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    coluna da Sônia

    Chapéus Panamá, que nunca foram fabricados naquele país, mas importados para proteger do sol os construtores do Canal de Panamá.

    Diário de Viagem - La Mitad del Mundo - 13º dia

    por Sônia Zanchetta | Publicada em 11/02/2018 às 18h48| Atualizada em 12/02/2018 às 17h51

    Ontem, acordei por volta das 5, como sempre faço, e as pombas já estavam arrulhando no telhado da casa das minhas filhas aqui em Quito.

    Em vez de saltar para o computador ou de ficar lendo um pouco na cama, fiquei zanzando de lá pra cá, contando os minutos para buscar os óculos, que havia deixado em uma ótica a fim de que trocassem sua armação, em função do acidente ocorrido no dia anterior.

    Logo depois do café, meu filho Bruno e eu saímos em direção ao setor da Av. Amazonas, umas das principais vias comerciais da Zona Norte da cidade, e chegamos à tal ótica exatamente às 10, horário em que supostamente abriria, mas demos com as caras na porta.

    Então, fomos fazer tempo no Mercado Artesanal do bairro La Mariscal, ali perto, aonde eu já fui várias vezes e certamente voltarei algumas mais até segunda-feira, pois não dá para acabar de ver tudo o que se produz, na área do artesanato, neste país.

    Ali, comprei algumas camisetas, um chapéu “Panamá” encomendado por uma amiga e um bordado lindo produzido em um povoado chamado de Hacienda Zuleta, onde grande parte das famílias indígenas se dedicam a este tipo de artesanato.

    A propósito dos chapéus “Panamá”, falei, outro dia, neste diário, que nunca foram produzidos naquele país e, agora, explico esta questão. Estes chapéus sempre foram feitos no Equador, com palha “toquilla”, na provícia de Manabi e, mais recentemente, também na de Azuay.

    Mas acabaram sendo batizados com este nome porque, durante a construção do Canal de Panamá, foram importados milhares deles para que os trabalhadores pudessem suportar o sol que fazia por lá. E, quando o presidente dos Estados Unidos da época, Theodore Roosevelt, visitou o Canal, usou um desses chapéus, o que aumentou sua popularidade.

    Atualmente, esses são considerados os chapéus de palha mais finos do mundo e, conforme o modelo, seu preço pode chegar, no exterior, a US$ 30 mil.

    Um pouco mais tarde, já de óculos e com minha autoestima recuperada, rumamos, sempre caminhando, à feira do bairro Floresta, para comprar frutas, verduras e flores.

    Ao chegar lá, o Bruno me propôs que fizéssemos uma boquinha no Pátio de Comidas do mercado, um lugar super limpo e organizado, onde oferecem várias opções de pratos típicos. E ali compartilhamos um prato de corvina frita, com batatas e “ají” (molho feito com tomate de árvore, pimenta, cebola, coentro, limão, azeite e sal). Uma delícia!

    Eu adoro fazer compras com o Bruno por aqui, pois, para começar, ele conhece muitas “caseras” que atendem nas feiras e nos mercados, às quais chama de “Case” (pronuncia-se casse) enquanto elas o tratam como “Veci”, abreviatura de “vecino” (vizinho).

    Daí, há toda uma negociação para comprar cada produto, pois o “regateo” (pechincha) é um fato no Equador. A “casera” fala um valor, ele propõe outro, ela diz que é muito pouco, e a compra acaba sendo fechada por um terceiro. Nestas alturas, ele fala: “Está bien, Case, pero me dará bien ñapado (com inhapa)”. E, então, se ele comprou um quilo de tomates, ela coloca mais duas ou três unidades em sua sacola.

    Eu vivi aqui 17 anos e nunca aprendi a pechinchar, pois me parecia, que, ao fazer isto, estava tratando de explorar o vendedor, mas, na verdade, todos eles aumentam o valor dos produtos, para haver uma margem de negociação e, se não pechinchas, te olham com um certo desprezo, como se fosses uma pessoa despreparada para fazer compras, o que sempre fui.

    Então, na semana passada, como ia comprar três chapéus de palha “toquilla”, e estava sem o Bruno, pela primeira vez na vida tive coragem de pechinchar, e acabei pagando US$ 13,50 por peça, em vez dos US$ 18,00 pedidos inicialmente. E o vendedor ainda me deu, de inhapa, uma embalagem bem legal, para que cheguem inteiros ao Brasil.

    De tarde, só saí perto das 5h, pois uma amiga brasileira, do tempo em que vivi aqui, havia me convidado para ir a sua casa, onde me recebeu com um monte de delícias e conversamos muitíssimo, como ocorre quando as amizades são verdadeiras e persistem apesar da distância e do tempo.

    Mais tarde, ela e o esposo me deixaram na casa das gurias, onde encontrei a Laura, namorada do Bruno, preparando comida colombiana e "canelazo" (mistura de cachaça com água de rapadura e canela, servida quente em copos cujas bordas são umedecidas com suco de limão e impregnadas com sal). E, como sempre, nesta casa, a mesa estava cheia de jovens, e não faltaram assuntos interessantes e boas risadas.

    Amanhã tem mais.

     

    E o álbum de fotos:

     

     

     

     

     

     

     

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