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    a coluna da jeane

    Uns versos de braço quebrado – 9

    por Jeane Bordignon | Publicada em 17/10/2020 às 11h21

    A consulta dessa semana me jogou um balde de água fria. Estava na expectativa de começar a fisioterapia, mas ainda não será possível. O osso está recuperando, porém ainda não o suficiente para o médico liberar mais movimentos. Continuo refém da tipoia. 

    E precisei fazer uma eletroneuromiografia. Ô exame dolorido! O fato do meu braço ainda estar um tanto inchado dificultou o exame e potencializou a dor, mesmo com a médica sendo super cuidadosa. Foi uma experiência que não desejo para ninguém. Não se compara à dor do dia da fratura, mas teve momentos em que não pude evitar os gritos. 

    Na hora dos choques mais fortes, que me fizeram pular, pensei nas pessoas torturadas com eletrochoque na época da ditadura. Agora me parece mais monstruoso ainda. Precisei do exame para avaliar o dano ao nervo radial, e foi feito com todo cuidado. Mesmo assim, foi pesado. Nem consigo imaginar o que deve ser tomar choques mais fortes e aplicados com um misto de raiva e sadismo. 

    Já assistiu “Batismo de Sangue”? O filme já te deixa chocado com as cenas de tortura e com muita repulsa do delegado Fleury. Eu assisti também os extras, onde são entrevistados os freis Betto, Fernando e Osvaldo (Frei Titto tirou a própria vida pouco tempo depois de ser libertado da prisão; mas dos horrores da tortura ele nunca conseguiu se libertar. Isso não é spoiler, é história de um Brasil manchado de sangue). 

    Pois nessa entrevista um dos freis conta que o filme não mostra nem 10% do que eles passaram nas mãos dos torturadores. É, se o filme parece pesado, a realidade foi muitas vezes mais. E por nada além de interesses políticos, de jogos de poder. 

    Muitos nem tiveram chance de contar, foram torturados até a morte. Wladimir Herzog, Rubens Paiva, Stuart Angel Jones… e tantos outros. Crianças foram torturadas e carregaram traumas pelo resto, nunca conseguiram ter paz. Crianças! 

    Agora sim, um pequeno spoiler. A Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz tem um belíssimo espetáculo de rua inspirado na vida do guerrilheiro Carlos Marighella. Uma das cenas mais impactantes reproduz de forma alegórica o afogamento, um dos métodos de tortura utilizados no Dops. Mesmo sabendo que não há água no tonel, pois é apenas encenação, é muito angustiante de ver e de pensar que pessoas passaram de verdade por esse tipo de coisa. 

    O AI-5 também está na peça, e para quem entende a importância da liberdade, é sufocante ouvir a lei em áudio da época. Para quem ainda não teve a oportunidade de assistir esse grande trabalho da Terreira e quer conferir com seus próprios olhos e ouvidos, tem um video especial no YouTube: https://youtube.com/watch?v=ytBe5HIkNak 

    Além da história de Marighella, a Terreira tocou nas feridas da ditadura com a peça Viúvas – Performance sobre a Ausência, que foi apresentada na Ilha do Presídio, entre Porto Alegre e Guaíba. A performance acontecia nas ruínas do presídio onde foram encarcerados presos políticos no período da ditadura militar no Brasil. (Essa assisti só em dvd, e também recomendo.) 

    Em 2014, relembrando os 50 anos do golpe militar, o grupo realizou a performance “Onde? Ação nº2” em diversos locais da cidade. Tanto nessa intervenção quanto nas apresentações do Amargo Santo, eram distribuídos pequenos papéis no tamanho de fotos 3x4 com nomes de diversos mortos e desaparecidos durante os “anos de chumbo”. 

    E foi num dia em que voltei para casa com alguns papeizinhos desses nas mãos e digerindo o impacto da apresentação, que escrevi o primeiro poema de hoje. O segundo foi escrito no Rio, após passar por uma das tantas estátuas que homenageiam militares. 

     

    DITADURA 

    Tinha nome 

    a dama tirana 

    com perfume de morte. 

     

    Tinham nomes 

    seus servos sem sangue 

    nas veias e mórbido prazer 

    pelo sangue alheio. 

     

    Tinham nomes 

    os moços e moças 

    que foram da luta ao encontro 

    dos choques 

    do pau-de-arara 

    do afogamento 

    das pancadas e do fogo 

    de tudo de novo e de novo e de novo... 

    e não voltaram pra contar. 

     

    Tinha nome 

    a dama tirana 

    e era dura 

    até no nome. 

     

    DOS HERÓIS 

    Tantos monumentos 

    por essas ruas… 

    Campeões de coisa nenhuma! 

    Tantos capitães, coronéis, bacharéis 

    Sempre nos olhando de cima... 

    Esses senhores de botas 

    Sob as quais, os de nosso sangue 

    Foram pouco mais do que baratas… 

    Nessa selva onde vence o mais esperto 

    O sábio dorme de olho aberto 

    Pela cidade, são tantas 

    as manchas de sangue... 

    O bronze disfarça, 

    mas não esconde. 

     

    Assista

     

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