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    a coluna da jeane

    Uns versos de braço quebrado – 10

    por Jeane Bordignon | Publicada em 24/10/2020 às 11h49

    Dois meses. Dia 17 fiz “mesversário” de fratura. Dois meses com o braço na tipoia, com movimentos limitados e com dores. E agora ainda frustrada por estar vivendo um processo de recuperação mais lento do que eu imaginava.

    Terei que passar por avaliação com especialista para saber se preciso fazer reconstrução do nervo, porque o radial está tão machucado que o sinal não chega até a mão. É assustador tentar erguer o polegar ou a mão e os movimentos não acontecerem.

    Tem hora que bate uma revolta de não poder fazer coisas que eu gosto, tanto por ser um esforço que vai me prejudicar no momento, quanto pela falta de tempo, porque as coisas básicas demoram mais. Os movimentos têm que ser cuidadosos e lentos, ou o resultado é mais dor.

    Em outros momentos bate tristeza por não poder me alongar como eu gostava, por não achar posição confortável para nada, por ser difícil até arrumar meu cabelo, por sentir o braço direito começando a doer por estar sobrecarregado, por ser difícil relaxar porque não dá para se desligar do braço, por me sentir cansada só de escrever esse texto.

    Domingo consegui costurar um pouco, mas a alegria de fazer uns pontos caseados depois de dois meses sem pegar numa agulha logo foi substituída pela frustração de ter que casear um pouquinho e parar, um pouquinho e parar, um pouquinho e parar… Tudo exige um esforço desproporcional às ações, que antes pareciam tão banais.

    Por mais que eu saiba que é só uma fase, que vou me recuperar com o tempo e os tratamentos, mesmo assim tem horas que dá vontade de chorar. A mente quer fazer várias coisas e o corpo não acompanha. E não adianta tentar ir além, fazer mais esforço, porque quem sofre sou eu mesma, porque quando me mexo muito o braço dói.

    Ontem meu pai chamou para passar o dia na chácara, “sair um pouco da rotina”, nas palavras dele. Lá não tem outras pessoas, então é um refúgio seguro nesses tempos de pandemia. Levei a câmera e aproveitei para fotografar as belezas de lá (a alça de pendurar a câmera no pescoço nunca foi tão útil). Mas foi “à prestação” igual a costura. Fotografa um pouco, pára um pouco…

    Lá pelo meio da tarde ganhei um verdadeiro presente: uma borboleta ficou paradinha e deixou eu chegar bem perto com a câmera. Sério, ela parecia estar posando para mim, até mudava de posição a cada clique. Quem me conhece sabe que amo borboletas. Além de lindas, elas representam transformação, evolução.

    Hoje me sinto uma borboleta de asa quebrada, mas esse presente renovou as esperanças de que daqui um tempo estarei voando novamente. Não vou dizer que será em breve porque já entendi que esse processo será mais lento do que o esperado. E acho que nem posso reclamar, porque operei rápido e o médico está procurando ser o mais ágil possível, mesmo sendo pelo SUS.

    E tenho a poesia para me acalentar. Posso dizer que literalmente, porque outro dia escrevi um poema-acalanto para lidar com as sensações pesadas desse momento. A poesia também foi para minha amiga Maria Mitsuko, que está vivendo um momento de muitas dores na coluna e repouso forçado. Nesses dias nós duas temos compartilhado muito as angústias, revoltas, e também as pequenas alegrias que são grandes para quem vive um processo de reabilitação.

    E ainda contamos com a acolhida e apoio das nossas irmãs do coletivo Nós, as poetas, que super compreendem nossas limitações do momento e passam muita energia positiva. Sabe aquela frase “juntas somos mais fortes”? Então, eu e Maria estamos sentindo essa frase numa dimensão muito maior.

    Quero agradecer a cada uma das nossas irmãs de poesia e luta, porque com vocês a caminhada é muito mais leve. Sou muito grata a tudo que estamos construindo juntas e por todo afeto que partilhamos. Mesmo distantes geograficamente, sinto vocês perto de mim e assim fico com mais força para seguir. Que bom que seguimos juntas!

    Hoje vou compartilhar apenas esse poema em tom de acalanto, que serve como mantra para esses dias doloridos:

     

    CANTIGA

    Vai passar

    Tua dor

    Vai passar

    Outras virão

    Mas não vão

    Te derrubar

    Vão passar

    os tormentos

    e novos momentos

    vão chegar...

    Respira...

    e deixa passar

    esses tempos

    e se der vontade

    pode chorar.

    Essa angústia

    também vai passar.

    Outros dias

    vão chegar

    Teu sorriso

    vai voltar

    ao mundo

    iluminar

    Você sente, você sabe

    que vai acontecer:

    você foi forjada

    pra sempre renascer

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