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    a coluna da jeane

    Então é Natal, e o que você fez?

    por Jeane Bordignon | Publicada em 17/12/2020 às 18h55

    Se você deu aquela escapadinha do isolamento para ir fazer alguma compra necessária, já ouviu os versos acima, que tocam em praticamente toda loja nessa época do ano. E se é um tanto reflexivo, sentiu o impulso de fazer aquele balanço de 2020. Quem faz aniversário em dezembro, como eu, nem precisa da musiquinha, o fechamento de mais um ciclo já nos conduz a uma viagem pelos meses anteriores.

    A primeira lembrança que me vem é de dor. A pior dor que já senti na vida. Ainda não sei se ter memória fotográfica (ou seria cinematográfica?) é uma maldição ou uma benção, mas consigo me rever sentada na calçada gritando a cada pequeno movimento e quase perdendo a consciência para conseguir levantar (com a ajuda da mana Daise e dos policiais que me socorreram), de tanto que doía. As lembranças são meio embaçadas pela dor, mas estão todas aqui dentro.

    Também revejo com clareza o desespero de não conseguir nem sentar na cama sozinha nos primeiros dias, a dificuldade de tomar banho sem poder largar o braço (foi mais de um mês precisando de ajuda da mãe), a agonia de sentir o braço solto mesmo com a tala. A cirurgia até foi um alívio, porque voltei a sentir que meu braço estava preso ao corpo e fiquei livre da tala, que era pesada e me deixava cansada de carregar aquele peso extra.

    O segundo capítulo do meu “filme de 2020” é sobre as limitações que a fratura me trouxe. Já estou conseguindo ficar sem tipoia por algumas horas e segurar as coisas com a mão esquerda, mas o punho e o polegar continuam sem movimento para cima e bastante rígidos. O ombro também está bem travado, levantar ou botar o braço para trás são ações que me exigem muita concentração e geralmente me fazem de gemer de dor.

    Ainda não fui encaminhada para fisioterapia porque estou aguardando (na fila do SUS) uma avaliação para saber se preciso de microcirurgia no nervo radial. Enquanto isso vou me adaptando a essa condição que não sei até quando vai durar. O médico garantiu que o dano ao meu nervo tem conserto. Mas com essa pandemia atrasando tudo, dá medo da microcirurgia chegar tarde demais.

    Poderia pensar que 2020 foi um ano ruim, por ter me feito passar por tanta dor e deixar sequelas para consertar no ano que vem? Talvez. Mas como sagitariana que sou, sempre tento tirar algo bom de tudo. Um processo de reabilitação como o que estou vivendo faz a gente dar valor para coisas que antes até reclamava. Depois de quatro meses, consegui lavar um pote de plástico e três talheres (o prato de vidro fiquei com medo de deixar cair e não arrisquei). Quando eu imaginaria ficar feliz por lavar louça?

    Além disso, o tombo só aconteceu em agosto… E muita água já tinha rolado embaixo da ponte de 2020. Iniciei o ano terminando meu casamento! Os dois primeiros meses, além de preparação para encerrar um ciclo na vida emocional, foram o finalzinho do meu contrato no IBGE (lugar que eu gostei bastante de trabalhar). Findos casamento e contrato, fiz as malas e voltei para a casa dos meus pais. Tinha pressa de vir logo no início de março, para comemorar com meus velhos os 40 anos de casamento deles.

    E ainda bem que vim logo, pois na metade de março já entramos em isolamento social. A missa das bodas foi a última que assistimos. Pelo menos presencialmente, porque a mãe assiste missa todo dia na televisão. Eu tinha planejado descansar um pouco nos primeiros meses, cuidar da minha ansiedade e do estômago que tinham descompensado no ano anterior, e decidir com calma quais seriam os novos rumos da minha vida.

    Nas primeiras semanas do isolamento, ajudei a mãe a fazer umas boas faxinas por aqui, principalmente naquele “quartinho da bagunça”, que agora está bem encaminhado para ser nosso quarto de costura, quando for seguro chamar alguém para consertar a máquina. Aí vou finalmente aprender a costurar na máquina, nem que seja apenas umas saias e vestidos simples.

    Dizem que organizar a casa ajuda a gente a se organizar por dentro… talvez seja por isso que num primeiro momento foquei na faxina. Com fora e dentro mais organizados, senti o impulso de voltar a estudar, e quando li a lista de disciplinas da pós-graduação em Arte-educação, foi amor à primeira vista. E foi preciso muito amor mesmo, porque me arrebentei na segunda semana de aula. Nem sei como venci a primeira disciplina estando tão dopada de remédios. Acho que foi na luta para acompanhar as aulas que comecei a seguir meu novo mantra: “Devagar e sempre.”

    Aliás, o tombo também ocorreu pouco tempo depois de eu começar a procurar emprego com mais afinco. Parece que a vida me jogou no chão dizendo “Sossega, que ainda não é hora”. Eu precisava mesmo de mais tempo para elaborar tudo que vivi no Rio de Janeiro e descobrir a mim mesma. Entender alguns porquês e descobrir qual é meu caminho nessa vida.

    Apesar de todas as tristezas que essa pandemia trouxe, tantas perdas (estou escrevendo essa coluna enquanto ouço Roupa Nova, ainda inconformada com a partida do Paulinho), tantas dificuldades para tanta gente… 2020 foi um grande ano para mim. O ano em que aprendi a me amar! Para quem passou a maior parte da vida com baixa autoestima, é uma conquista que nem dá para mensurar.

    E durante esse processo de encontro com minha essência, retornei ao meu amado coletivo Nós, as Poetas!, me reaproximei das irmãs de antes e ganhei novas irmãs. Em meio a reuniões, tarefas, lives e gravações, a gente também acolhe as dores umas das outras e descobre que juntas somos uma força imensa e uma fonte de muita coisa linda.

    Nos trabalhos com o coletivo também fui descobrindo um sentido para a profissão que um dia escolhi e que tinha perdido o encanto: continuo sem querer voltar a pagar minhas contas com jornalismo, mas usarei meus conhecimentos e experiências em comunicação para fazer tudo que puder pelas mulheres e para mulheres. Feminista, eu? Mas é claro!

    Para deixar minha vida ainda mais cheia de mulheres e poesia, passei a participar do Sarau das Minas, e não vejo a hora de podemos voltar aos eventos presenciais, porque se pelo zoom é muito bom, ao vivo com certeza é melhor ainda.

    Ufa, fiz bastante coisa esse ano. E nem falei dos vários editais literários que participei e dos projetos de poesia que comecei. Ah, e dos artesanatos que fiz! Meu 2020 também foi cheio de criatividade.

    Para finalizar, no comecinho desse dezembro, chegou um pacotinho de amor na família: meu sobrinho Gael, no qual estamos todos babando, com certeza. Com essa criança linda para renovar as esperanças ao fim de um ano tão tenso, entraremos 2021 com a sensação de que muitos sorrisos virão nos próximos meses.

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