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GRAVATAÍ, 16/02/2019

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    Diou Borges faleceu nesta quarta, aos 39 anos

    Diou Borges, os bons morrem cedo

    por Andreo Fischer | Publicada em 03/01/2019 às 13h03| Atualizada em 10/01/2019 às 16h35

    É tudo nosso, dizia Diou Borges, em uma live no Facebook, pouco antes de sua morte aos 39 anos. Logo após o velório, o jornalista Andreo Fischer escreveu para o Seguinte: sobre o falecimento do artista de Gravataí, seu amigo

     

    Dizem que as boas pessoas morrem mais cedo. Talvez isso seja uma verdade. Prestes a completar 40 anos em abril, o cantor Diovani Borges, o Diou Borges, faleceu por causa de uma parada cardíaca após praticar uma corrida no fim da tarde desta quarta. Antes disso, ele fez uma live no Facebook onde cantava seus sucessos. A morte bateu em sua porta na rua mesmo, onde caiu desacordado e foi levado por uma ambulância para o hospital. Tarde demais. Seu óbito foi confirmado por problemas no coração. 

    Seu velório começou às 2 horas da manhã desta quinta-feira em uma funerária da parada 79. Diante da cena triste, de um corpo jovem sendo velado, a comoção foi grande, principalmente dos familiares, da filha e da companheira. Sobre o caixão, medalhas de corredor. As corridas era, como a música, uma paixão. Com o nascer do dia, outras pessoas foram chegando à despedida, amigos e parceiros de música. Nas redes sociais, as mensagens de luto lembravam o quanto o artista era querido.

    Diou não gostava de ser chamado de Diovani, seu nome de batismo. Era sim uma pessoa ambiciosa, mas sempre pensando no próximo e nunca querendo atingir os outros. Eu já conhecia o cantor “de vista” em 2015, mas foi só em 2017 que eu puxei uma conversa com ele.

    Eu estava montando meu portal de notícias, o Provável, e eu procurei o Diou para fazer uma entrevista. Não que praticamente todos os veículos da cidade já não o tivessem entrevistado, mas decidi apostar no artista como pauta de estreia. Ele me recebeu em um dos seus locais de trabalho, o Arena Bowling. Eu o flagrei dizendo na portaria que viria um brother dele para entrevista-lo e que era para deixar o couvert de graça. Diou tinha mania de chegar com certa antecedência nos locais onde se apresentava e, nesse meio tempo, conversei com ele e sua namorada.

    Relatei aos dois que tinha receios com o lançamento do site, tendo em vista a forte concorrência e a falta de capital financeiro. Diou brincou que esses concorrentes eram “bosta de qualquer bicho” e que ele confiava em mim e no meu trabalho. Tanto que não exigiu para ver a matéria antes de ser publicada, como fazem muitas fontes que desconhecem como funciona o trabalho jornalístico.

    O site foi ao ar em 22 de setembro de 2017 com a seguinte manchete: Diou Borges, reggae-rock para Gravataí e o mundo. Depois, publiquei outras matérias com cantor.

    Entre mais algumas visitas no Arena tomando o “drink do Diou Borges”, como ele mesmo nomeava uma bebida de morango, ele pediu um espaço no Provável para colocar um anúncio seu e em troca anunciaria o nome do site entre os intervalos de uma música e outra. Isso aconteceria em todos os locais onde ele tocava seu reggae, como uma loja de pasteis na Morada do Vale e um restaurante de frutos do mar, na parada 79, por exemplo. Aceitei.

    Então Diou, que era um agitador cultural, deu uma ideia ainda maior. Fazer uma festa de lançamento do Provável num restaurante. Eu disse a ele que não daria certo e nem tinha dinheiro para bancar boca livre de convidados. E quem iria numa festa de um jornalista que ninguém conhece, para prestigiar o lançamento de um site que tinha dias de vida? Ele insistiu muito, me ligou várias vezes e eu, mesmo contrariado, acabei aceitando. Imprimi convites em folhas de ofício e sai distribuindo até debaixo de chuva. Diou falou que os convites eram simples demais e que desse jeito ninguém viria mesmo.

    Cada um que chegasse pagava seu prato (como na verdade funciona em aniversários em pizzarias) e o Diou acreditava que o insucesso da comemoração foi por não ter comida farta e de graça para os convidados.

    – Tem gente que só vem pela comida, parecem urubus – ele disse para mim, sempre brincalhão.

    E o Diou tocou para quase ninguém. No final, me falou: “a vida é assim e tu vai te fuder muito ainda. Se tiver uma pessoa só, eu toco com a mesma vontade, sem problemas”.

    Diou Borges faria sua apresentação de toda quinta-feira numa lancheria da parada 79, mas a poucos metros dali seu corpo estava sendo velado. Minha crença me faz acreditar que ele vai fazer um som agora em outro plano espiritual.

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