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    coluna do leandro

    Tiago, o novato da vez no Mundo do Trabalho

    por Leandro Melo | Publicada em 04/07/2018 às 16h31

    Quando chegou foi logo causando, como diziam os menores aprendizes. Um pouco era pelos olhos azuis de pintar um céu em combinação com o sorriso bem marcado. Mas se o primeiro dia de alguém no Mundo do Trabalho já é, por si, um grande evento, a estreia de Tiago naquele andar cheio de olhos cansados foi um espetáculo à parte.

    O cara tinha a manha. Talento jovem, prodígio de vendas com vinte e poucos, tocou o carpete daquela mega-incorporadora dando a entender que o espaço seria pequeno. Como lidar com um novato? É a dúvida de gerentes a pares de hierarquia.

    Os primeiros precisam dar aos superiores a impressão de que sabem o que estão fazendo e os últimos não fazem ideia de o que esperar. Alguns, por defesa, já tratam mal logo de cara. Outros, também por defesa, mas também por cultivar algum senso de proteção, se aliam como tutores interessados.

    Mirando alto, Tiago colou mesmo foi no gerente. Das bancadas mais próximas colheu todo tipo de informação, criou um mapa mental de onde estavam os banheiros, o café e os cargos de chefia. Com nomes e interesses de cada um na ponta da língua, tornou-se logo o mais requisitado para a hora do almoço.

    Administrava quatro grupos de whatsapp diferentes, um deles só pra falar de séries e indicar filmes no Netflix. Não ficavam para trás as vendas, sempre crescendo, o que lhe permitia (no seu escopo moral-funcional) fazer suas próprias regras burocráticas e de horários.

    Entre vindas e idas, tornou-se aquele que jamais estava acomodado e questionava, principalmente ao seu gerente, se oito anos na mesma empresa não era tempo demais. Afinal o que ele fez nesse período que não poderia ter sido feito na metade do tempo? E a quem perguntasse dizia que em mais alguns meses seria promovido.

    E de fato foi.

    Passou à gerência enquanto seu antecessor assumiu uma associada que cuidava de aluguéis corporativos. Coisa pra quem já tinha passado dos trinta e se aproximava, perigosamente, do decanato na casa. A essa altura, Tiago já deixara de ser “o novato”. Em exatos 28 meses fez uma revolução aumentando vendas, reduzindo custos e qualificando a gestão de negócios. Logo foi cogitado para um posto na direção da unidade. E, lá no RH, o “bem-vindo” continuava colocando mais gente nova pra dentro e aguçando a dúvida: Como lidar com um novato?

    Bem, o último eliminou as gerências depois de virar diretor, então, restaram os colegas de hierarquia a se perguntar como podem ser novidade também. Já os que entram estão a pensar que talvez um ano seja o máximo que podem tolerar sem uma promoção.

     

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