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GRAVATAÍ, 25/11/2020

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    Atleta de 15 anos, moradora de Gravataí, joga na equipe Sub-17 do Internacional e sonha ser profissional do futebol feminino

    COM VÍDEOS | Cássia, um sonho que começa no Beira-Rio

    por Texto: Silvestre Silva Santos | Vídeos e fotos: Guilherme Klamt | Publicada em 26/06/2017 às 10h37| Atualizada em 11/02/2018 às 18h35

    Ela tem só 15 anos e 1,57 metro de altura.

    Mas fala como gente grande, tem postura de gente grande, e que jogar, num futuro não muito distante, como gente grande.

    Quem sabe como Marta Vieira da Silva, ou simplesmente Marta, a atacante da Seleção Brasileira de Futebol Feminino que atualmente joga no Orlando Pride dos Estados Unidos e já ganhou cinco vezes a Bola de Ouro, maior prêmio do futebol mundial.

    E determinação para isso ela tem.

    Mas... ela quem?

    Estamos falando de (ou escrevendo sobre!) Cássia Santos Guimarães, ou simplesmente Cássia, uma porto-alegrense nascida em 22 de julho (mês que vem ela completa 16 anos) de 2001 mas que sempre morou em Gravataí com os pais Laone Pinedo Guimarães e a mãe Lisiani dos Santos, além de uma irmã, 25 anos.

    A estudante do 1º ano do Ensino Médio na Escola Dom Feliciano bate bola desde os cinco anos e conta que já brincou de jogar no Paladino Tênis Clube e, depois, no Genoma Colorado. Cássia, que ainda está indecisa entre as faculdades de Educação Física ou Psicologia, começou a realizar seu sonho em 2013 quando ingressou na escolinha do Grêmio.

    Mas viu as possibilidades de se tornar profissional materializarem-se no começo deste ano quando soube de um ‘peneirão’ do Sport Club Internacional – seu time do coração! – que estava montando um time Sub-17 de futebol feminino. Ela foi a Alvorada e sob chuva enfrentou gramado e a bola molhados, mais uma centena de pretendentes.

    Cássia foi uma das seis meninas chamadas para o elenco do clube na sua categoria e na sua posição, volante.  E desde março passado ela faz parte do time, treinando às terças, quintas e sábados, geralmente no Parque Gigante da Beira-Rio, na avenida Padre Cacique, em Porto Alegre.

    E foi num destes treinos, excepcionalmente na Faculdade de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) que Cássia conversou com a reportagem do Seguinte:, após uma sessão puxada de preparação para as semifinais do Estadual da Base.

    O grupo das meninas coloradas se classificou em primeiro lugar e o calendário dos próximos jogos deve ser anunciado segunda, dia

    26.

     

    : Cássia, atleta de Gravataí que joga no Sub-17 do Inter que ser uma jogadora profissional

     

    Cássia diz para o Seguinte: o que pensa sobre o futuro.

     

     

    O comando do time em que Cássia joga é da treinadora Tatiele Silveira e, no elenco, ao todo, estão 21 meninas. Na quinta o que a reportagem assistiu foi o que Tatiele definiu como um treino educativo de bola aérea com finalização de primeira. Uma sucessão infindável de cruzamentos feitos de ambas as laterais e em velocidade.

    Coisa de tirar o fôlego do repórter sentado na casamata à beira do gramado.

    Tatiele, sempre sorridente e bem falante, explica que Cássia é segundo-volante titular que tem boa velocidade e muita qualidade quando tem a bola dominada. A prioridade é que faça a ligação da defesa com o ataque, mas também pode jogar na armação.

     

    : A prioridade de Cássia é ligar a defesa ao ataque, mas também pode fazer a função de armadora

     

    --- A Cássia é uma jogadora que se dedica muito e tem uma qualidade técnica muito boa --- diz a treinadora.

     

    Confira o que diz a técnica do time feminino.

     

     

    A colega

     

    Sara também é volante na equipe feminina Sub-17 do colorado. Mais do que isso, é uma amiga daquelas que pega carona para voltar para casa. Ela mora em Cachoeirinha. Sara também tem Guimarães no sobrenome, mas não é parente de Cássia.

