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    a coluna da jeane

    Poesia contra a violência

    por Jeane Bordignon | Publicada em 10/12/2020 às 15h01

    Depois de meses de um processo intenso, no último dia 25 meu amado coletivo Nós, as Poetas! Apresentou a Edição Especial Em Combate à Violência de Gênero. Uma revista com 26 autoras e 60 páginas. E que mexeu muito com todas e todes que nos envolvemos na produção desse material.

    Muitas vezes as nossas reuniões terminaram em uma espécie de terapia de grupo. E por mais que falar de abusos e violências seja doloroso, é necessário para nos aliviarmos do peso dessas memórias e compreendermos que fomos vítimas de manipuladores, narcisistas, machistas.

    Vítimas, sim. A cultura machista e patriarcal em que vivemos nos ensina que as mulheres “provocam”, “atiçam”, “fazem os homens perderem a cabeça”, e outras tantas ideias tortas. Precisamos desconstruir as histórias que sempre nos contaram, onde as mulheres são um perigo à moral e aos bons costumes (leia com ironia).

    Nos livramos de um enorme peso quando entendemos que não fomos burras ou idiotas por “cair na conversa” de um homem manipulador. Apenas ainda não havíamos acordado para o fato de que somos criadas em uma construção cultural que nos ensina a sermos dóceis e compreensivas. Em consequência nos tornamos pessoas que toleram muito mais do que deveriam. Mas nunca é tarde para dar um basta em tudo isso.

    Na verdade é um processo de desconstrução de muitas certezas que nos foram introjetadas desde que nascemos meninas. Dá até para dizer que é como um segundo parto, porque é um processo doloroso e que por muitas vezes parece pesado demais, mas como uma criança que ganha anticorpos ao passar pelo canal vaginal, ao atravessar nosso próprio sofrimento saímos mais fortes. E respiramos, começando a viver.

    Tivemos muito cuidado com que nossa revista não fosse apenas uma ferramenta para remexer sofrimentos, mas também uma mensagem de esperança. Nosso desejo é que assim como nós ressignificamos nossas dores em forma de poesia, colagens e desenhos, e renascemos mais fortes, quem abra essa edição possa encontrar caminhos para se reconstruir.

    Também por isso esse material não é apenas literário: trazemos muitas informações de onde procurar ajuda, muitas indicações de iniciativas que apoiam mulheres e LGBTQI+ a saírem de situações de violência. Procuramos também nos mostrar de braços abertos para quem estiver precisando de acolhida. Porque essa edição foi um processo muito intenso de mulheres partilhando suas dores e acolhendo os traumas umas das outras. Pudemos perceber, com ainda mais força do que sentíamos desde o nascimento do coletivo, o quanto a união nos fortalece.

    Essa consciência é muito importante, porque a sociedade machista nos instiga a sermos rivais. E quando nós mulheres batemos de frente com nossas irmãs, só nós perdemos. Os homens continuam com seus privilégios e sua cultura de dominação. Acredito que só podemos conseguir uma transformação cultural num contexto onde as mulheres deem as mãos e ao se fortalecerem mutuamente se percebam capazes de construir uma sociedade mais justa. E de brigar, juntas, pelo nosso espaço, se for necessário.

    Gosto de dizer que juntas somos potência. Uma força capaz de sacudir o mundo de um jeito que nada mais volte para o lugar onde o patriarcado nos fez acreditar que as coisas sempre estiveram. E uma vez que a gente descobre a força dessa união, queremos agregar mais e mais mulheres nessa caminhada (o coletivo Nós, as Poetas está sempre aberto a quem quiser somar, procure nosso site ou nossas redes).

    Essa Edição Especial está nos levando a passos ainda maiores. Conseguimos apoio da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz (graças à Maria Mitsuko, nossa poeta-enfermeira-pesquisadora) para impressão da primeira tiragem, e em contrapartida estamos distribuindo mais de 500 exemplares para iniciativas parceiras e representantes do combate à violência de gênero que inspiraram a publicação. Os demais foram divididos entre as autoras.

    Por falar nisso, quem for da aldeia e quiser comprar comigo, é só mandar um recado para [email protected] ou me chamar no facebook.

    Também temos a versão ebook à venda no nosso site. Você pode aproveitar a visita e conhecer nossas outras publicações: temos uma edição com a temática Mulher, outra com o tema Erótica, e duas de Diálogos com a saúde pública (Vulnerabilidades Sociais e Pandemia). É só acessar nosaspoetas.com/poesia

    Em breve teremos a lojinha com as publicações individuais das integrantes. E agora que estreamos no “mundo das lives” estamos cheias de planos para o canal do Youtube. Por enquanto temos lá apenas os videos das quatro lives que fizemos para o lançamento da Edição Especial (estamos em uma pandemia, né, gente… o jeito foi fazer evento online).

    No dia 25, Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher, apresentamos a edição, com leitura dos poemas, performances e depoimentos. No Dia 26, foi a vez de uma conversa linda com Tatiana Wargas, da ENSP e Maria Mitsuko, pesquisadora da ENSP e uma das fundadoras do Nós, as Poetas!

    Os dias 26 e 27 foram de conversas intensas e necessárias com as poetas que fizeram parte dessa edição. O bate-papo foi conduzido por Sarah John e Jeane Bordignon, que também tiveram seus momentos de entrevistadas. Tudo está gravado lá no nosso canal, aproveitem e se inscrevam para ficar por dentro das novidades!

    Quando finalizamos a última live, estávamos exaustas, mas também num êxtase que era misto de sensação de dever cumprido com alegria e satisfação do trabalho lindo que executamos e da harmonia com que tudo ocorreu (tirando alguns estresses pontuais, que são coisas que acontecem e servem de aprendizado).

    Quero finalizar com um parabéns e um muito obrigada às minhas irmãs poetas, pela história linda que estamos escrevendo, de mãos dadas.

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