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GRAVATAÍ, 22/04/2018

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    análise

    Por que a violência explodiu em Gravataí? - Parte 1

    por Fernando de Gonçalves | Publicada em 03/11/2017 às 16h53| Atualizada em 06/11/2017 às 13h35

    Na última semana, publiquei aqui na coluna sobre a terrível disparada da violência em Gravataí (e na Região Metropolitana de Porto Alegre) nos últimos anos. Gravataí era, até a metade dos anos 2000, uma cidade relativamente pacífica, muito mais pacífica dos que as nossas vizinhas ou do que as metrópoles do centro do país. Hoje, é quase tão violenta quanto Alvorada ou Rio de Janeiro e muito mais violenta do que São Paulo. Refiz os cálculos com uma estimativa retirada da imprensa de Porto Alegre, segundo a qual, houve 144 homicídios na cidade até 28 de outubro deste ano. Se seguirmos nesse ritmo, chegaremos em 31 de dezembro com 175 homicídios, o que nos dá uma taxa de quase 64 homicídios a cada 100.000 habitantes.

     

    Fonte: FEE e Zero Hora. 2017 – estimativa do autor.

     

    Essa disparada faria que Gravataí, se fosse um país, fosse o terceiro mais violento do mundo, quase empatado com o segundo – bastaria um homicídio acima da minha estimativa para que nos tornássemos vice-campeões desse triste campeonato.

     

     

    Fonte: ONU. Dados dos países de 2015, Gravataí estimativa para 2017.

     

    Note que a Aldeia ficaria com uma taxa maior do que a da Venezuela – que está mergulhada no caos político, econômico e social e mais de duas vezes maior do que a do Brasil. Creio que esses números bastam para reconhecermos a gravidade da situação. Agora, por que chegamos a esse ponto? Apesar da explosão neste ano, é possível visualizar no primeiro gráfico uma tendência de crescimento desde 2007. Ou seja, há uma década, Gravataí vem se tornando mais violenta. Por que isso aconteceu? Vou tentar responder com algumas leituras que fiz nos últimos anos sobre sociologia da violência e criminologia. Começarei com alguns candidatos óbvios, a demografia, a desigualdade e, por fim, a crise o desemprego. Na coluna da próxima semana, trarei outras duas explicações: a degradação urbana e a ausência do Estado.

     

    Demografia

    Essa é a explicação mais óbvia em qualquer surto de violência, apesar de ser relativamente pouco conhecida pelos leigos. Já se sabe, há muito tempo, e a experiência comprova, que a imensa maioria da violência é praticada por homens (e não por mulheres) jovens (e não por idosos ou crianças). A juventude é a época da testosterona, das aventuras, das lutas por status e pela vontade de demonstrar dominância. Assim, é de se esperar que quanto mais jovens há num lugar, mais violento seja aquele lugar. Quando há muitas crianças, ou quando a população envelhece, a violência tende a cair, pois há menos homens jovens se matando entre si. Infelizmente, só temos essa informação com os dados do censo demográfico, que são realizados pelo IBGE uma vez a cada década (o último ocorreu em 2010 e o próximo será só em 2020).

     

     

    Fonte: IBGE

     

    Vejam que a população de homens jovens cresceu bastante entre 1991 e 2000, mas bem menos entre 2000 e 2010. De 31,6 mil homens entre 15 e 29 anos, passamos para 33 mil em 2010. Como proporção do total da população, a população masculina jovem até diminuiu! Era 13,5% do total de habitantes em 2000 e agora é 12,9%. Ou seja, não podemos culpar o aumento do número de jovens pela explosão da violência na cidade. Apesar de não termos dados posteriores a 2010, mesmo com a proporção de jovens tendo diminuído na década de 2000, a taxa de homicídios mais do que dobrou no final daquela década (de 7 para 17 homicídios por 100 mil).

