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    coluna da Sônia

    Eu acredito é na rapaziada...

    por Sônia Zanchetta | Publicada em 30/03/2018 às 15h51

    Como o Gonzaguinha, na música aquela, eu levo uma fé imensa nessa juventude que está aí. E acho, mesmo, que são esses jovens que poderão   produzir uma reviravolta neste cenário de aridez e desesperança em que tratamos de resistir, atualmente, no Brasil, onde imperam o individualismo e o abuso não só na política, mas também no meio empresarial e em vários outros segmentos da sociedade, inclusive entre os ditos “homens de Deus”.   

    Fico injuriada quando vejo falarem mal dos jovens, genericamente, como se todos eles não estivessem nem aí com relação ao que ocorre a sua volta e a sua própria vida.   

    Como mãe, por questões profissionais e pelo meu trabalho voluntário na área da promoção da leitura, tenho convivido com jovens de todo tipo há muitos anos. E não descreio deles. E dói-me ver os que se arrastam pela vida, sem sonhos, porque ninguém os ensinou a sonhar, e os que estão perdidos, porque foram criados “a bangu”, com todo tipo de carência e sem maior zelo por parte da família e do Estado, ou porque, no meio do caminho, foram seduzidos pela suposta vida fácil da delinquência.

    Mas vejo, também, jovens que se superam a cada dia, na busca de  conhecimento, de realização pessoal e do bem-estar coletivo; jovens com horizontes amplos, tolerantes, solidários, que muito fazem para motivar os demais a uma mudança de comportamento. E me emociono muito com isto.

    Eu sou da geração que acompanhou o boom do rock'n'roll, com Elvis Presley; o surgimento dos Beatles, que revolucionaram a música popular e nossa maneira de ser; e o Movimento Hippie, que, com a máxima “Paz e Amor!” insurgiu-se contra a Guerra do Vietnã e os valores tradicionais da classe média americana e das economias capitalistas.

    E, naquele tempo, como em todos os tempos, os mais velhos tinham muita dificuldade para entender a juventude.

    Lembro das freiras do colégio em que estudava nos recomendando que não fôssemos a festas onde se dançava o rock, pois “aquela batida levava os jovens a uma estado de êxtase, no qual eram capazes de fazer coisas horríveis”. Lembro da expressão “juventude transviada!”, que os autoproclamados “cidadãos de bem” (naquela época já havia esta espécie horrível) usavam para se referir a todo jovem que contestasse seu autoritarismo.

    Mas, como disse, isto não surgiu nesta geração ou na anterior. Vejam só estas afirmações:

    1. A nossa juventude adora o luxo, é mal-educada, despreza a autoridade e não tem o menor respeito pelos mais velhos. Os nossos filhos hoje são verdadeiros tiranos. Eles não se levantam quando uma pessoa idosa entra, respondem aos pais, são simplesmente maus”.

      2. “Não tenho mais nenhuma esperança no futuro do nosso país, se a juventude de hoje tomar o poder amanhã, porque esta juventude é insuportável, desenfreada, simplesmente horrível”.

      3. “O nosso mundo atingiu o seu ponto crítico. Os filhos não ouvem
      mais os pais. O fim do mundo não pode estar muito longe”.

      4. “Esta juventude está estragada até ao fundo do coração. Os jovens são maus e preguiçosos. Eles nunca serão como a juventude de antigamente… A juventude de hoje não será capaz de manter a nossa cultura”.

      Conto-lhes, agora, quem é o autor de cada uma delas. A primeira é de Sócrates (470-399 a.C.); a segunda, de Hesíodo (720 a.C.); a terceira, de um sacerdote do ano 2000 a.C.; e a quarta estava escrita em um vaso de argila descoberto nas ruínas da Babilônia, que, na ocasião, tinha mais de 4000 anos.

     

     

     

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