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GRAVATAÍ, 20/05/2018

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    coluna da Sônia

    Café no setor da Avenida Colón

    Diário de viagem - La Mitad del Mundo - 5º dia

    por Sônia Zanchetta | Publicada em 03/02/2018 às 17h03| Atualizada em 04/02/2018 às 16h20

    Ontem, fiquei de moleza pela manhã e saí com minha filha Carla, por volta das 13h (ninguém almoça antes deste horário por aqui), para encontrar amigos em um restaurante coreano.

    Depois, fomos todos à Praça Gabriela Mistral, pois a Carla queria me mostrar as “andotecas”, que fazem parte de um projeto comunitário de promoção da leitura.

    São pequenas caixas, que disponibilizam livros para os passantes, em cerca de 20 praças de Quito. Fiquei pasma ao saber que, embora o projeto tenha recebido recursos do Ministério da Cultura e esteja funcionando super bem, foi multado, recentemente, por ocupar espaço público sem autorização. Detalhe: A autorização ainda não pôde ser pedida, porque a Alcaldía (Prefeitura) não decidiu até agora em que setor isto deve ser feito. Ai, como tenho pouca paciência com a burocracia...

    Como todos os espaços verdes de Quito em que estive ou pelos quais passei até agora, a Praça Gabriela Mistral é um primor de bem cuidada e, para completar, há alto-falantes que transmitem música clássica. Um luxo!

    Dali, Carla foi para um compromisso e segui caminhando com meus amigos pela Zona Norte da cidade. Além dos inúmeros cafés, hotéis e hostels — que surgiram, nestes últimos tempos, em função de uma bem articulada campanha desenvolvida para vender a imagem do Equador, como destino turístico, no exterior, e da flexibilização das leis de imigração — chama minha atenção a quantidade de locais em cujas placas constam as palavras cooperativa, solidária ou comunitária.

    Fizemos compras para o café da tarde em um deles, o Salinerito, ondem vendem queijos e vários outros produtos fabulosos vindos de uma região chamada Salinas de Guaranda, que tem este nome em função das minas de sal que há por lá, que, por muito tempo, abasteceram outras zonas do pais.

    A região está integrada por 24 comunidades, que, historicamente, também produziam leite de boa qualidade e, na década de 70, quando as minas de sal começaram a se esgotar, por incentivo do padre salesiano italiano Antonio Polo, passaram a produzir queijos.

    Atualmente, funcionam, por ali, cerca de 30 microempresas comunitárias, que produzem e comercializam amplamente, no País, além de exportar, cerca de 200 produtos derivados de frutas, leite, carne e lã, entre outras matérias-primas.

    Além disto, há, em Salinas, várias organizações comunitárias, entre as quais o Grupo Juvenil, que mantém um hotel que acolhe turistas nacionais e estrangeiros que visitam a região para conhecer sua organização e sua estrutura agroindustrial.

    A economia solidária e o cooperativismo são um fato, no Equador, e meu filho Bruno me contou que, após a grave crise econômica enfrentada, em 1999, no Governo de Jamil Mauhad, que levou várias instituições financeiras à bancarrota e à dolarização da economia, os indígenas, que são grandes poupadores, revoltados com os “bancos dos brancos”, criaram suas próprias cooperativas de poupança e crédito. Decidi, então, estar mais atenta a esses empreendimentos, sobre os quais vou voltar a falar outro dia.

    Quando viajo, gosto de sentir o dia a dia de quem vive no lugar e de saber quanto custa cada coisa. Então, tenho acompanhado meus filhos ao Supermaxi, ao mercado, ao banco (a propósito, nenhum deles tem porta giratória) e a outros lugares onde costumam fazer suas compras.

    Em termos gerais, a vida é bem mais barata por aqui. Eu já havia lhes contado que um galão de gasolina comum (galão equatoriano, que equivale a 3,7 litros) custa US$ 1,48 e que a tarifa do transporte coletivo (que dá direito a conexões) é de US$ 0,25.

    O botijão de gás de 15 quilos custa US$ 3,00, mas o produto é subsidiado só para uso doméstico. Empresas pagam um valor bem mais alto. Minhas filhas, em cuja casa vivem quatro pessoas e ambas trabalham, gastam US$ 6,00 de telefone, US$ 26,00 de luz e US$ 15,00 de água. A alimentação também é barata, mas remédios e produtos de limpeza e higiene, entre outros industrializados, custam mais do que no Brasil.

    A propósito, o salário mínimo equatoriano unificado é de US$ 386 e o trabalhador recebe 14 salários ao ano.

    Amanhã tem mais.

     

    O álbum de fotos:

     

    : Parque Gabriela Mistral

     

    : Alto-falante que transmite música clássica no Parque Gabriela Mistral

     

    : Regras para o uso do Parque Gabriela Mistral

     

    : Entrada da agência do Banco de Pichinha, que, como todas as demais agências bancárias o País, não tem porta giratória

     

    : Queijos de Salinas de Guaranda

     

    : Queijos de Salinas de Guaranda

     

    : Salinerito, setor de pães

     

    : Andoteca que disponibiliza livros aos passantes em espaços públicos da cidade

     

    : Café no bairro La Mariscal

     

    : Café Jerry's 

     

     

     

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