    Para Sara Guimarães, de 17 anos, o convívio mais próximo com Cássia só facilita as coisas porque as duas – além de desempenharem a mesma função – conversam muito sobre todas as coisas, mas principalmente sobre futebol.

    --- Ser colega dela é muito bom porque a gente é muito amiga e desempenha a mesma função no time. A gente fala muito sobre o que e como fazer, o que pode ficar melhor, e a troca de experiência fica bem mais fácil --- diz Sara.

     

    : Sara também é volante e amiga de Cássia, com quem troca confidências

     

    Tem preconceito

     

    A jogadora não tem ‘papas na língua’ para dizer que há, sim, muito preconceito vindo de todos os lados quando ela conta que joga futebol. Mas garante que ‘tira de letra’ as situações mais embaraçosas, que até já está acostumada, e que isso é uma situação que deve mudar.

    Afinal, foi-se o tempo em que menina tinha que ficar apenas brincando com bonecas ou sendo preparada pela mãe para ser uma dona de casa e esposa exemplar. Segundo Cássia, o importante é “ter maturidade” e a “cabeça no lugar” para saber se impor e enfrentar as adversidades.

     

    Assista!

     

     

    MAIS SOBRE CÁSSIA

     

    1

    A jogadora gravataiense estava indecisa, no começo do ano, entre mudar para os Estados Unidos a fim de jogar e estudar. Com o contrato firmado com o Inter, o projeto está adiado para 2018.

     

    2

    Cássia diz que gosta muito do jogador D’Alessandro, que é seu ídolo. Mas que considera muito o futebol e a capacidade do pelotense Rodrigo Dourado, volante como ela.

     

    3

    Além dos treinos técnicos e táticos nas terças-feiras, quintas e sábados, Cássia ainda estuda e frequenta academia como forma de ganhar força muscular. “É bem puxado”, admite a pequena atleta.

     

    4

    A colorada admite que chorou – “por uns 10 minutos, pasma, no sofá”, conta – quando o Internacional empatou com o Fluminense em dezembro passado, resultado que selou a queda para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro.

     

    5

    Cássia, embora seja titular como volante no time de Tatiele, ainda não tem gol marcado na equipe feminina do Internacional. “A posição não ajuda muito”, explica, acrescentando que não é exatamente fazer gols a sua função principal.

     

    6

    Tatiele, que comandou o treino de quinta com a trilha sonora de uma meia dúzia de quero-queros, foi auxiliar-técnica da Seleção Brasileira Sub-17 no ano passado quando disputou o mundial na Jordânia. O Brasil não passou da fase classificatória.

     

    : A treinadora Tatiele Silveira disputou mundial de 2016 na Jordânia como auxiliar técnica

     

    O que ela pensa

     

    SOBRE DROGAS:

    --- Meus pais sempre conversam muito comigo a respeito das drogas, me alertam bastante sobre manter distância e não me sentir influenciada por ninguém. Queria que as pessoas não se sentissem pressionadas a usar drogas só para fazer parte de um grupo, o que é muito comum. No caminho que eu quero trilhar, não tem espaço pra esse tipo de coisa.

     

    SOBRE POLÍTICA:

    --- O Brasil está passando por um período muito conturbado. A população está sofrendo as consequências de atos sujos de gente que é obcecada por poder e dinheiro, quando na verdade seu papel é melhorar a qualidade de vida das pessoas. Nessas horas eu lembro muito do meu avô, que foi político e tinha um coração enorme. Gostaria de citar ele porque é uma pessoa que faz uma falta inimaginável na minha vida.

    (Cássia é neta do ex-prefeito de Gravataí, Abílio Alves dos Santos)

     

    Boa de texto

     

    Redação de Cássia para o “Gigante sobre Linhas” publicado em 9 de março passado, por ocasião da Semana da Mulher, em que ela fala sobre sua paixão pelo Internacional e sua chegada ao time feminino Sub-17.

     

    Fiquei pensando em palavras que pudessem descrever o meu amor pelo Inter, e cheguei à conclusão que não há como explicar esse sentimento. Ao ler alguns textos de outros colorados, notei que boa parte deles também sente isso. Me perguntei se não soaria repetitivo e clichê dizer o mesmo, e então pensei que é justamente essa "repetição" que nos une, que nos torna os colorados que somos, que coloca tanta gente dentro do Beira Rio, que faz com que o Inter tenha um quadro social tão grande e apaixonados mundo a fora.

