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GRAVATAÍ, 11/12/2018

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    dia do amigo

    História dos novos amigos emociona | Montagem em fotos de OLHO NO ATLETA E FOCO RADICAL

    O quilômetro que uniu dois amigos

    por Katterina Zandonai | Publicada em 20/07/2018 às 14h47| Atualizada em 26/07/2018 às 18h24

    Amigo de infância, amigo irmão, amigo distante, amigo do dia a dia. A amizade pode existir entre homens e mulheres, irmãos, namorados, maridos, parentes e pessoas com diferentes vínculos. A amizade é tão importante, que foi criado um dia específico para homenagear a relação, dia 20 de julho. 

    A amizade pode ter diversas origens, como o meio em que as pessoas convivem, como o trabalho, o colégio, a faculdade, pessoas em comum, mas também pode surgir por acaso, como a amizade entre João Batista e Érico Duarte. 

    Tudo começou na Maratona Internacional de Porto Alegre, que aconteceu mês passado na Capital, quando o advogado de São Paulo Érico Duarte precisou ser ajudado por um desconhecido, faltando menos de um quilômetro para completar o percurso de 42 km. Emocionado com a atitude, ele resolveu, por meio de sua página no Facebook, encontrar a pessoa que estendeu a mão para ajudá-lo no momento em que mais precisou na corrida. 

    Um dia - e centenas de curtidas, compartilhamentos e comentários - depois, Érico Duarte finalmente pode conhecer a identidade do seu mais novo amigo, que é de Gravataí. Quer entender melhor essa história? Quer saber quem é essa pessoa? O que aconteceu depois? É melhor você mesmo ler os relatos de Érico, postados em sua rede social: 

     

    Antes do encontro...


    PROCURO UM AMIGO!

    Tenho amigos suficientes, aos montes, bem mais do que mereço. Mas gostaria de ser amigo também do cara da foto. Nunca o tinha visto antes, tivemos pouco contato, talvez nunca mais o veja. Sei que é gaúcho de Gravataí, boa gente, provavelmente treinador de corrida e certamente cheio de amigos. Gosta de futebol? É Grêmio? Inter? Não sei de mais nada. Ajudem-me! Compartilhem! Preciso mesmo encontrar esse cara! Obrigado!

    Agora, pra quem tiver paciência e gostar muito de esportes, a história (e senta que lá vem…): Maratona de Porto Alegre. Acordei confiante, certo de que completaria minha quarta maratona na meta pré-estabelecida: 3h29’, ou algo próximo e abaixo disso. Chovia, fazia frio e alguns raios estalavam no horizonte. Meros ‘detalhes’. Sentia as pernas leves, a mente tranquila e o coração suave, praticamente não senti os primeiros 10 km. Tudo caminhava muito, muito bem. Segui o ritmo planejado sem fazer muito esforço, e foi assim, “passeando”, que cheguei à metade da prova (21k) em pouco mais de 1h44’. Tudo dentro do esperado. Bastava manter a cabeça no lugar, administrar o “conforto” por mais 16 ou 17k e chegar bem na reta final. Fiz tudo certo; cumpri rigorosamente o protocolo. Vieram os 22, os 25, os 28, os 29km, e tudo continuava sob controle: Era, pela lógica, para ser ‘o dia’! Era... 

    Mas talvez a maior graça do esporte resida no fato de que teorias, suposições e certezas que levam horas, dias, anos para serem criadas, podem se esvair em segundos. Bingo! Logo após ultrapassar a placa indicativa dos 30km, senti uma fisgada, uma puxada, uma ‘sei-lá-o-quê’ bem forte atrás no posterior da coxa direita. “Do nada”, sem qualquer aviso, toda a teoria começou a ruir. ‘Ela’, a temida cãibra, um dos maiores pesadelos dos maratonistas. Ali percebi, era o fim da linha. O mais sensato seria esquecer a prova, pegar um táxi e voltar para o hotel. 

    Mas quem se propõe a completar maratonas torna-se alguém naturalmente desprovido de qualquer sensatez, e não fujo à regra. Esqueci o relógio e segui caminhando, por vezes parando para ‘salvar’ a musculatura com alongamentos, por outras vezes arriscando alguns trotes. Pela lógica, quem corre por 30 quilômetros pode perfeitamente, por que não?!, caminhar por mais 12. Mas a tal da lógica, já vimos, pouco combina com o mundo do esporte. Que sofrimento! Cada quilômetro, antes mero passeio de cinco minutinhos, passou a ser um calvário. A primeira ‘submeta’ era chegar no km 35, pois ali eu encontraria os professores da minha assessoria, tomaria um remédio, respiraria um pouco e seguiria em frente. Feito! 

    A anestesia natural da endorfina, o corpo ainda aquecido e a vontade de chegar foram meus parceiros. Dali em diante, pensei, a tarefa não seria das piores: “só” mais 7 quilômetros, com cautela, sem deixar que a perna estourasse de vez. Resolvi alternar 3 minutos de corrida leve com 1,5 ou 2 minutos de caminhada; e assim fui até o km 37. 

    A partir daí, meus caros, o bicho pegou de vez! O frio e o vento do sul bateram firme no uniforme molhado; passei a sentir dores em todo o corpo, desde as pontas dos dedos até o couro cabeludo, e a sentir as bolhas causadas nas solas dos pés em razão dos tênis e meias encharcados. Ainda assim, fui: 38,39,40 km, choro, vontade de sumir... 41, 41,2, 41,3 km e o caos se instalou a pouco menos de 900 metros da linha de chegada. 

