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GRAVATAÍ, 25/01/2021

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    Jeane Bordignon

    Jeane Bordignon é jornalista e poeta. Autora do livro Brado Carmesim. Publica seus poemas na página facebook.com/voos.e.palavras e no Instagram @jeanebordignon
    a coluna da jeane

    Histórias de bromélias

    Por Jeane Bordignon | Publicada em 23/01/2021 às 14h54

    A ideia de que a bromélia é a flor-símbolo de Gravataí teve seu ápice em 2004, quando a prefeitura, pensando em fomentar o turismo, criou a Festa das Bromélias. O Parcão da 79 recebia estandes com vendas de plantas, palestras sobre os tipos e cuidados, apresentações artísticas, toda uma programação temática.

    Já contei, numa coluna de novembro, que representei o jornal CG no tour que apresentou a Festa para jornalistas da região. Naquele dia, ganhamos uma mudinha de bromélia. Não sei se todas eram iguais, mas a minha era uma Neoregelia Raphael que até hoje resiste no jardim aqui de casa.

    Como guardei o nome completo? O evento me rendeu várias matérias, inclusive com os tipos mais comuns de bromélias. Na época eu tinha as espécies e os cuidados na ponta da língua.

    Esse nome também ficou inesquecível porque era o mesmo nome do meu editor (ele mesmo, o Martinelli). O tour foi no sábado, e óbvio que eu cheguei no jornal na segunda-feira dizendo que tinha ganhado uma bromélia com o nome dele.

    Outra que memorizei foi a Achemea Fasciata, porque ganhei um vaso bem florido como agradecimento de uma entrevistada. Apesar da entrevista não ter nada a ver com plantas, dar bromélias era moda aqui na aldeia naqueles meados dos anos 2000.

    Imaginem eu pegando o Sogil (ônibus daqui) carregando um baita vaso espinhento? Claro que tive que esperar para pegar um ônibus mais vazio. Nem sei como passei a roleta, acho que apoiei o vaso na bancada do cobrador. A vantagem é que ninguém queria sentar do meu lado.

    Essa Achemea ainda tem “filhotes” aqui no jardim. É uma das minhas bromélias preferidas, pelas cores das flores, pelo formato delas também. Acho que parecem joias em meio ao verde.

    Mas apesar da festa usar muito as imagens de Neoregelias, Achemeas e outras espécies vistosas, a verdadeira planta-símbolo da nossa cidade tem bem menos glamour. Gravataí (ou Gravatahy), em tupi-guarani, significa “rio dos gravatás”

    E o gravatá, meus amigos… parece mais um emaranhado de folhas compridas como as de babosa, mas com uns espinhos gigantes. Sério, são uns espinhos tão robustos e afiados que poderiam ser usados como arma, acho. Em resumo, o gravatá é uma moita grande, esquisita e espinhenta.

    Reza a lenda que nas margens do nosso rio havia muitas dessas plantas, por isso os índios que instalaram aqui a Aldeia dos Anjos o chamaram de Gravatahy. E oficialmente o gravatá se chama Bromelia Antiacantha.

    Então a realidade é que o slogan “Cidade das Bromélias” tem mais marketing do que verdade. Não estou dizendo que é mentira. O gravatá pertence mesmo ao gênero das bromélias. Mas não é bonito como as plantas coloridas que ilustram os cartazes…

    Será que foi por isso que as bromélias perderam o status e a festa saiu do calendário da cidade? E parece que sumiu até das memórias. Achei pouquíssimos registros no Google. Nenhum das edições feitas no parcão, a não ser um cartaz.

    Se eu não tivesse as matérias guardadas, podia ia até pensar que a Festa das Bromélias foi um delírio. É estranho esse apagamento… ou nem tão estranho assim, dadas as pendengas políticas na história recente da cidade.

    Não sei se quem também viveu aquela época tem a mesma sensação, mas é no mínimo curioso que todo o movimento para construir a imagem da Cidade das Bromélias tenha sido abandonado e esquecido como quem esquece um ex que não deixou boas memórias.

    A iniciativa era boa e podia gerar muitos frutos. Digo isso como profissional de comunicação que acompanhou o início dessa história. Claro que não lembro com detalhes do que foi apresentado no tour para jornalistas, mas, pelo que me recordo, aquele roteiro estava sendo pensado não só para apresentar a festa, mas para ser explorado como passeio turístico.

    Até os prédios históricos e monumentos da cidade foram mais valorizados naquela época (Mas isso também tinha o dedo da Denise Pacheco Lopes, tão apaixonada pela nossa aldeia que se formou como guia de turismo e criou livros infantis apresentando a história de Gravataí. Saudades, Medonha!)

    É, sou nostálgica e gosto de remexer no passado. É uma pena encontrar tão pouco conteúdo sobre a Festa das Bromélias e a “época de ouro” do Parcão, que recebia também a Feira do Livro e shows de bandas famosas. Sei que é um passado problemático também, por questões políticas e financeiras, mas que história não tem uns problemas no seu percurso?

    A escassez de registros também se deve a estarmos falando de uma época onde os celulares ainda eram usados para ligar e mandar sms… Os mais modernos até já tinham câmera, eu acho, mas a definição era quase inexistente. Até as câmeras digitais ainda deixavam a desejar, e eram caras. Em 2006 eu ainda usava câmera analógica, daquelas de revelar o filme. Sério!

    Talvez os arquivos do CG (que já usava foto digital, claro), tenham o maior acervo sobre a Festa das Bromélias. Seria legal resgatar. Acho que não levei câmera no tour, porque podíamos contar com as fotos oficiais feitas pela assessoria da prefeitura. Inclusive apareço (de costas) na foto que ilustra a matéria.

    Mas da festa mesmo… alguém tem fotos? Ou histórias? Quem quiser partilhar comigo, pode mandar no [email protected] , e quem sabe participar de uma segunda coluna sobre a Festa das Bromélias, a flor-símbolo de Gravataí.

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