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    coluna do sommelier

    Como a cerveja chegou, sumiu e voltou ao Brasil

    por Rafael dos Santos | Publicada em 20/02/2018 às 10h56

    A cerveja demorou a aportar no Brasil, tendo sido primeiramente trazida pela companhia das Índias Orientais, no século XVII, junto com os holandeses. Com a saída dos holandeses do país em 1654, o produto sumiu por quase 150 anos, reaparecendo apenas em 1808, quando a Família Real portuguesa desembarcou no Brasil Colônia. Na verdade, a cachaça era a bebida alcoólica mais popular no Brasil antigo. Além dela, eram importados licores da frança e vinhos de Portugal, especialmente para atender à nobreza.

    A partir de 1830, algumas inicia tivas pioneiras de produção artesanal de cerveja foram realizadas por famílias de imigrantes, mas apenas para seu próprio consumo.

    Devido à grande influência comercial que a Inglaterra exercia sobre Portugal nessa época, as cervejas inglesas dominaram o mercado brasileiro até os anos 1870. No final do século XIX, o governo quadruplicou os impostos de importação, o que inviabilizou totalmente a comercialização do produto estrangeiro no país.

    A produção de cerveja no Brasil até o final do século XIX se fazia artesanalmente e com muitas dificuldades. A falta de cevada e lúpulo, importados da Alemanha e da Áustria, era contornada com uso de outros cereais (arroz, milho, trigo etc.). Mas as maiores dificuldades eram as relacionadas à refrigeração, considerando-se que produzir e conservar cerveja em um país tropical era um enorme desafio. E as máquinas a vapor para o resfriamento da bebida eram raras e caras.

    Antes de 1850, pequenas cervejarias surgiram no Rio de Janeiro, em São Paulo, e no Sul do país: Cervejaria Brasileira (RJ, 1836), Henrique Schoenbourg (SP, 1840), Georg Heinrich Ritter (Nova Petrópolis/RS, 1846), Henrique Leiden (RJ, 1848), Vogelin &Bager (RJ, 1848), João Bayer (RJ, 1849), Gabriel Albrecht Schmalz (Joinville/SC, 1852), Henrique Kremer (Petrópolis/RJ, 1854), Carlos Rey (Petrópolis/RJ, 1853).

    Logo algumas atingiram escala industrial de produção: A imperial Fábrica de Cerveja Nacional, de Henrique Leiden & Cia, a Voegelin & Bager, a Carlos Rey & Cia, e a de Henrique Kremer, que se tornou Imperial Fábrica de Cerveja Nacional em 1876 e que, em 1898, passou a se chamar Cervejaria Bohemia.

    Em 1888 surgiram as duas grandes cervejarias que fariam história no Brasil: a Cia. Cervejaria Brahma e a Cia. Antartica Paulista.

    O início do século XX foi marcado pelo surgimento de muitas microcervejarias, animadas com nascente sociedade burguesa, o início da industrialização e a chegada de um grande número de imigrantes europeus. Essa foi a época da malandragem e da boêmia, que fincaram suas raízes na cultura brasileira para sempre.

    Com o advento das duas Grandes Guerras, a escassez de matéria-prima importada, especialmente o lúpulo, impactou diretamente a produção de cerveja, que diminuiu drasticamente.

    Em 1966 e 1967 surgem a Cerpa, Cervejaria Paraense, e a Skol, respectivamente. Quatro anos depois, é lançada a primeira latinha de cerveja brasileira, feita de folha de flandres: a Skol Pilsen.

     

     

    A partir da década de 1980, a cultura cervejeira no Brasil passa por uma refrescante transformação, impulsionada pelo renascimento da cerveja em todo o mundo. Diversas microcervejarias são abertas no país, modernas choperias e as mulheres se incorporam ao mercado de consumo, modificando o perfil predominantemente masculino de até então.

    Em 1980, surge a Cervejaria kaiser, em Divinópolis (MG), e em 1989 a Primo Schincariol passa a produzir cerveja no interior de São Paulo.

    Em 1999, a partir da fusão entre a Companhia Antarctica Paulista e a Companhia Cervejaria Brahma, surge a AmBev Companhia de Bebidas das Américas. A criação da AmBev e sua posterior fusão com a gigante belga Interbrew foram dois dos fatos mais marcantes da história da cerveja brasileira e mundial das últimas décadas. Com o nome de InBev, a nova empresa mundial,a partir de 2004, tornou-se a maior produtora do Mundo.

     

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