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GRAVATAÍ, 29/11/2020

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    a coluna da jeane

    Histórias de jornalista – 2

    por Jeane Bordignon | Publicada em 17/11/2020 às 21h21

    Comecei no Grupo CG como estagiária. A vantagem de estagiar num jornal de interior, regional, é que tive contato com todas as etapas da produção de um jornal diário. Todas mesmo. Desde a escolha das pautas, onde tinha liberdade para dar sugestões. No início não diagramava, porque meu computador não tinha memória suficiente (é sério), mas depois que passei para uma máquina melhor, escrevia as matérias direto nas páginas, organizava as fotos, fazia as legendas. Também fazia um tratamento básico nas fotos no Photoshop.

    Às vezes tinha que fotografar também, quando haviam pautas simultâneas e a matéria do colega era mais relevante… o motorista me largava na minha entrevista com uma câmera comum (que meu professor de Fotojornalismo chamava de “câmera para tirar fotos emotivas”), ia acompanhar o outro repórter e depois voltava para me buscar. Ah, a gente também revisava os próprios textos, o que não é muito eficaz. Mas jornalista em veículo regional é tipo bombril.

    O setor comercial (responsável pela venda de anúncios) era praticamente junto com a redação. Trabalhávamos num grande salão, e dois setores eram separados por um corredor. Então a gente acompanhava um pouco a ralação dos colegas para conquistar novos anunciantes e manter os antigos. Também acontecia de entrar algum anúncio de última hora e a gente ter que conversar sobre onde encaixar.

    No fim do corredor ficava a gráfica, com a impressora off-set e a guilhotina. Os banheiros ficavam depois das máquinas, então volta e meia a gente via os rapazes trabalhando, fazendo as chapas ou já rodando os jornais. Para as páginas coloridas, eram necessárias quatro chapas: ciano, magenta, amarelo e preto. Achava interessante ver as páginas sendo impressas por etapas.

    Quando vinha alguma turminha de estudantes para conhecer o jornal, geralmente cabia à tia Jeane aqui ser a guia. Mostrava primeiro a redação, Rafael deixava verem as páginas no computador, respondia perguntas… depois eu levava a gurizada para a gráfica e me apressava em avisar que a guilhotina era afiada. Botava medo mesmo, antes que um curioso perdesse o dedo!

    Alguns colegas de faculdade tinham até certa inveja da vivência que eu estava adquirindo no CG, enquanto eles ficavam limitados a trabalhar no arquivo de um jornal grande. Eu até assinava matéria! E fui representar o jornal no tour feito para imprensa e convidados na época da primeira Festa das Bromélias (flor símbolo de Gravataí). Visitamos alguns viveiros de bromélias e terminamos o passeio com um belo almoço na Estância Província de São Pedro.

    Confesso que me senti importante nesse dia, e mais confiante. Nos primeiros meses de jornal eu ficava muito insegura porque tinha 22 anos, cara de 15 e tamanho de 10. Minha mente ansiosa sempre pensava que o entrevistado ia olhar para mim e pensar: “O que essa pirralha acha que está fazendo?” Então estar entre outros jornalistas como representante do CG foi bem importante para mim.

    Mas o passeio não foi só glamour. Tive que ouvir algumas vezes de uma certa jornalista experiente, a brincadeira infame: “Estagiário é sub-raça, só tem direito de ficar calado e tentar aprender alguma coisa”. A maioria de quem fez algum estágio deve ter ouvido isso… inclusive o Rafael Martinelli, que também começou no CG nessa categoria tão desprezada (contém ironia).

    Pelo fato do Rafael um dia ter estado na posição que eu ocupava e ter progredido até ser o editor-chefe, ele era sem dúvida uma referência para mim. Se ele havia construído uma trajetória tão bem-sucedida no jornal, eu devia seguir o exemplo. E o Rafael também me confessou uma vez que via em mim o estagiário que ele foi um dia.

    Além de sagitarianos e com início de trajetória jornalística em comum, temos outras afinidades: ambos descendentes de italianos (o que significa uma criação bem conservadora) e envolvidos com arte (o Rafael é compositor e cantor). Depois também partilhamos a defesa dos animais, mas esse assunto vou aprofundar na próxima coluna. O fato é que nos tornamos mais do chefe e subordinada, mas amigos. O carinho recíproco gerava até um pouco de inveja em alguns colegas, havia quem pensasse que eu era a preferida do Martinelli na redação. Mas na verdade éramos como uma grande família (muito unida e também muito ouriçada, realmente).

    Cumpri meus dois anos de estágio e depois fui efetivada, mesmo sem estar formada, porque eu tinha conquistado meu espaço. Embora fosse ainda bastante insegura, eu até ajudei a reformular o caderno Aprender, que começou como um encarte de educação meio genérico e a partir das minhas sugestões foi encaminhado para um caderno mais voltado aos vestibulandos e concurseiros. Talvez por ser filha de professora e ter convivido com a Educação desde o ventre, gostava bastante de elaborar o Aprender, pensar as pautas junto com o Rafael e até revisar os artigos.

    Esse caderno sempre vai ser inesquecível porque foi por meio dele que conheci meu primeiro namorado sério. Ele era professor de Português e escrevia colunas para o Aprender, um dia enviou e-mail elogiando uma matéria minha, eu respondi, trocamos telefone, conversamos um pouco por SMS (ainda não existia whatsapp), fomos nos conhecendo melhor… e namoramos por um ano. Até romance o jornalismo trouxe para minha vida!

    Outro caderno para o qual eu sugeria pautas e escrevia muitas matérias era o Vida & Saúde. Cheguei a fazer uma série de cinco semanas sobre o relatório do Projeto Gênesis, que estudou os idosos da cidade. Como eu sou daquelas que literalmente lê até bulas de remédio, me sentia bem à vontade para escrever sobre saúde.

    Mas uma das matérias mais marcantes foi nas páginas “normais”: Entrevistei os jovens que faziam oficinas profissionalizantes na Apae. A turminha com que conversei era da oficina de papel reciclado. Aqueles adolescentes com mentalidade de criança, alguns até sem conseguir verbalizar, mostraram cheios de orgulho as etapas e materiais usados para produzir o papel, e depois algumas folhas prontas, onde tinham colocado pétalas secas para enfeitar. Ao mostrar sua folha, uma menina disse uma frase que nunca vou esquecer: “A gente borra um pouquinho, mas consegue fazer”. Lição que levei para a vida.

    E não foi a única lição que o jornalismo me deu. Como uma sagitariana legítima, acredito que tudo na vida nos gera algum aprendizado. Com o tanto de pessoas e histórias que conheci em mais de quatro anos de jornal, foi muito aprendizado. Mas continuo contando na próxima semana.

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