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    a coluna da jeane

    Vem vacina!; O que eu gostaria de fazer

    por Jeane Bordignon | Publicada em 01/02/2021 às 12h38

    Sonhei que recebia a vacina contra o coronavírus e saía do posto toda feliz com o cartão carimbado. Dizem que sonhos refletem nossos desejos mais profundos. E realmente, nunca desejei tanto uma vacina!

    Sei que provavelmente estarei na última leva dos vacinados, mas só de saber que meus pais vão ser imunizados logo, já dá um baita alívio. E minha nonna querida já recebeu a primeira dose na clínica onde mora.

    Também sei que até alcançarmos a tal “imunidade de rebanho” vai levar um tempo ainda, e que a vida social da gente não volta ao habitual nesse ano… mas só de termos começado a vacinação, já alegra o coraçãozinho.

    Quase um ano que voltei para a aldeia e já caí no isolamento social, não deu tempo de matar a saudade de nada do que fiquei longe nos cinco anos de Rio de Janeiro. Então, como a gente diz no baile, “tô com o pé que é um leque” para sair por aí.

    Sou bem caseira, mas depois que estiver linda, leve e imunizada, estarei aceitando todos os convites, principalmente para:

    : tomar um chima no Parcão da 79 ou uma cervejinha ali perto;

    : comer uma pizza na Rodapizza;

    : reunir a galera na Pasmania;

    : passear na Casa de Cultura Mario Quintana, Margs, Gasômetro;

    : garimpar nos sebos da Riachuelo e da General Câmara;

    : ir ao cinema;

    : ir ao teatro;

    : comer um xis no Cavanhas;

    : comer um pastel do uruguaio da Lima e Silva (ainda existe a pastelaria?) com muito chimichurri;

    : passear na Redenção;

    : tomar um suco na Lancheria do Parque;

    : ir a saraus! No plural, sim! Principalmente Sarau das Minas e Gente de Palavra;

    : tomar um café no Mercado Público;

    : fazer comprinhas nos artesãos da Praça da Alfândega;

    : passear no Brique da Redenção;

    : tomar sorvete em buffet;

    : ir a barzinho com música ao vivo;

    : ir no Comitê Latino- Americano;

    : ver uma apresentação do Ói Nóis Aqui Traveiz;

    : conhecer o museu Iberê Camargo (pois é, não conheço ainda);

    : passar uma tarde deliciosa no Jardim Botânico;

    : conversar muito, numa mesinha de calçada, bebendo aquela cerveja bem gelada;

    : conhecer espaços culturais e barzinhos novos;

    : qualquer coisa que envolva arte e bom papo.

    Mas claro que, mais do que tudo, quero abraçar muito as pessoas queridas. Como os abraços fazem falta! Não dá nem para pensar muito nisso, que bate uma melancolia.

    Esse tempo de angústia vai passar. E quanto pudermos estar fisicamente juntos de novo, daremos mais valor a cada momento. Tem muita coisa na vida que a gente só dá valor quando perde ou fica distante. Você com certeza se lembrou de algo (almoço de mãe, por exemplo).

    Precisamos só de um pouco mais de paciência. E de consciência também, porque devemos usar máscara e manter distanciamento por um bom tempo ainda. Não custa tanto assim. Melhor eu não dizer o que penso de quem chama a máscara de focinheira e rejeita a vacina! Prefiro evitar os palavrões na coluna…

    E se a vacina nos transformar em jacarés, serei uma réptil feliz, balançando a cauda por aí. Que venha a vacina! Meu braço espera ansiosamente.

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