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GRAVATAÍ, 25/05/2018
pequenas empresas, grandes histórias

Empresário do ramo do Comércio, natural de Santa Catarina, veio para o estado com 12 anos e mora em Gravataí - onde tem duas lojas - há 54 anos

COM VÍDEO | Albrecht Schott, uma lição de vida

por Silvestre Silva Santos | Edição de imagens: Guilherme Klamt | Publicada em 09/03/2018 às 16h59| Atualizada em 15/03/2018 às 13h58

Se não é o mais antigo comerciante em atividade, em Gravataí, aos 84 anos, com certeza é um dos. Sem dúvida, porém, é um dos nomes com maior envolvimento comunitário e ativo participante de entidades representativas dos segmentos comercial e industrial, e presença marcante em instituições da cidade.

Poucos o chamam pelo seu real nome de origem alemã, de difícil pronúncia: Albrecht. Muitos o conhecem como Albert Schott, e a grande maioria o chama de “seu” Alberto, o dono de duas lojas Viva Modas no centro de Gravataí e que tem, ainda hoje, a responsabilidade pela compra de mercadorias, controle financeiro e planejamento anual do seu comércio.

Nesta semana ele recebeu o Seguinte: na sobreloja da matriz da Viva Modas, onde guarda estoques, recebe representantes-vendedores e, numa sala com não mais do quatro metros quadrados estuda o mapa do Brasil fazendo comparações sobre a dimensão territorial entre os estados, tem fotos da família e livros onde, antigamente, controlava na ponta do lápis o débito e o crédito de clientes.

Schott, literalmente, é um visionário no meio comercial. E dizer que ele é uma lição de vida não é exagero algum, principalmente quando ele encerra a entrevista (veja vídeo abaixo) dizendo que se considera um vencedor, no meio profissional e na vida pessoal, considerando sua origem na colônia e por ter chegado ao Rio Grande do Sul com pouquíssimo estudo.

--- Estuda. Estuda, estuda e estuda! É o que sempre digo para estes guris de hoje. Se com estudo já está ruim, sem estudar é que ele não vai conseguir ser grande coisa mesmo --- diz o veterano lojista de cabelos brancos.

 

: Pose na Viva Modas, loja que inaugurou em 1965 no centro de Gravataí

 

Barriga verde

 

Albrecht Schott é descendente de alemães, nascido na pequena Taió, Santa Catarina, em 28 de outubro de 1933, onde caminhava mais de seis quilômetros para ir estudar, até que uma nova escola fosse construída mais perto de sua casa por iniciativa de seu pai e de outros colonos-imigrantes, também vindos da distante Europa.

Casado há 45 anos com a cirurgiã-dentista – aposentada – Leda Maria da Silveira Schott, sem filhos, ele se instalou inicialmente em Porto Alegre onde começou a trabalhar. Metódico, coisa da rígida disciplina familiar, logo chamou a atenção e foi convidado para trabalhar em Gravataí, na antiga fábrica Icotron.

Logo em seguida, começou a vender artigos produzidos com um antigo tecido chamado “volta ao mundo”, principalmente camisas, ganhando comissão de 10%. Não satisfeito, tratou de comprar seus produtos diretamente de um fabricante gaúcho, para ter uma lucratividade maior.

E em 13 de setembro de 1965 viu registrada na Junta Comercial a razão social – nome que se mantém até hoje – da Viva Modas: Armarinho Gravataí Ltda. No tempo em que a moeda era o Cruzeiro, fez ginástica financeira entre São Paulo e Porto Alegre para abastecer as prateleiras novas da loja, que abriu oficialmente às 18h de uma sexta-feira, 28 de novembro.

 

Madureza

 

Foi em Gravataí que ele terminou o antigo ginasial – equivalente hoje ao ensino médio – cursando o antigo e já extinto “Madureza”, mais tarde Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização) depois Supletivo e atualmente EJA (Ensino de Jovens e Adultos). Foram dois anos de estudos que antecederam ao curso de Contabilista, no Colégio Dom Feliciano.

--- Se não fosse esse curso eu não tinha alcançado o que tenho --- diz, referindo-se ao conhecimento adquirido para gerir os negócios.

Para Gravataí, mais precisamente, Albrecht veio com 30 anos. Casou-se aos 36 anos com Leda e ambos moram até hoje na cidade. Além disso, o casal tem uma casa no balneário de Mariluz, único luxo ao qual se permite o direito de aproveitar, durante o período de férias. Garantindo que é uma pessoa de hábitos simples, Schott gosta de ver televisão antes de dormir e diz que acorda cedo, geralmente por volta das 6h30min.

 

: Schott mostra livros nos quais antigamente registrava o crediário

 

Na comunidade

 

E, pela comunidade, não é pouco o que o comerciante de pouco estudo produziu para Gravataí. A lista é extensa. Acompanhe:

 

: É um dos fundadores do Sindicato dos Lojistas de Gravataí, o Sindilojas, entidade da qual foi presidente por 12 anos e, desde então, é “o eterno” vice-presidente financeiro e de patrimônio. Junto com o atual presidente José Rosa, comandou a construção da atual sede do Sindilojas que, inclusive, leva seu nome, uma homenagem em vida que faz o empresário estufar o peito.

 

: Em 1973 tornou-se membro da então Associação Rural de Gravataí. Mais adiante, queria implantar em Gravataí o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) como forma de regrar as vendas a prazo, até então feitas geralmente “no fio do bigode”. Para isso seria necessário mudar o estatuto da Associação Rural, que acabou se tornando Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Gravataí, a atual Acigra. Está na diretoria há mais de 40 anos, ininterruptamente.

 

: Foi de sua iniciativa, portanto, a implantação do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) em Gravataí. Foi diretor do serviço pelo período de 16 anos.

 

: Membro do Lions Clube Gravataí há mais de 40 anos, clube de serviços do qual foi presidente por três mandatos.

 

: Juntamente com um grupo de ambientalistas e simpatizantes da causa, foi um dos fundadores da Associação de Proteção da Natureza do Vale do Gravataí, a APN-VG, atualmente presidida pelo geólogo Sérgio Cardoso.

 

: Ao lado de outros empresários e lideranças da cidade, participou da fundação do Banco de Alimentos de Gravataí, no ano 2009. Atualmente a entidade é presidida pelo advogado Roberto Bastiani.

 

: Com empresários e lideranças de diversos setores da economia, é um dos fundadores do Observatório Social de Gravataí e Glorinha, em 2016. Atualmente a entidade é presidida por Marco Antônio Varga Diniz.

 

Confira no vídeo a longa história de vida que o catarinense Albrecht Schott contou para o Seguinte:.

 

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