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    coluna do dienstmann

    Gol de Ghiggia que inscreveu o Maracanazo na história das Copas

    Fugitivos na noite do Maracanazo, e o rebelde

    por Cláudio Dienstmann | Publicada em 25/02/2018 às 13h33

    “Nem o general Solano Lopez, que perdeu a Guerra do Paraguai, teve que dar tantas explicações como eu, que perdi um jogo de futebol” (Flávio Costa, técnico da seleção brasileira derrotada na final de 1950) 

    “A pena máxima no Brasil é de 30 anos, mas a minha já dura mais de 50: sou o único entre as centenas de milhões de todos os brasileiros que nunca fui perdoado – por um jogo de futebol” (Barbosa, goleiro do Brasil em 1950)

    “Deixei de acreditar em Deus no dia em que o Brasil perdeu a Copa de 1950” (Carlos Heitor Cony, escritor)

    “Só três pessoas calaram o Maracanã: o Papa, Frank Sinatra e eu – mas com uma bola de futebol, só eu” (Ghiggia, autor do gol da vitória de 2x1 do Uruguai sobre o Brasil na decisão da Copa de 1950) 

     

    A Copa do Mundo de 1950, a quarta da história e a primeira no Brasil (realizada após 12 anos de parada por causa da segunda Guerra Mundial), foi a única que teve um quadrangular final entre os quatro países vencedores dos grupos da primeira fase. Assim, um deles, o Brasil, poderia ser campeão com um simples empate – contra o Uruguai – na última partida, dia 16 de julho, um domingo. A seleção brasileira fez o primeiro gol mas levou 2x1 – com o gol da virada marcado por Ghiggia – e perdeu o campeonato.

    Existem apenas três fotos do gol de Ghiggia, porque quase todos os fotógrafos naturalmente estavam atrás do goleiro uruguaio. Duas pegam Ghiggia de frente, e uma é tirada às suas costas, já vibrando – da lateral do campo e inclusive mostrando os outros dois fotógrafos, no alto à esquerda. 

    O atacante Zizinho só recuperou a consciência na madrugada daquele domingo, quando viu que estava numa casa num subúrbio do Rio de Janeiro – mas nunca soube como chegou lá. Ele denunciou que a transferência de concentração na véspera da final – da Casa dos Arcos, no Joá, para São Januário – foi uma imposição política de candidatos nas eleições de outubro, três meses depois; o próprio técnico, Flávio Costa, concorria a vereador. Na Copa seguinte, em 1954, Zizinho tinha só 31 anos mas não foi convocado: o novo técnico, Zezé Moreira contou depois que tinha recebido a lista de jogadores já elaborada pela Confederação Brasileira de Desportos, CBD – sem Zizinho.

    Outros jogadores ficaram sumidos durante três ou quatro dias após a decisão de 1950, fugitivos. O médio Bauer já tinha preparada para ele uma volta triunfal a São Paulo, de avião, com foguetório, desfile em carro aberto, festa em praça pública na chegada. Assustado pela tragédia, voltou mesmo de trem, para se esconder – e dormindo no assoalho de um vagão cargueiro. Bauer depois teve mais sorte: jogou a Copa de 1954, na Suíça, inclusive como capitão da seleção.

     

    EM TRÊS ÂNGULOS

    Gol de Ghiggia na vitória de 2 a 1 do Uruguai aos 33 minutos do segundo tempo sobre o Brasil na dramática final de 1950, no Maracanã

     

     

    O rebelde – E foi na Suíça em 1954 que o talentoso e rebelde meia Didi ficou emburrado só porque o comando da seleção havia impedido a mulher, Guiomar, de entrar na concentração, em Macolin. Pronto: Didi anunciou que deixaria o hotel, o time, o mundo, que ia embora, tudo isso junto, qualquer coisa – e nem estava adiantando tentar conversar com ele, não tinha papo com ninguém.

    Quando o lateral Nílton Santos, parceiro de quarto e compadre de Didi, chegou ao quarto, encontrou a cena pronta. Didi estava fechando a mala, informando que já tinha táxi na porta, e tchau. Nílton resumiu a situação em apenas duas alternativas:

    – Compadre, tem treino em meia hora, e das duas opções, escolhe aí uma delas: ou termina com essa bobagem e vai treinar, ou eu te encho de porrada e tu vai igual – explicou Nílton.

    Meia hora depois a mala estava desfeita e o ex-emburrado e ex-rebelde Didi corria compenetrado sob o olhar severo do vigilante Nílton Santos.

     

    Agenda histórica do futebol gaúcho na semana

     

    25.2, domingo

    1958 – Juventude inaugura iluminação do Estádio Alfredo Jaconi

     

    26.2, segunda-feira

    1947 – Presidente da Federação Rio Grandense de Desportos, FRGD, Aneron Corrêa de Oliveira, convida Osvaldo Rolla para dirigir Escola de Árbitros

     

    27.2, terça-feira

    1955 – Renner representa Rio Grande do Sul no campeonato brasileiro de seleções estaduais e vence Ceará por 2x0 em São Paulo

     

    28.2, quarta-feira

    1954 – Criado pelo gaúcho Aldyr Garcia Schlee, 19 anos, nascido em Jaguarão, entre 301 projetos o novo uniforme da seleção brasileira, e estreia – camiseta amarela com detalhes em verde, calção azul-cobalto, meias brancas, como o Pelotas  –, 2x0 sobre Chile

     

    1.3, quinta-feira

    1956 – Seleção gaúcha representando Brasil no Campeonato Pan-Americano no México vence Chile por 2x1, gols de Luizinho e Raul Klein

     

    2.3, sexta-feira

    1961 – No 26º jogo entre os dois clubes, após 25 anos Juventude ganha pela primeira vez do Inter, 2x1 no Alfredo Jaconi, Caxias, Torneio Festa da Uva

     

    3.3, sábado

    1980 – Grêmio protocola na Federação pedido de transferência de jogador amador do Esportivo de Bento Gonçalves, Renato Portaluppi

     

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