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    trabalho, cinema e fakes

    A imoralidade contada aos berros

    por Sônia Zanchetta | Publicada em 13/10/2017 às 14h12| Atualizada em 13/10/2017 às 16h17

    Gestão de pessoas 

     

    Anos atrás, eu trabalhava em um lugar em que tinha duas colegas que, por alguma razão que jamais entendi ou tentei entender e que, provavelmente, elas mesmas desconheciam, não se bicavam. 

    Um dia, chegou um chefe novo, cheio de planos, que nos contou em uma reunião realizada em seguida. Programamos tudo o que faríamos nos dias seguintes e, depois de uma semana, nos reunimos de novo.  

    Tudo corria normalmente até que uma daquelas colegas informou que não havia podido realizar bem o seu trabalho e tratou de se justificar com uma série de frases iniciadas com o sujeito indeterminado (Eita, sujeitinho indigesto este!): "Ocorre que não me informaram, não me chamaram, não me tomaram em conta...". 

    O chefe saltou: "Fulana, sei que estás te referindo à Beltrana e já reparei que vocês torcem o nariz uma para a outra. Mas isto não pode interferir no trabalho. A partir de hoje, das 9 às 18h, vocês vão ter de se odiar cordialmente. Depois, fora daqui, podem se puxar os cabelos, furar os olhos e tudo o que queiram. As duas entenderam? Ok. Então, vamos adiante.". 

    Pois não é que funcionou?

     

    Querem saber como termina?
     

    Eu não perdia um filme do Marcello Mastroianni e fui correndo assistir ao Esposamante — em que ele contracena com a Laura Antonelli —, quando foi lançado, no Brasil, no fim da década de 70.

     

    Em 80, poucos meses depois de eu ter ido viver no Equador, tornei a vê-lo, com minha mãe, que tinha ido me visitar.


    Ia tudo muito bem até que percebi que haviam cortado a cena final, certamente porque não seria bem aceito pela sociedade equatoriana da época que um homem traído pela mulher voltasse a viver com ela.


    Nessas alturas, para vergonha da minha mãe, levantei indignada da minha poltrona e contei o fim do filme, aos gritos, para toda a plateia.

     

    Coelhinho fake

     

    Quando tinha seis anos, minha irmã e eu decidimos passar a noite do sábado de Aleluia sem dormir, para ver se o coelhinho da Páscoa existia mesmo ou se alguém estava nos engabelando.

    Lá pelas tantas, entrou um vulto imenso no nosso quarto, seguido de outro bem menor. E nós, ali, fingindo que dormíamos, mas com os olhos bem arregalados, espiando por baixo das cobertas...

    Pé ante pé, os dois vultos se aproximaram e, quando colocaram as cestas de Páscoa debaixo das nossas camas, esclareceu-se o mistério.

    O coelho grande era a tia Helena, irmã do pai, que media por volta de 1,80 metro (ao menos era assim que eu a via quando criança) e o coelho pequeno era a mãe, que tinha pouco mais de metro e meio.

    No dia seguinte, as duas foram ver o que o coelhinho havia nos deixado (ovos de chocolate e outros, imensos, de açúcar, que funcionavam como caleidoscópios) e estavam tão contentes que a Bia e eu não tivemos coragem de desmascará-las.

    No mesmo ano, descobrimos que o Papai Noel também era uma fraude, e imagino que esses episódios, em que tivemos de atuar como detetives para desvendar a verdade, contribuíram de alguma forma para que eu me tornasse o ser pouco crédulo e inquisitivo que sou.

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