     

    Desigualdade

    Esta é a explicação queridinha da esquerda. Acredita-se que a desigualdade cause ressentimento social, o que faria com que os pobres vissem na criminalidade uma forma legítima, bem como a única possibilidade, de ter acesso a bens que não teriam de outra forma por estarem restritos aos ricos. Ocorre que essa teoria não tem muita sustentação nos fatos. Realmente, quando comparamos países ou regiões, há uma tendência de que os lugares mais desiguais também sejam os mais violentos, mas não há nenhuma associação ao longo do tempo. Por exemplo, todo mundo ouviu na mídia que a desigualdade caiu muito no Brasil durante o governo Lula. De fato, o Bolsa-Família, o aumento do salário mínimo, a queda do desemprego, etc. fizeram com que o Brasil diminuísse bastante a desigualdade. Mas a taxa de criminalidade continuou praticamente igual. Da mesma forma, nos EUA, o boom da criminalidade ocorreu nos anos 60 e 70, quando a desigualdade era muito menor do que hoje.

    Com a desigualdade, ocorre o mesmo problema que ocorre com a demografia. Só conseguimos calculá-la em nível municipal com os dados do censo (apesar de o IBGE calcular a desigualdade para o Brasil como um todo anualmente). A forma mais utilizada para medir a desigualdade é o tal do Índice de Gini – ele varia de 0 a 1, quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade, quanto mais próximo de 0, menor a desigualdade.

     

    Fonte: IBGE

     

    Em Gravataí, aconteceu a mesma coisa que ocorreu no Brasil dos anos 2000. A desigualdade caiu. De um índice de 0,48 em 2000, Gravataí passou para um índice de 0,44 em 2010. Alvorada, em comparação tinha um índice de 0,41 no mesmo ano e Porto Alegre de 0,57, o mais alto do estado. Isso se explica porque, em Alvorada, a maioria das pessoas é pobre e não há muita desigualdade de renda. Porto Alegre, por sua vez, combina muitos ricos com muitos miseráveis, o que faz com que a desigualdade seja muito alta. Gravataí está num meio termo. Por fim, se a desigualdade caiu e a criminalidade aumentou, não é essa uma explicação válida para a insegurança que grassa na cidade.

     

    Crise e desemprego

    Gravataí é uma cidade que cresceu em ritmo chinês até a atual crise econômica dar as caras. Entre 2002 e 2014 (último dado disponível), a economia da cidade mais do que dobrou (em valores reais, já descontada a inflação). Passou de um PIB de R$ 5,5 bilhões para mais de R$ 11,5 bilhões. Em comparação, Viamão, com quase tantos habitantes que Gravataí tinha, em 2014, um PIB de apenas R$ 3 bilhões, quase 4 vezes menor do que Gravataí. Infelizmente, como a Fundação de Economia e Estatística do estado ainda não calculou o dado para 2015 e 2016, não consigo me basear nesses indicadores para tentar explicar o aumento da criminalidade.  Posso, porém, utilizar, com alguma cautela, os dados do Ministério do Trabalho sobre a criação de empregos formais na cidade. É necessária alguma cautela porque grande parte das pessoas trabalha no mercado informal, que não é contemplado por essa estatística. Os resultados são interessantes.

     

    Fonte: CAGED/ Ministério do Trabalho

     

    Entre 2007 e 2013, Gravataí criou milhares de empregos em todos os anos, com exceção de 2009, auge da crise internacional, quando perdeu quase 1000 empregos. Em 2013, Gravataí criou mais de 4 mil empregos. De 2014 até 2016, porém, a cidade sofreu muito. Nos 3 anos, a cidade perdeu mais de 8 mil empregos somados. É muita coisa para uma cidade do tamanho de Gravataí. Em 2017, até setembro (o ministério ainda não disponibilizou dados de outubro), houve um leve início de recuperação, com 363 vagas criadas. Espera-se que a retomada do terceiro turno da GM dê mais algum fôlego e faça 2017 terminar com mais de 1000 vagas geradas. Ainda assim, ainda precisaremos de alguns anos para recuperarmos as mais de 8 mil vagas perdidas com a crise.

    Ocorre que nem o crescimento do desemprego parece ter muita relação com o crescimento da criminalidade em Gravataí. Mesmo que a cidade tenha criado mais de 16 mil empregos entre 2007 e 2013, a violência mais do que dobrou nesse período. Em 2015, pior ano da crise, a violência teve uma leve queda em relação a 2014. Da mesma forma, a grande explosão ocorre agora em 2017, justamente quando a economia iniciou uma tímida recuperação.

    Ou seja, nem o aumento do número de jovens, nem a desigualdade, nem o desemprego explicam a explosão de violência em Gravataí. Na próxima coluna, vamos ensaiar outras explicações menos óbvias: a degradação urbana e a ausência do poder do Estado.

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