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    coluna do dienstmann

    Esperto era o gordinho Daltro

    por Cláudio Dienstmann | Publicada em 03/02/2018 às 23h05| Atualizada em 03/02/2018 às 23h15

    “E eu ia perder o privilégio de lançar esse diamante para o futebol?” (Daltro Menezes, técnico, falando da efetivação de Taffarel – aos 19 anos – como goleiro titular do Inter).

     

    No início da década de 1970, com a entrada no campeonato nacional, o futebol gaúcho saiu às compras. O Grêmio trouxe o zagueiro Ancheta do Nacional de Montevidéu, o Inter respondeu com o chileno Figueroa do Penharol; o tricolor buscou o ponteiro Zequinha do Botafogo, o colorado replicou trazendo Lula do Fluminense. E a mesma coisa aconteceu com os técnicos – o carioca Oto Glória no Grêmio, o paulista Dino Sani no Inter.

    O fato é que os dois vieram ganhando muito acima da média local (em valores de hoje uma merreca), e isso incomodou os técnicos gaúchos. Foi tanto que eles se reuniram numa espécie de jantar de protesto – Carlos Froner, Sérgio Moacir, Pedro Figueiró, Abílio dos Reis, Galego, Ênio Andrade, Cará, Daltro Menezes...

    Absurdo, barbaridade, vergonha, desconsideração – essas foram as palavras mais contempladas no encontro. E o gordinho Daltro, quieto, ali, só ouvindo. Quando todos já estavam cansados de tanto se lamentar, ele finalmente levantou o dedinho e pediu a palavra:   

    – Terminou? Então agora vejam a situação pelo outro lado, e todos vocês vão ver que isso na verdade é muito bom. O Dino e o Oto vieram ganhando uma grana preta, certo, mas eles não vão ficar aqui para sempre, e quando forem embora os clubes vão ter que pagar a mesma coisa para nós.

    Dito e feito!

    Nem o gordinho Daltro poderia adivinhar a sabedoria do seu curto discurso, nem prever um futuro tão próspero como hoje. A gauchada deu a volta por cima, realmente passou a ganhar mais dinheiro (muito), ampliou os horizontes, inverteu os rumos. Técnicos do velho Rio Grande amado é que passaram a trabalhar nos centros maiores, e nos últimos 12 anos dirigem a seleção brasileira, com gauchões todos do interior – Dunga, Felipão, Mano Menezes, Tite. 

     

    Agenda histórica do futebol gaúcho na semana

     

    4.2, domingo

    2009 – Inter apresenta o seu novo escudo, com o nome do clube sobre as iniciais SCI

     

    5.2, segunda-feira

    1961 – Grêmio 4x0 Nacional de Cruz Alta, finais do campeonato gaúcho de 1960

     

    6.2, terça-feira

    1938 – Grêmio Santanense de Livramento campeão gaúcho, 4x0 Rio Grandense de Rio Grande, em Bagé

     

    7.2, quarta-feira

    1963 – Grêmio super-campeão gaúcho, 4x2 Inter, jogo-extra no Olímpico

     

    8.2, quinta-feira

    1961 – Grêmio pentacampeão gaúcho, 7x0 Pelotas no Olímpico

     

    9.2, sexta-feira

    1995 – Primeiro jogo do atacante Jardel no Grêmio, contra o Guarani de Garibaldi

     

    10.2, sábado

    2010 – Cerâmica estreia na Copa Brasil, 1x1 Paraná, no Passo da Areia

     

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