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GRAVATAÍ, 16/08/2018

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    coluna da marta

    Arte sobre obra de Alma Tadema Lawrence

    Cicatrizes da vida

    por Marta Busnello | Publicada em 11/01/2018 às 18h

    Carregamos no corpo e na alma as cicatrizes da vida. Não costumamos prestar demasiada atenção à existência delas. Ou, pelo menos, não deveríamos.

    Mas, parando um instante para olhar as marcas deixadas pelo tempo e pelas emoções, podemos avaliar o que significam a partir do olhar de hoje.

    Fui criança na zona rural. Subi e cai de árvores, tomei banho de rio, pisei na lama, montei em cavalos e fui derrubada por eles.

    Curti inúmeras outras brincadeiras próprias de quem morou no campo. Sobrevivi, apesar de todas as travessuras, conforme mostram as “tatuagens” estampadas pelo corpo.

    Encontrei no meu joelho direito uma marca, resquício de uma queda quando criança. Dessa lembro como aconteceu. Foi num passeio de final de semana na casa dos sogros de uma das minhas tias.

    Era um desses dias quentes de verão.  Fomos até ao rio que existia na propriedade. Perdi o equilíbrio e caí sobre as pedras. Levantei e olhei bem para ver o tremendo desastre na minha pele.

    Meus tios chegaram e, com toda calma, lavaram o local para entender o tamanho do machucado. Retornamos para a casa e lá colocaram Merhiolate. Naquele tempo o remedinho era ardido que só ele!

    Nunca mais voltei ao lugar. Carrego no corpo o vestígio de que um dia estive lá e o aprendizado de que sempre é preciso levantar a cada queda na vida. Usei o Merthiolate recentemente e ele não arde mais.

    Deve ter uma nova fórmula. Mas o jeito de sentir os tombos continua o mesmo: sempre dói, mas sabemos que vai cicatrizar. Nos ferimos, mas sabemos que podemos nos curar.

    As cicatrizes na alma são diferentes. A dor da ingratidão alheia, por exemplo, é difícil de curar. Sempre deixa alguma marquinha. Não sou santa para perdoar completamente.

    As imagens dos que precisam do essencial para viver e não conseguem nem este mínimo também não se apagam. Superpõem-se.

    Enfim, na superfície da pele e no mais íntimo de cada um de nós estão colocados testemunhos mudos dos acontecimentos que passaram a fazer parte de nós. Fazer o quê?

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