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    coluna da sônia

    Coleta seletiva. FOTO | Imagem ilustrativa (internet)

    Contêineres transbordantes

    por Sônia Zanchetta | Publicada em 24/07/2018 às 11h25| Atualizada em 24/07/2018 às 11h32

    Em meio às inúmeras críticas que circularam pelas redes sociais, dias atrás, durante um período em que foi interrompida a coleta do lixo dos contêineres, aqui em Cachoeirinha, por problemas entre a Prefeitura e o fornecedor do serviço, fiquei pensando em como estamos atrasados quanto à correta destinação dos resíduos sólidos.

    Em 2010, acompanhei, entusiasmada, a elaboração e a "cacarejação" do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, mas, de lá pra cá, não vi maiores avanços, nessa área, por aqui.  http://cachoeirinha.rs.gov.br/…/plano-municipal-de-resi…

    Tempos depois, em 2014, foram espalhadas centenas de contêineres pelas ruas da cidade, e pensei: “Agora vai! Estão começando a tirar o tal plano do papel!”. E, a partir do dia seguinte, passei a depositar o lixo orgânico no contêiner que ficava diante do meu prédio e a caminhar uns 30 m, até a esquina, para deixar o reciclável.

    Mas logo me dei conta de que muitas pessoas bem-intencionadas tinham dúvidas a respeito do que era reciclável ou não, e outras, por pura preguiça, estavam depositando todo seu lixo em um só contêiner.

    Daí, liguei para o secretário do Meio Ambiente, e sugeri que fosse afixado, em cada contêiner, um adesivo com informações mínimas que incentivassem seu uso correto, e me surpreendi com sua resposta: “Este projeto é da Secretaria dos Serviços Urbanos, e não da minha”.

    Eu saltei: “Pô, então não vai rolar, pois a SMSU entende da coleta dos resíduos sólidos, mas não da sua correta destinação e, por outro lado, este ‘projeto’ deveria ter sido lançado juntamente com uma ampla campanha de Educação Ambiental com o envolvimento das áreas do Meio Ambiente, da Educação e da Comunicação, entre outras”.

    E, semanas depois, mais embasbacada ainda fiquei ao constatar que o mesmo caminhão recolhia o conteúdo dos dois tipos de contêineres, e outra vez recorri à Prefeitura, onde fui informada de que o problema estava sendo solucionado. E adivinhem qual foi a solução que lhe foi dada? Afixaram, em todos os contêineres, adesivos que informavam que se destinavam apenas ao lixo orgânico. 

    Nestas alturas, acho que, além da Prefeitura, ongs, escolas, entidades, empresas e nós, meros cidadãos, devíamos estar buscando alternativas para uma efetiva solução deste problema.

    O lixo, ou seja, o que realmente não pode ser reaproveitado ou reciclado, corresponde a um percentual mínimo do que a comunidade costuma depositar nos contêineres. O resto pode, inclusive, gerar recursos.

    Uma amiga que foi à escola, na Polônia, nos tempos do Comunismo, contou-me que jamais seus pais ou o Governo investiram na compra de seu material didático, pois todos os alunos deviam coletar papéis e outros resíduos recicláveis, que serviam como moeda de troca na papelaria da escola. Simples, não?

    E, aqui em Cachoeirinha, há entidades, escolas e muitas famílias que recolhem e vendem esses materiais. Só aqui de casa — E olhem que vivo sozinha! —, sai, no mínimo, uma caixa grande de jornais, papéis, embalagens e outros resíduos recicláveis, toda semana, direto para uma entidade comunitária.

    Imaginem se isto vira moda! Logo, logo, a Prefeitura estaria pagando muitíssimo menos por esse serviço, sem contar os benefícios à natureza.

    Então, proponho que comecemos, pelas redes sociais, uma campanha “às ganhas" nesta área.

    A ideia é que divulguemos amplamente por nossos perfis ou páginas: 
    - nomes e telefones de escolas e entidades que recebem doações desses materiais e a que destinam os recursos obtidos com sua venda;

    - endereços de galpões de triagem da cidade que aceitam doações; 

    - endereços e telefones de empresas da cidade que compram resíduos sólidos para reciclar.

    Acho importante, também, que conversemos com os catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis que costumam circular nas ruas em que vivemos ou trabalhamos, pois desempenham um papel fundamental nesta questão, sem contar o fato de que em muitos casos esse é o único recurso com que contam para manter suas famílias.

    É essencial que saibamos o que lhes interessa de fato e que tratemos de facilitar sua vida, para que não tenham de estar procurando latas, garrafas PET e outros materiais dentro dos contêineres.

    Pelo que se sabe, os materiais recolhidos pela coleta seletiva da Prefeitura (http://cachoeirinha.rs.gov.br/…/coleta-de-lixo-e-ecopon…) vão para um galpão público que está a cargo da Associação dos Classificadores de Resíduos e Recicláveis - ACRER e geram recursos para 17 famílias.

    Mas ainda falta muito a fazer. Que tal começarmos a pensar em conjunto sobre este problema e a atuar de forma decisiva, se não para solucioná-lo, ao menos para minimizar os elevados que custos que gera para a Prefeitura e os impactos inaceitáveis sobre a natureza?

    O que estamos esperando? Será que alguns dos amigos que têm expressado sua insatisfação a respeito, nas redes sociais, topariam colaborar de alguma maneira?

     

     

     

     

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