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GRAVATAÍ, 04/08/2020

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    coluna da jeane

    As poetas

    por Jeane Bordignon | Publicada em 10/07/2020 às 15h21| Atualizada em 14/07/2020 às 18h05

    Já fui muito chamada de poetisa, e eu mesma me referi desse modo à Cecília Meirelles por anos… mas desde 2016 venho defendendo que nós, mulheres que escrevem poesia, somos POETAS, tão poetas quanto os autores homens que por tanto tempo dominaram o meio literário. Essa consciência nasceu a partir de um encontro muito especial, com outras mulheres, irmãs da palavra. Manas poetas que conheci nos saraus e eventos do Rio de Janeiro.

    Para quem não sabe, no Rio tem muitos poetas que vendem zines nas ruas. Os zines (apelido de fanzines) são publicações artesanais e independentes, de tamanhos e formas variados. Inclusive fiz alguns quando morava na Cidade Maravilhosa, e vendi em saraus os meus “filhotinhos”, como chamo carinhosamente. E tenho projetos de outros, até mais elaborados… porque fazer zine é um negócio que, depois que você começa, não quer mais parar. A maioria dos meus amigos zineiros também faz algum tipo de arte visual, então o formato é perfeito para desaguar nossa criatividade.

    Voltando às mulheres: em 2016, três delas saíram para vender juntas suas publicações. Por questões de segurança (quem é mulher entende) e também para fortalecer umas às outras. Enquanto ofereciam seus zines, começaram a idealizar uma publicação conjunta. E logo estavam pensando em chamar mais mulheres para esse projeto. Marcaram uma reunião, para a qual a Shaina Marina me convidou. Maria Mitsuko e Thaís Vieira chamaram outras poetas. Assim, num fim de tarde na Praça XV, próximo à estação das barcas que atravessam a Baía da Guanabara, nos encontramos para planejar nosso primeiro jornalzine.

    A partir daí, as reuniões começaram a ser semanais e dentre as ideias para nossa publicação, fomos percebendo que tínhamos força para nos unir ainda mais e formar um coletivo de poetas mulheres. Todas nós vínhamos notando que a presença masculina ainda dominava nos saraus, tanto nos participantes quanto nos textos lidos. E o mais importante, enxergamos que podíamos fazer algo para que as mulheres fossem mais lidas e ouvidas. Nascia o coletivo “Nós, as poetas”.

    Decidimos marcar no nome do coletivo a defesa de que somos poetas e não poetisas, “pois este termo é atribuído com um significado pejorativo, cuja carga semântica denota certa diminuição e inferioriza a literatura produzida por nós mulheres. Somos poetas porque não respeitamos a gramática culta, somos das ruas, somos coloquiais ou cultas quando quisermos. Somos livres.” como diz nosso manifesto, publicado no primeiro jornalzine. Entendemos que muitas vezes a palavra é usada com carinho, mas queremos difundir que “poetisa” soa muitas vezes como alguém que faz uma arte menor e mais suave, como se espera de mulheres “recatadas e direitas”, né?

    Nosso coletivo é formado por mulheres fortes, que botam o dedo na ferida e não tem receio de dizer o que pensam. Que criticam toda forma de preconceito e discriminação. Que batalham constantemente contra o machismo que ainda está entranhado em nossa sociedade. E nossa produção literária reflete toda a luta que vivemos por sermos mulheres que pensam, que se permitem, que não se limitam aos estereótipos culturalmente impostos. Temos todo o direito de dizer que somos poetas, sim.

    Quem participou das primeiras reuniões foi chamando outras poetas e assim por diante. O local dos encontros variava conforme a necessidade: quando chegamos na etapa de fazer as colagens para o jornalzine, nos encontramos na Biblioteca Parque Estadual e aquele momento de criação coletiva foi tão intenso que nem vimos o tempo passar, precisou um segurança avisar que precisávamos sair porque era hora de fechar! Em outro dia, continuamos as colagens no saguão do Centro Cultural Banco do Brasil, sentadas no chão, mas como se estivéssemos num mundo próprio. Essas duas reuniões são lembranças muito especiais para mim, e tenho certeza de que para as manas também.

    Depois que nasceu esse primeiro jornalzine, com a temática “Mulher”, o coletivo só ganhou mais força. Acabei me afastando por um tempo, coisas da vida, mas nunca deixei de me considerar do coletivo e de acompanhar os passos das minhas parceiras. Elas conseguiram parceria com o Clube Melissa de Ipanema, onde alguns poemas ficaram expostos na loja. Já estiveram na programação do

    SESC-RJ, Festival Mulheres do Mundo - WOW, Sarau Latino-Americano Feminista, eventos da FIOCRUZ, Campanha Clube Melissa, Casa Pulsa Ipanema, Mulherartes, Cine Taquara, Facção Feminista Cineclube, FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty, e outros eventos. Coisa linda ver a mulherada mostrando a potência da sua poesia!

    O segundo jornalzine teve a temática “Erótica”, e como estava numa fase muito atribulada da vida acabei não participando. Agora estamos construindo a terceira edição, com o tema “Violência contra a mulher – feminicídio”. Além dos poemas vai trazer informações e orientações sobre o assunto, que infelizmente é fundamental ser muito falado nos dias de hoje. Está sendo bem intenso esse processo, porque toda mulher tem alguma vivência de assédio, abuso e/ou violência. Com a pandemia, as reuniões estão sendo online, o que está sendo maravilhoso por podermos estar juntas mesmo que longe fisicamente, e me permitiu voltar a participar ativamente do coletivo mesmo estando aqui em Gravataí. Pelo tema que estamos tratando, as reuniões às vezes se tornam terapia coletiva, o que também é bom. Juntas somos mais fortes, em tudo, não apenas na poesia. E essa edição será incrível.

    O coletivo também fez duas edições especiais “Diálogos com a Saúde Pública”, a partir de participações em eventos da Fiocruz. O segundo foi online, no último dia 3, e eu também participei. Foi emocionante, não só por levar poesia a um evento tão importante, que refletiu sobre a pandemia que estamos vivendo, mas porque conseguimos algo muito bonito: um trabalho em equipe poderoso, estando espalhadas em quatro estados diferentes (a maior parte das poetas continua no Rio, mas eu voltei pro RS, Gabi Luna se mudou para SP e Tayná Wolff pro DF). Geograficamente distantes, mas unidas pela poesia!

    E agora que estamos “pegando a manha” com as tecnologias para trabalhar online, nada nos segura. Estamos empolgadas em fazer o coletivo crescer ainda mais e se espalhar pelo país. (Inclusive, amigas poetas aqui do RS, se aprocheguem, como a gente fala. É só me mandar uma mensagem). Além dos zines, estamos tentando editais e buscando nos organizar cada vez mais. Já temos até site! No nosaspoetas.com dá para comprar nossas publicações também. A ideia é logo ter espaço para venda também dos livros e zines individuais das poetas.

    Temos ainda a página facebook.com/nosaspoetas , onde divulgamos as chamadas para os zines temáticos, eventos, e matérias sobre literatura feita por mulheres. E tenho muito orgulho de fazer parte desse coletivo maravilhoso! Por muito tempo o espaço da escrita não nos era permitido, e muitas mulheres na história publicaram sob pseudônimo masculino ou como “anônimo”. Mas somos poetas, sim! E quanto mais nos unirmos, mais mulheres terão voz!

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