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GRAVATAÍ, 15/12/2018
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Morro Itacolomi, beleza natural de Gravataí e do Rio Grande do Sul | Foto DRONE GRAVATAÍ

O Morro Itacolomi como você nunca viu

por Katterina Zandonai | Edição de imagens: Guilherme Klamt | Publicada em 03/07/2018 às 10h20| Atualizada em 26/07/2018 às 18h21

Na estreia da seção Lugares, que é mais uma novidade de O Melhor de Gravataí, a editoria de boas histórias do Seguinte:, conheça o Morro Itacolomi. Na primeira reportagem da série, em texto e vídeo, uma apresentação de nosso cartão postal e patrimônio cultural do Rio Grande do Sul. A sequência completa das matérias você também pode ler em nossa edição impressa, que já circula com 10 mil exemplares

 

Localizado entre a zona rural e urbana de Gravataí, o Morro Itacolomi com seus 345 metros de altitude é mágico e vale cada esforço para chegar até lá. O caminho é simples, partindo do Centro o trajeto dura cerca de 12 quilômetros. É possível ir com diferentes linhas de ônibus. Basta seguir pela RS-020 em direção a Taquara, até o bairro São Marcos, na parada 83. 

Chegando lá vire a esquerda e se desloque até o final da Avenida Paes de Andrade. Depois é só dobrar novamente a esquerda na rua de chão batido Maestro Pena para encontrar uma placa sinalizando um dos pontos de entrada para as trilhas. 

Após um percurso que pode variar de 30 minutos a uma hora, em meio a árvores chega-se a um dos topos do morro conhecido como ‘Pedra dos Cachorrinhos’ (por lembrar dois cachorros se beijando). A subida até essa parte é realizada através de escadas fixadas nas pedras e, por último, por uma pequena escalada.  

- Achei alguns trechos bem íngremes e foi um pouco puxado. Os escorregões foram inevitáveis, mas de qualquer forma o esforço valeu a pena. O visual lá de cima é espetacular - conta, empolgada, a aposentada de 61 anos, Eliana Sevilha. 

Quem tiver interesse em admirar mais do alto Gravataí e as cidades vizinhas de Cachoeirinha, Porto Alegre, Canoas, Esteio e Sapucaia do Sul, existe a opção de chegar ao cume por escalada, com a necessidade de empreender técnicas verticais e com o uso de equipamento de segurança. 

Quem quiser ter uma visão privilegiada da região, mas de uma maneira menos radical, é necessário descer novamente as escadas e seguir por uma trilha rente à fundação da pedra do pico. 

Seguindo por cerca de 40 minutos em meio a mata chega-se ao outro topo do morro, uma laje de pedra de onde se tem um ampla vista panorâmica da região e dos ‘Cachorrinhos’. O local é chamado por diversos nomes pelos visitantes, mas os mais famosos são sofázinho, sacada e sarcófago. De lá o atrativo é admirar o pôr do sol no final da tarde.

 

Segurança em primeiro lugar

 

Subir o Morro Itacolomi é uma experiência única, mas quem topar este desafio precisa estar preparado. Por falta de planejamento e cuidados básicos, muita gente desiste no meio do caminho. Pior do que isso: se perde e acaba tendo que ser resgatado. Conforme o tenente do Corpo de Bombeiros  Adriano da Silva, para que essa situação não aconteça é recomendado sempre ter a companhia de mais pessoas e, de preferência, alguém que já tenha subido o morro algumas vezes. 

- Orientamos os visitantes nunca ir sozinhos, pois se precisar de apoio podem ser ajudados por alguém. Além disso, é importante avisar pessoas de fora do grupo, pois se der algum problema na trilha, o socorro pode ser acionado com  Polícia, Bombeiros, Guarda Municipal ou Ambiental.

O tenente comenta que as vias de acesso ao topo têm as suas peculiaridades e o tempo de duração varia, portanto, é fundamental planejar os horários de saída e chegada, de forma que você não seja surpreendido pela escuridão da noite enquanto ainda está na trilha. Silva alerta que não é aconselhável estar no topo do Itacolomi numa tempestade, então é importante ficar atento nas previsões meteorológicas e só subir em situação favorável. 

