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GRAVATAÍ, 14/11/2018
pequenas empresas, grandes histórias

Gilmara mantém a tradição de 41 anos nos lanches de Gravataí | GUILHERME KLAMT

COM VÍDEO | Que tal um xis do Bacurau?

por Eduardo Torres | Edição de imagens: Guilherme Klamt | Publicada em 05/09/2018 às 18h10| Atualizada em 21/09/2018 às 12h33

Atende no balcão, recebe ligação de tele-entrega, encaminha o pedido de mais um lanche, e mantém o sorriso no rosto ao contar a história que começou a ser trilhada pelo pai. É assim que a Gilmara Passos, 43 anos, juntamente com o marido, comanda o tradicional Bacurau Lanches, que há 41 anos é sinônimo de qualidade para quem procura um xis, um bauru e, mais recentemente, comida caseira em Gravataí.

Mas, afinal, por que bacurau? E o que é isso, afinal?

Bom, bacurau é uma espécie de pássaro de hábitos noturnos. Até aí, perfeito para o que a lancheria foi desde a sua origem. Era hábito do Neri Passos, desde 1977, quando abriu pela primeira vez o seu trailer, acompanhar a gurizada que saía das festas. Primeiro, na altura da parada 59, no bairro Vista Alegre, em Cachoeirinha. Logo depois, onde ganhou fama mesmo. O trailer funcionou por pelo menos 20 anos próximo do Hospital Dom João Becker.

 

 

Mas não foi pelos hábitos do tal pássaro que o xis do Neri ganhou o nome tão incomum. Como era ponto de parada e encontro na área central da cidade do começo dos anos 1980, ele resolveu patrocinar um dos blocos de carnaval no baile do Paladino T.C. Mas como um trailer sem placa nenhuma o identificando faria para ter uma propaganda no bloco? Entre uma cerveja, um bauru e outro, o pessoal resolveu o problema. Ora, se chamaria Bacurau, o nome do próprio bloco. Pegou, e ficou. Virou marca única na cidade.

— Eu lembro sempre de, ainda bem pequena, viver entre os cascos de bebidas, no meio dos lanches mesmo. Me criei neste meio e não saí mais — diz a Gilmara.

 

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Formada em Relações Públicas, ela trabalhou durante algum tempo em departamentos de recursos humanos, mas os negócios da família falaram mais forte. As outras duas irmãs tornaram-se professoras.

O Bacurau funcionou no antigo trailer até 1998. Estava em meio à movimentação da cidade, mas era um espaço alugado. Foi quando Neri, que já era proprietário do prédio na altura da parada 79 da Avenida Dorival de Oliveira, arriscou. Mudou a estrutura para aquele local.

— Foi uma mudança meio arriscada, porque naquela época essa região aqui, que hoje concentra as lancherias, não tinha quase nada. Era meio deserta para o nosso tipo de negócio. E deu super certo. Fomos pioneiros aqui — valoriza a proprietária.

 

Aquela maionese...

 

O sucesso, em boa parte, foi resultado da fidelidade do público. Quem era fã do Bacurau, seguiu. Melhor do que isso. Transmitiu o gosto pelos lanches dali aos filhos e netos.

— Eu acredito que o pessoal volta por causa da qualidade mesmo. Temos a maionese especial, a carne e o nosso jeito único de fazer o lanche — comenta Gilmara.

É que, se o Neri sempre levou a fama, o selo de qualidade, principalmente do Xis Carne e do Bauru Filé, que são as duas especialidades da casa, vinha da cozinha da dona Maria Jovelina. Ela criou a receita da maionese — hoje adaptada pela legislação mais rigorosa às questões sanitárias — e a forma de preparar os hambúrgueres. Entre os anos 1980 e 1990, a produção era intensa. Chegava a 30 quilos de carne diários. Hoje, como a lancheria oferece outras variações de xis e pratos diferentes, a demanda fica em torno de 10 quilos.

A cada sexta e sábado, são vendidos em torno de 600 xis.

 

: O bloco Bacurau, que saía às ruas de Gravataí e nos bailes do Paladino, batizou o antigo trailer

 

Tradição agora é online

 

O Neri afastou-se da administração do Bacurau há nove anos. Foi quando Gilmara e o marido assumiram os negócios. E olharam para o presente e o futuro.

— Sou cria de Gravataí, conheço bem os gostos do público, mas precisávamos entender bem a região onde estamos trabalhando. Reparamos que aqui estamos no meio de algumas empresas que têm uma demanda muito boa no horário do almoço. Resolvemos investir nisso — diz.

O cardápio foi ampliado para pratos como ala minuta, massas, prato feito e pizzas. Depois, veio a tele-entrega e a venda por aplicativos. Nas noites, o Bacurau agora fornece alimentação a uma empresa do distrito industrial de Alvorada.

— Estamos expandindo com passos firmes, sem descuidar da qualidade e das características tradicionais do Bacurau, que recebi do meu pai. Acho que é essa mistura do novo com o tradicional que faz com que as pessoas voltem sempre.

Para encontrar mais sobre o Bacurau Lanches, acessa o bacuraulanches.com.br.

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