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    coluna da jeane

    Aventuras cariocas - Parte 1

    por Jeane Bordignon | Publicada em 06/06/2020 às 17h43| Atualizada em 06/06/2020 às 17h56

    Quando olhei para os famosos Arcos da Lapa, deu vontade de chorar, pensando: “É verdade, estou no Rio de Janeiro!” E durante os dois anos que morei na Rua do Riachuelo, fui aos Arcos muitas vezes, para sarau, show, teatro, roda de maracatu, feira literária, carnaval… Parece que todas as artes têm espaço na Lapa. Do outro lado dos Arcos fica o histórico Circo Voador, onde tive o privilégio de assistir Paulinho da Viola e Gilberto Gil. Que momentos! Mas nenhum momento foi mais especial do que o lançamento do meu livro Brado Carmesim, em um bar muito charmoso bem na curva da Joaquim Silva, de onde a gente via os arcos da janela. Foi um dia que marcou minha vida para sempre, é como o nascimento de um filho.

    A rua Joaquim Silva se inicia bem no pé dos Arcos, e nela fica um dos meus lugares preferidos da cidade: a escadaria Selarón, que foi amor imediato. É uma obra de arte inigualável, e infelizmente ficou muito abandonada após a morte do artista Jorge Selarón, um chileno que se apaixonou pelo Rio e decorou toda a escadaria com azulejos coloridos de várias partes do mundo.

    Lá pra cima da Selarón tem Santa Teresa. Após um dos primeiros passeios no bairro, escrevi no Facebook: “Santa Teresa é uma lindeza!” Suas ruas são um encanto para quem gosta de arte, e ainda tem vistas de encher os olhos. Principalmente do alto do casarão do Parque da Ruínas, que eu considero um passeio obrigatório para quem visita o Rio. De lá se vê a Baía da Guanabara, o Pão de Açúcar, os Arcos e a Catedral.

    Outro lugar que eu gostava de andar era a Rua do Senado, com seus sobrados estilo colonial português de várias cores. Ela começava em frente ao meu prédio, e era meu caminho para a Saara, conjunto de ruas de comércio popular. Ir na Saara é missão para fazer com tempo, porque são muitas lojinhas de roupas, tecidos, utilidades, presentes, artigos para festas e para artesanato. Sério, nas primeiras vezes você pode até se perder. Até meu vestido de casamento eu comprei lá (numa loja de roupas estilo indiano). Se você assistiu ao filme “Made in China” (com Regina Casé), a Saara é daquele jeito mesmo: muita gente, vários sotaques, mas todo mundo acaba se entendendo.

    Atravessando a Praça Tiradentes (que tem dois teatros lindos, João Caetano e Carlos Gomes), a gente chega na Rua da Carioca, rua das lojas de instrumentos musicais, que começa (ou termina, na direção que estamos indo) no famoso Largo da Carioca. Por ali eu gostava de garimpar livros nos livreiros em frente ao metrô. Também ali perto fica a Caixa Cultural, onde vivi uma das minhas glórias como poeta: fiz parte da exposição Poesia Agora, que trazia uma amostra do cenário poético contemporâneo. Muita emoção estar na mesma mostra que Elisa Lucinda, Angélica Freitas, Chacal, Salgado Maranhão e Sérgio Vaz, poetas que admiro. E também junto a amigas muito talentosas que conheci nos saraus do Rio.

    Atravessando a avenida Chile e indo pela rua Treze de Maio, você passa ao lado do Theatro Municipal e chega na Cinelândia, que tem esse nome porque no passado reunia vários cinemas. Hoje em dia é palco de diversas manifestações artísticas (até circo assisti lá, do Coletivo Bravos). A Cinelândia me traz boas lembranças de ler poemas à luz dos postes com a turma do Ameopoema, e de encontrar com as parceiras do coletivo “Nós, as poetas”, só de poetas mulheres. Mas também traz a lembrança do velório da Marielle… a Câmara de Vereadores também fica na Cinelândia, bem ao lado do Theatro Municipal, e eu trabalhava ali perto na época; no horário de almoço passei ao lado da Câmara mas não tive coragem de entrar. Havia muita gente na rua, e o ar parecia mais denso naquele dia. Qualquer pessoa com um pouco de consciência estava chocada com a emboscada que a Marielle sofreu.

    Indo adiante da Cinelândia tem o aterro do Flamengo e o Museu de Arte Moderna. Os jardins do MAM ficavam cheios nos domingos, muito verde, sol, e a Baía da Guanabara ali na frente. E às vezes tinha aula de yoga… quem já praticou ao ar livre sabe que é maravilhoso. Outra vez levei esteira e livros de poesia e fiquei lendo. Também é um lugar bacana para tomar um chimarrão quando a gente encontra um amigo gaúcho – e tem muito gaúcho morando no Rio, hehe.

    Uma das coisas que eu mais gostava na Cidade Maravilhosa era que sempre havia alguma atividade cultural gratuita, muitas vezes até várias no mesmo dia. Foram muitos saraus, exposições, performances e shows. Tem muito artista de rua também. E os saraus mais marcantes foram aqueles que aconteciam nas calçadas. O Sarau do Escritório era na esquina do Bar da Cachaça, famoso pela cachaça com gengibre (que até eu, que não tenho hábito de beber, apreciei). Um sarau mais produzido, com microfone e programação… e uma energia indescritível, só quem viveu aquelas noites na Lapa sabe. Nos últimos anos foi ficando mais difícil produzir eventos de rua por causa da burocracia e da pouca vontade dos órgãos públicos, e o Sarau do Escritório deixou sua marcante esquina, acontecendo só em espaços fechados, infelizmente.

    Mas havia uma magia especial nos saraus mais improvisados, como Ameopoema, Boto Fé e Ratos DiVersos. Bastava um livro na mão, e a voz. Às vezes um caixote de feira como palco. Era a poesia disputando com o barulho das ruas. Barulho esse que não nos importava, porque estávamos imersos na poesia, unidos pela energia dos versos. Nessas noites poéticas conheci muita gente que trago no coração. É estranho imaginar que agora com a pandemia as ruas da Lapa não têm mais os poetas recitando versos, “num estado de celebração sem solenidades”, como escrevi num poema… Ah, que saudades! Ainda bem que existe a internet para manter contato com tantos poetas queridos que o Rio me deu presente!

    E na próxima coluna continuo contando minhas andanças cariocas.

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