notcia bem tratada
GRAVATAÍ, 25/02/2018

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    coluna da Sônia

    Arco que era o portão de entrada da casa de uma família tradicional da cidade foi trasportado para o Parque El Ejido

    Diário de viagem – La Mitad del Mundo - 4º dia

    por Sônia Zanchetta | Publicada em 02/02/2018 às 14h28| Atualizada em 03/02/2018 às 21h02

    Ontem, fiquei em casa de manhã, pois, afinal, o que vim fazer no Equador foi paparicar meus filhos. Então, aproveitei para regar as plantinhas da Nanda (praticamente uma selva amazónica), arrumar meu quarto, estas coisas...

    Depois do almoço, cada um deles foi cuidar dos seus assuntos, e decidi caminhar até a Casa da Cultura Equatoriana. Mas, como de costume, quando estou viajando, parei inúmeras vezes, para apreciar o que me parecia interessante e para fazer perguntas (perguntar sempre foi meu verbo predileto).

    Uma coisa fascinante, aqui em Quito, são as montanhas que cercam a cidade, com destaque para o Pichincha — um dos vários vulcões ativos dentre os 84 que há no Equador—, que tem dois picos, conhecidos como Guagua (criança em quéchua) e Rucu (idoso), os quais se situam a 4.784 e 4.698 metros de altitude, respectivamente.

    Nos 17 anos em que vivi aqui, o Pichincha estava praticamente adormecido, mas, de vez em quando, soltava umas fumarolas. No entanto, em 1999, depois de alguns avisos de que estava despertando, cobriu a cidade com uma camada de 20 cm de cinza.

    Menos mal que já estávamos no Brasil, pois sempre tive terror a tremores de terra (passei por inúmeros) e erupções. Tinha a sensação de estar vivendo sobre uma panela de pressão prestes a explodir, medo que nunca percebi nos equatorianos, incluindo meus filhos, que nasceram aqui.

    O Bruno estava querendo me levar ao pico da montanha Cruz Loma, vizinha ao Pichincha — de onde, diz ele, há uma vista espetacular de toda a região—, por um teleférico instalado em 2005. Mas, quando descobri que é o mais alto da América do Sul (parte de 2.950 metros e vai até a 4.050 metros), desisti na hora. Não me arrisco a ter mais um soroche (mal da altura)...

    A Casa da Cultura Equatoriana, fundada em 1944, foi idealizada pelo jornalista e político Benjamin Carrión, que via a Cultura como uma força superior, que poderia elevar a autoestima do país, depois da derrota militar que havia sofrido na Guerra contra o Peru, em 1941, na qual perdeu quase a metade do seu território e o acesso ao Rio Amazonas.

    A entidade conta, além sua sede principal, em Quito — que abriga cinemateca, biblioteca, museus, teatros, editora e emissora de rádio, entre outros espaços —, com sedes em várias outras províncias. Ali está o Museu do Banco Central do Equador, cujo acervo, sobre a identidade equatoriana, com peças que vêm desde o período pré-incaico, é impressionante.

    Saí direto da Casa da Cultura para o Parque Arbolito, que fica ali ao lado, e depois, para o Parque El Ejido, que fica em frente, e encontrei ambos super bem cuidados.

    Além disto, há, no Arbolito, várias esculturas e grafites, o que é uma característica dos espaços verdes de Quito. O El Ejido, que separa a cidade antiga da cidade nova, é super movimentado, sobretudo nos fins de semana, em função da feira de artes plásticas e artesanato, dos espetáculos de teatro de rua, dos jogos de ecuavoley, da biblioteca, dos brinquedos infantis e da venda de comida típica, entre outras atrações.

    Por lá, pude observar a construção de uma estação do Metrô, que será inaugurado em julho de 2019. A partir de então, o Sistema Integrado de Transporte de Massa de Quito incorporará todas as modalidades de transporte público da cidade (ônibus comuns, ônibus articulados, trólebus e metrô), que terão uma tarifa única, com a possibilidade de várias conexões.

    Atualmente, a tarifa em qualquer um dos meios de transporte existentes é de US$ 0,25, e já há a possibilidade de conexões, mas o excesso de passageiros torna seu uso bastante desagradável, de forma que tenho preferido andar de táxi, que é baratíssimo e fácil de encontrar (há 10.000 táxis regularizados em Quito, além dos clandestinos e dos ubers).

    Também tem se investido muito, por aqui, para incentivar o ciclismo. Quito conta com 109,61 quilômetros de ciclovias e com um serviço gratuito de empréstimo de bicicletas chamado BiciQuito. Basta fazeres um cadastro e podes retirar uma bicicleta sem qualquer custo para circular pela cidade.

    Falando em mobilidade urbana, chamou minha atenção o fato de quase não haver motos nas ruas de Quito, o que, segundo meus filhos, tem a ver com o baixo preço da gasolina (um galão da normal custa US$ 1,48), subsidiada pelo governo, que facilita a compra de carros.

    Para encerrar meu passeio, percorri grande parte da Av. Amazonas, que tinha um comércio bacana quando eu vivia aqui, mas a encontrei bem decadente. Então, peguei um táxi para voltar à casa das minhas filhas e tive de aguentar o taxista falando de lá até aqui sobre um assunto que não aguento mais: a corrupção dos políticos.

     

    O álbum de fotos:

     

    : Avenida Amazonas, em Quito

     

    : BiciQuito - ponto de empréstimo de bicicletas

     

    : Casa da Cultura Equatoriana

     

    : Museu do Banco Central, que funciona na Casa da Cultura Equatoriana

     

    : Prédio administrativo da Casa da Cultura Equtoriana

     

    : Teatro Prometeu, da Casa da Cultura Euatoriana

     

    : Cobertura fixa para a realização de feiras, no Parque El Ejido

     

    : Feira de artesanato do Parque El Ejido

     

    : Espaço Cultural do Parque El Ejido

     

    : Parque El Ejido 

     

    : Parque El Ejido

     

    : Parque El Ejido

     

    : Parque El Ejido

     

    : Parque El Ejido

     

    : Posto de Saúde no Parque El Ejido

     

    : Vulcão Pichincha

     

    : Obra da estação El Ejido do Metrô de Quito

     

    : Grafite no Parque Arbolito

     

    : Parque Arbolito

     

    : Parque Arbolito

     

     

     

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