    Como é delicioso participar de uma Libertadores. Ter visto o inter meter 3 a 2 no jogo de volta da final contra o Chivas. Era muito novinha e ainda lembro com detalhes. Encolhida no sofá, ainda com a tensão de um jogo de ida no México, de uma virada inesquecível. Poder encher o peito para dizer que calamos o Barcelona em 2006. E, assim como eu tenho orgulho e me emociono ao dizer que tive a

    oportunidade de ver tudo isso, com a mesma coragem eu, e acredito que muitos outros colorados, vamos nos sentir orgulhosos ao poder dizer que também

    ajudamos o nosso time na dificuldade.

    2016 fez eu entender e colocar à prova esse amor. Foi um ano dificílimo, inacreditável. Fomos do céu ao inferno em muito pouco tempo. Eu já achava a nossa torcida SENSACIONAL, mas ano passado nós fomos além. Foi surreal a quantidade de gente apoiando até o último jogo no Beira; cantando, defendendo, cobrando, chorando.

    Cresci vendo meu time conquistar títulos. O Inter nunca havia sido rebaixado, e eu achei que nunca veria isso na minha vida. Fiquei brava, chorei, custei a acreditar. E, quando o "caixão" foi selado de vez, naquele jogo contra o Fluminense, eu senti que assim como as pessoas deveriam amar e respeitar o próximo pelo que eles são, e não pelo o que eles têm, eu amo e admiro o Inter pelo clube e história gigante que construiu, e não pela divisão que joga.

    Desde pequena meus pais sempre me levaram para o estádio, incentivaram, fizeram questão de alimentar esse sentimento saudável. Hoje em dia não é diferente. Procuramos estar sempre presentes. Nos encontros de família, nos churrascos de domingo, nos reuníamos para assistir os jogos do Inter.

    Isto contribuiu para gerar o amor que eu tenho por jogar futebol. Eu jogo desde os meus 5, 6 anos de idade. O que um dia foi só brincadeira, começou a se tornar realidade à medida que eu fui crescendo. Não foi fácil achar um lugar para jogar. Ainda não é. Sempre houve muito preconceito e olhares estranhos já que nas escolinhas que eu treinava eu era a única menina entre os guris. Minha mãe levou anos para que me autorizassem a participar do futsal extra-classe do colégio, e quando conseguiu, inicialmente os meninos tentavam se aproveitar do fato de eu ser menina, querendo usar a força. Felizmente tive professores compreensivos e que exigiam respeito e isso foi contribuindo com o meu sonho e todos se acostumaram com aquela situação.

    Eu tenho muitas coisas para amadurecer ainda, tenho MUITO o que batalhar para crescer, tenho muito suor pela frente para merecer a chance de fazer o que eu amo. Mas é com enorme satisfação que, desde terça-feira, eu tenho a felicidade de poder aliar o sentimento de torcedora do Inter ao sentimento de alguém que, quem sabe, pode crescer dentro do clube através do próprio futebol. Eu fiz a peneira do Internacional com 700 meninas e fui aprovada para jogar na categoria sub-17 como volante. Ainda não acredito. É surreal pensar que de alguma maneira eu vou estar no meio de dois amores tão grandes e puros, que crescem comigo desde que eu nasci.

    Eu espero que o futebol feminino continue quebrando barreiras e abrindo portas. Todas as gurias que sonham com isso merecem, É uma luta muito dura e é justíssimo que seja recompensada.

    Muito obrigada, Inter, por cada choro, alegria, gol, e momentos de superação. Obrigada por manter viva a adrenalina de ser colorada. Obrigada pelo santo cachorro-quente do Beira Rio que forra meu estômago em todos os jogos. Que eu possa retribuir, agora como jogadora, ajudar a quebrar preconceitos, defesas, fazer gols e seguir te amando. É o Inter!

     

     

    : Depois do treino de quinta, Cassia mandou mensagem dispensando a carona do pai e da mãe. Ela voltou para casa com o Seguinte:.

     

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