    Como praga, a cãibra passou a se espalhar pelo corpo. Senti-la subir pela lombar tirou toda a minha coragem. Não teve mesmo jeito: sentei na guia, chorei, desisti. Sem pórtico, sem medalha, sem cumprir a promessa. Mas confesso: não foi por isso, e sim pelas dores, como nos tempos de criança, que chorei. Talvez pela primeira vez na vida, se a memória não me falha, fui paralisado pelas dores. 

    Sentado, passei a esperar que alguém me resgatasse... Não houve tempo! O ‘cara’ da foto, com quem jamais havia me deparado, surgiu sabe-se-lá de onde: “Guri, não vais terminar a prova?!”. “Bah, falta menos de 1 quilômetro, guri, vais mesmo desistir?!”. Entre vários dos piores palavrões, agradeci pela ajuda e deixei claro: não havia a menor condição. Aí veio o inesperado: o ‘cara’ esbravejou, agachou na altura dos meus olhos e disse: “tá decidido: tu vais terminar, e irei contigo até o final”. “Que cara maluco”, pensei. E o “maluco” passou a fazer o melhor trabalho psicológico, no menor intervalo de tempo, do qual tenho notícia. Entre outras coisas, perguntou se eu tinha filhos e, ante a resposta positiva, mandou ver: “Guri, pois quantas vezes deixaste tua mulher e tua filha para ir treinar? Não vais mesmo terminar? Pense em quanto sofreste nos treinos, pense nas vezes que largaste tua família... vais desistir a menos de 1 quilômetro da linha??” 

    Que ‘tapa na cara’! Como num passe de mágica, forças surgiram do além; consegui voltar a trotar. O cara veio mesmo comigo, correndo, sofrendo meu sofrimento, dizendo belas palavras de incentivo e, mesmo eu insistindo para que cruzasse a linha ao meu lado, se despediu de mim a poucos metros dela. Não sem antes de me dar um fraterno aperto de mão, não sem antes de me devolver a certeza de o ser humano é sensacional (salvo raras mas impactantes exceções). E não sem antes de me dizer algo do qual jamais esquecerei: “Lembre-se sempre do quanto tu és forte, guri!”. Que cena! 

    E foi assim que me despedi do ‘cara’: vencedor, confiante, como se houvesse me despedido de um velho amigo. O que era pra ser o caos, tornou-se um belo momento, e ele continuou ali, esperando que eu cruzasse, torcendo por mim, pelo simples prazer de ajudar um desconhecido. Não tive sequer tempo de agradecê-lo, mas os olhares das fotos, acredito, dizem muito: o cara desconhecido é, sem dúvida, um velho amigo!

     

    ... e depois do encontro

     

    "A GENTE NÃO FAZ AMIGOS; RECONHECE-OS"

    A frase de Vinícius, meu poeta favorito, traduz meu pensamento com perfeição.

    Só tenho a agradecer à corrente do bem, cheia de palavras lindas e energias positivas, que me permitiu reconhecer o João Batista (JB), de Gravataí. Hoje nos falamos por telefone, uma conversa breve e cheia de emoção que me tirou qualquer dúvida: tive a sorte de reconhecer um amigo de outras vidas, reaproximação que só foi possível graças à manifestação de pessoas do bem e, certamente não por acaso, por termos aderido, cada um por suas razões, a um esporte que tem transformado positivamente tantas vidas: corrida de rua.

    Do fundo do coração, fica aqui o modesto porém sincero agradecimento a todos que se empenharam de alguma forma para que isso fosse possível. Logo mais nos encontraremos pessoalmente, choraremos, daremos boas risadas e traremos um belo relato do reencontro.

    Por fim, e sem qualquer pretensão, ouso expressar duas mensagens que a pior - que, no fim das contas, acabou por ser a mais bacana - das minhas maratonas me trouxe: a luz é maioria e sempre, sempre, prevalecerá, muito embora por vezes a vida se mostre inclemente, deixe-nos de joelhos e nos induza a falsas conclusões. Além disso, as redes sociais, por vezes são centros de desencontros e discórdias, têm um belo potencial de gerar energias positivas e permitir belos reconhecimentos. Só depende de nós.

    OBRIGADO!

     

    Apaixonado por corridas

     

    João Batista não esconde a emoção ao relembrar a história. 

    - Eu estava lá naquele dia para ajudar os amigos de Gravataí. Auxiliei o Luciano Oliveira a terminar a primeira meia maratona dele, chegamos até o fim em 2 horas e 30 minutos. Depois disso, o combinado era eu voltar quatro quilômetros para buscar a Teresinha Pinho Soster e cruzar a linha de chegada com ela. Depois de fazer isso, voltei para o ponto onde o Érico caiu e Deus me abençoou a ajudar ele.

    O gravataiense, que é um apaixonado por corridas, agora mais do que nunca tem incentivos para continuar correndo. 

    - Eu sou muito feliz por poder correr. Eu falo para as pessoas que Deus deu fôlego de vida e temos que agradecer todos os dias por isso. Não podemos ficar em casa depressivo ou achando que não dá. Seu eu consegui todos conseguem.

    João Batista convida quem tiver interesse a participar dos treinos de corridas promovidos pelo grupo Night Runners Gravataí, que acontecem todas as terças e quintas-feiras às 20h, em frente a Prefeitura. 

    - É gratuito, é só chegar, não tem dono, nao tem cor, raça ou religião. Todos são sempre bem-vindos.

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