- As pessoas devem sempre trazer celular, pois diferente do que muitos pensam o sinal em cima do morro é ótimo. E não esquecer de se hidratar, principalmente nos dias de calor. Também é fundamental trazer alimentos para não sofrer uma hipoglicemia ou mal súbito no meio do caminho. 

O tenente salienta que é importante estar com calçado e roupa apropriada para realizar a trilha com segurança. Ele reforça que os incidentes normalmente acontecem na descida, já que estão todos cansados e com menos controle do corpo, ou seja: toda a atenção é necessária.

- Quando vierem ao morro lembrem-se que da natureza nada se tira além de fotos, nada se deixa além de pegadas. 

 

: Formação rochosa de arenito encanta os moradores e visitantes da cidade | Foto KATTERINA ZANDONAI

 

Natureza abundante em meio à cidade

 

É evidente que não é de hoje que o morro Itacolomi desperta curiosidades e atrai olhares. O local não encanta apenas por sua imponência e beleza, mas surpreende pela vegetação, recursos hídricos e biodiversidade. 

 Na área de mata nativa de aproximadamente 50 hectares é possível encontrar dezenas de espécies de mamíferos, aves e répteis. A formação rochosa de arenito ainda abriga as nascentes de arroios como do Barnabé, Demétrio e Sapucaia.

Conforme a mestra em Geografia, geografa da Fundação Municipal do Meio Ambiente (FMMA) Valeska Almeida Marquette, o Itacolomi tem uma grande importância por constituir uma das manchas remanescentes de Mata Atlântica da região. Esta formação possui grande biodiversidade, abrigando diversas espécies da fauna ameaçadas de extinção.  

- O morro é um guardião da natureza, pois tem um papel importante na preservação de algumas espécies em situação crítica de perigo, como o peixe anual e o lobo-guará. No morro eles podem prolongar sua existência no estado e até mesmo superar esta perspectiva atual.  

Além desses animais, habitam no Itacolomi espécies como lontras, bugios, guará-chaim (pequeno lobo), mão pelada, marreca, pé vermelho, rato do banhado, arapuãs, saracura, capivaras, pombas do mato, sabiás e muitas outras espécies. Na natureza é possível encontrar também muitas bromélias, planta símbolo do município, e diversas variedades endêmicas, que só existem naquela região geográfica.

Valeska salienta que apesar do trabalho realizado por parte do órgão municipal este monumento natural vem sendo alvo de depredações diversas, dentre as quais alargamento de trilhas, desmatamento de vegetação e edificações poluídoras. 

 

Morro não, monte

 

E há uma polêmica tipo “lago ou rio Guaíba”. Chamar o Itacolomi de “morro”, com seus 345 metros de altitude, trata-se de um equívoco. O termo “monte” é  cabível neste caso. 

 

: Biodiversidade de espécies de plantas e animais chama atenção de pesquisadores

 

De patrimônio do RS a complexo turístico

 

Foi pensando em preserver essa região que em 2003 o símbolo da cidade foi declarado como patrimônio cultural do Rio Grande do Sul. 

A lei de autoria do hoje prefeito Marco Alba, na época deputado estadual, ampliou os meios estaduais de proteção ambiental e hoje o local está habilitado para receber recursos públicos e também firmar parcerias que envolvam a iniciativa privada. 

Marco enfatiza que um dos projetos de seu governo é construir no Itacolomi o maior complexo turístico receptivo da região.

- O Morro do Itacolomi é considerado patrimônio cultural do Estado. Sua utilização para fins de turismo, difusão cultural e preservação ecológica contempla todos os eixos de desenvolvimento que acreditamos necessários para a atração de turistas, divulgação da cidade e, claro, geração de emprego, renda e oportunidade para empreender - comenta otimista.

 

Assista ao vídeo que o Seguinte: produziu sobre o Morro do Itacolomi

 

CONTINUA AMANHÃ

Na segunda da reportagem da série Lugares - O Morro do Itacolomi como você nunca viu, conheça a sensacional história do desbravador do morro, cuja paralisia infantil não impediu de abrir caminho pela primeira via de escaladas do Rio Grande do Sul.

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