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    coluna do golembiewski

    Pelas veias abertas da América Latina, Patagônia ou Cidade Baixa

    por Marcos Golembiewski | Publicada em 14/05/2018 às 11h48

    Bom mesmo é viajar e jogar conversa fora com os amigos. Viajar pelo mundo, pelas veias abertas da América Latina, de preferência até o fim do mundo, a terra do fogo, a Patagônia. Jogar conversa fora, as sextas, na Cidade Baixa.

    Nas duas situações viajamos. Sentados na calçada da José do Patrocínio, falamos de tudo: política, futebol, mulheres e viagens. Não necessariamente nesta ordem, mas certamente há um espaço enorme preenchido com viagens. E na mesa há três tipos de conversas sobre viagem: a) os planos da próxima viagem, que na imensa maioria dos casos fica mesmo só na teoria, são as conversas sobre as viagens que não acontecem; b) os planos das viagens firmes que acontecem e; c) os relatos destas viagens, recheados com as impressões do viajante, verdadeiras ou não, afinal isso pouco importa.

    Parece que agora atingimos um novo patamar. Meus amigos Mogli, Sergião e Marcus Anflor nos levam agora a um novo mundo, as viagens que acontecem e se tornam livro. Isso mesmo, neste momento estamos noutro estágio, os relatos estão impressos em livros, devidamente ilustrados com fotografias belíssimas de tudo, do começo até o fim do mundo.

    E a viagem relatada neste “Los Três Amigos – A Conquista do Fim do Mundo”, parece comprovar frases ditas e repetidas sobre viagens. Uma delas é aquela que diz: o que importa numa viagem não é o destino, mas sim o caminho. E como o livro mostra, tão importante quanto chegar ao fim do mundo é o caminho até lá, o inusitado, a beleza da paisagem e as gentes encontradas.

    Outra sensação que podemos ter lendo o livro é aquela que diz que numa viagem vivemos cada segundo intensamente. Vivemos em poucos dias um tempo que pode representar anos. Tudo é novo. É como voltar a ser criança, descobrir as coisas do mundo, que podem ser mínimas ou simples, como um gesto de hospitalidade ou uma imagem que nos impacta para sempre. E a única maneira de sentirmos isso é estar com o pé na estrada.

    A Conquista do Fim do Mundo, também nos revela que não há limitações para aventuras, que não há mal de Parkison que limite o prazer da estrada, do novo, do voo de um pássaro, do gelo que derrete e da mão pronta para ajudar de alguém que encontramos no caminho. É por tudo isso, caros leitores, que nas páginas deste livro, encontraremos as sensações dos viajantes, as sensações de um mundo temporariamente livre do cotidiano.

    É claro, encontraremos também um guia, com indicações de pousadas e restaurantes. Mas evidentemente não só isso, porque o roteiro da viagem está conectado com a História dos povos patagônicos e das fronteiras artificiais entre o Chile e a Argentina. Encontraremos também informações e curiosidades sobre os lugares como nesta passagem: “Seguindo viagem, próximo a Cholila nos deparamos com a cabana onde Butch Cassidy e Sundance Kid viveram depois de fugirem dos Estados Unidos”.

    Minha inveja de não ter viajado junto com Los Três Amigos, foi em alguma medida aplacada com estas mal traçadas e principalmente com a leitura do livro, o qual literalmente nos faz sentir a viagem, parecendo que estamos viajando junto, até o fim do mundo, a terra do fogo, a Patagônia.

     

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