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    mundo do trabalho

    Dias em que é preciso paciência no trabalho

    por Leandro Melo | Publicada em 11/12/2017 às 17h49| Atualizada em 11/12/2017 às 17h51

    Já passava de duas horas de reunião e a pauta não estava nem perto de ser vencida. Um único ponto insistia em permanecer aberto sobre a mesa transformando a sala num octógono. O combate sanguinário se dava com um coordenador obstinado em convencer um dos responsáveis pela área de projetos, que ambos estavam falando a mesma coisa, mas com formas completamente opostas de expressar seus pontos de vista.

    O líder dos projetos, por seu lado, esforçava-se em convencer seu oponente de que já tinha compreendido o que era dito, mas que havia nuances, sutilezas e detalhes que ameaçavam o sucesso do trabalho.

    Para piorar, as outras quatro pessoas na sala, tentavam desesperadamente ajudar a um e a outro a encontrarem as palavras certas para que houvesse entendimento, aumentando o caos. No fim, o evento que promoveria a marca da empresa – motivo da discórdia – foi realizado tal e qual estava descrito no PPT exibido antes de se iniciar a longa discussão.

    E é assim quase todos os dias, em quase todos os cantos do Mundo do Trabalho, não é mesmo

    Onde houver um ser humano, vai estar legal. Onde houver dois, aí começam os problemas! É preciso paciência. Aliás, paciência tornou-se uma virtude, uma dádiva… não! um atributo essencial, principalmente dos gestores. Até pouco tempo ainda se tinha uma imagem pejorativa de quem era mais calmo e agia com parcimônia.

    Geralmente essas pessoas estavam fadadas aos setores de apoio e os mais afoitos eram alçados aos cargos de liderança. Mas nas boas empresas, isso vem mudando. Com as relações humanas mais delicadas do que nunca, colocar uma pessoa de pavio curto à frente de equipes cada vez mais múltiplas em seus talentos, faixa etária e experiências é uma bomba relógio.

    Por exemplo, olhando novamente o embate descrito logo acima, seria impensável, nos dias de hoje, aquele coordenador dizer para o colega de outro departamento que ele se concentrasse na execução, pois as decisões do planejamento já estavam tomadas. Neste caso, se perderia o respeito do colega, passaria uma imagem de autoritarismo para os demais membros do grupo e colocaria o projeto todo em risco não pela não observância de “nuances e detalhes”, mas por desagregar e desmotivar a equipe. Além disso, nasceriam, naquele momento, sabotadores potenciais de tudo o que viesse pela frente. É preciso paciência!

    Você já deve ter tido essa experiência: trabalhar com pessoas que parecem estar sempre preparadas para contradizer, refutar, questionar e até gritar não, assim que você concorda com uma ideia. Às vezes, uma ideia lançada e aceita no encontro da semana anterior. Em situações assim há quem reze pedindo unicamente Paciência, pois se receber Força acabará partindo para as vias de fato com o colega.

    Cura para os intransigentes dos escritórios e salas de reunião ainda não se encontrou. Mas o tratamento dos efeitos colaterais é feito com altas doses de calma, preparo, redução de expectativas e disposição. Fazer mais perguntas do que sair dizendo que se deve seguir isso ou aquilo também é de grande ajuda. Ser paciente e demonstrar paciência com “o outro” é bem visto por aqueles que estão a procura de sucessores.

    É importante ter em mente que a diversidade torna valorosas as relações entre pessoas. Portanto, a discordância não parte, necessariamente, da arrogância ou da vilania, mas pode sim, partir da mera incompreensão. Cabe a nós encontrar a forma melhor de ser compreendido – ou de fazer acontecer o que já estava no PPT -, mas sempre minimizando os conflitos. Repita para si mesmo que o outro não é mau, é apenas outro!

     

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