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    coluna do leandro

    6 coisas que não são novas na vida em escritório

    por Leandro Nazari Melo | Publicada em 04/04/2018 às 14h37| Atualizada em 04/04/2018 às 19h23

    O texto a seguir é um grande painel do tal Mundo do Trabalho. Na semana passada publiquei a primeira parte. Esta é a segunda e ainda tem uma terceira. Se chama A verdade sobre a vida no escritório e é de Lucy Kellaway, publicado no Financial Times. Confira "Seis coisas que não são novas"

     

    1. Gestores

    Até o século XX quase não existiam gerentes. O Reino Unido atravessou a Revolução Industrial sem quase nenhum administrador. Em vez disso, havia proprietários, capatazes e supervisores. A palavra “gerente” somente foi usada em seu sentido moderno a partir de cem anos atrás. Mas agora há 5 milhões deles no Reino Unido – dez vezes mais do que em 1911. Sem gerentes, a vida em escritório, como a conhecemos, simplesmente não existia: quase não havia reuniões, memorandos e não havia necessidade de “alavancar” ou “fornecer soluções”.

     

    2. Gostar do seu trabalho

    A noção de que as pessoas gostavam de seu trabalho era inaudita. Mill, que tinha um emprego confortável na East India Company, evidenciava uma atitude mais positiva do que a maioria das pessoas, mas até mesmo ele considerava o trabalho como “efetivamente um descanso das outras ocupações mentais que exerço simultaneamente”. Na época vitoriana, funcionários em escritórios parecem ter sido permanentemente infelizes. Um deles, em 1907, refere-se a colegas como “miseráveis movedorezinhos de canetas em casacas negras com os dedos manchados de tinta e fundilhos reluzentes”. Eles sentavam-se em banquetas desconfortáveis, trabalhavam em lugares úmidos e eram propensos a pegar tuberculose – ou ficar com dor nas costas.

     

    3. Mulheres

    Mulheres em escritórios foram uma inovação do século XIX, introduzidas como uma experiência para lidar com a crescente carga de trabalho, mas tornaram-se um enorme sucesso. Elas eram baratas, e não precisavam ser promovidas, porque, tão logo casavam-se, deixavam o trabalho e eram substituídas por alternativas mais baratas. Até a Primeira Guerra Mundial, “funcionárias do sexo femininio” tinham entradas, escadas e salões de refeições separados. Trabalhavam muitas vezes atrás de biombos e, em alguns casos, em gaiolas, para assegurar que sua moral permanecesse imaculada. No Barclays, elas eram autorizados a subir à cobertura na hora do almoço, onde caminhavam e entoavam a canção da empresa. Havia apenas um privilégio desfrutado pelas funcionárias hoje não disponíveis: elas eram autorizados a tricotar em períodos de ociosidade.

     

    4. Competência

    Ser adequado ao seu trabalho é uma invenção relativamente nova, pelo menos no setor público. Em meados do século XIX, a administração pública era recheada de idiotas irrecuperáveis, lá colocados por parentes. Uma avaliação parlamentar de 1855 faz referência “aos mais débeis filhos de algumas famílias, afortunados por uma nomeação, sim, e outros também, mentalmente ou fisicamente incapacitados, são admitidos ao funcionalismo público”. Mas vieram as reformas da década de 1870 – e a ideia revolucionária de que, para conseguir um emprego, o candidato precisava não apenas não babar na gravata, como também dominar um pouco de matemática e, igualmente, latim.

     

    5. Jargão

    Quando o estilo de gestão era do tipo comando e controle, não havia necessidade de jargão. Para dispensar pessoal, não se dizia “descontinuar”, como fez o HSBC, recentemente. William Lever, fundador da empresa de sabonetes Lever Bros, escreveu sem rodeios sobre como, na década de 1920, ele livrou-se de “homens ineficientes, e homens muito bem pagos, homens idosos já incapazes de desempenhar suas incumbências. Estou confiante em que isso produziu um estado de medo nas mentes dos remanescentes por sugerir que, se não forem eficientes, a vez deles também chegará”.

     

    6. Roupas casuais

    A equipe que trouxe o Macintosh, da Apple, ao mercado em 1984 não se limitou a surpreender o público com seu produto, mas também com suas roupas: estavam todos vestidos com capuzes cinza. Até então, todo mundo vestia-se para trabalhar. Em “As Aventuras do Sr. Pickwick”, Charles Dickens descreve: “Primeiro, despe o paletó preto que dura o ano todo, e enverga outro, que já cumpriu seu dever no ano anterior, e que ele mantém à sua mesa para poupar o outro”. Na década de 1970, a virtude do traje elegante foi comprovada cientificamente: de acordo com o best-seller “Dress for Success” (como vestir-se para ser bem-sucedido): as secretárias de homens que usavam camisas de manga curta atrasavam-se para o trabalho 12% mais do que as dos homens em mangas compridas.

     

     

     

     

     

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