que é um caçador de tubos no Hawaii e Thiara Mandelli, longboarder paranaense. No skate, o gaúcho Yago Picachu e o paranaense Piolho, que tem título mundial, vestem a Code.

Mais do que viagens que valorizam a marca e geram conteúdos editoriais e de marketing, cada trip carrega consigo uma missão social. Fotógrafos e outros prestadores de serviço sempre são contratados entre os locais.

 

: Ações como a preservação do meio ambiente estão sempre presentes nas expedições | DIVULGAÇÃO

 

— Sempre fazemos doações e ações sociais em comunidades locais. É um compromisso também, no surfe, não levarmos nada que signifique ter tirado alguma coisa de casa lugar por onde passamos. O espírito das expedições é sempre o de trocar experiências e voltar em equilíbrio consigo mesmo — diz.

A expedição mais recente foi para a América Central. Gláuber costuma acompanhar pelo menos uma por ano. Todas elas podem ser conferidas em textos, imagens e vídeos no site da Freesurf ou ainda pelas redes sociais da marca gravataiense.

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